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Caso de Brumadinho é abordado por docentes

Professores dos cursos de Ciências Biológicas e Engenharia Ambiental da Barão de Mauá falam sobre os prejuízos ocasionados com o rompimento da barragem em Brumadinho/MG


 

Foi no dia 25 de janeiro de 2019 que o Brasil vivenciou mais uma tragédia socioambiental. Assim como aconteceu em 2015 com o rompimento da barragem de Mariana, o caso de Brumadinho resultou em centenas de vidas humanas perdidas e ecossistemas inteiros devastados pelo mar de lama. Seus prejuízos vêm sendo apresentados há dias pelas mídias e demonstrado o quanto o homem desafia a natureza.

Com um grande número de mortes humanas, a cidade de Brumadinho foi palco para um novo desastre, mesmo após quatro anos de estudos pós rompimento da barragem que aconteceu em Mariana. Pensando sob o ponto de vista técnico, os danos são muitos. “Os ecossistemas mais afetados são os remanescentes de Mata Atlântica, que além de já sofrerem com uma drástica redução devido à pressão fundiária, perde Áreas de Preservação Permanente (APP) e Áreas de Proteção Ambiental (APA). Talvez seja a hora de retomar as discussões sobre a importância da integração das mais de 30 unidades de Conservação do quadrilátero ferrífero na região de Belo Horizonte para aumentar os corredores e a cobertura florestal, alcançando uma área de, pelo menos, 3,7 milhões de hectares, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). No momento, as energias dos técnicos do IBAMA e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) voltam-se para o monitoramento dos rios através da coleta e avaliação da água, para detectar possíveis impactos da lama à ictiofauna, ou seja, peixes”, afirma a professora da Barão de Mauá Analu Egydio dos Santos.

Segundo a coordenadora do curso de Ciências Biológicas Andrea Cristina Tomazelli, desde a Revolução Industrial que a espécie humana tem interferido drasticamente no meio. Com o desenvolvimento das indústrias começou-se a utilizar combustíveis fósseis em grandes quantidades. A exploração dos recursos minerais aumentou muito em função do desenvolvimento de novas tecnologias e da necessidade de cada vez mais metais e outros recursos naturais. “Desta forma, o homem tem interferido nos ciclos naturais dos ecossistemas, uma vez que retira recursos do meio que não podem ser repostos e devolve para o meio apenas os rejeitos de suas atividades. Dentre os rejeitos, muitos são poluentes e causam danos irreversíveis aos animais, plantas e aos próprios humanos”, diz.

Por mais que no processamento dos minérios os rejeitos fiquem acumulados em barragens construídas para esta finalidade, retendo metais pesados e outras substâncias utilizadas no processo, o seu rompimento causa danos irreversíveis, como alterações em suas funções vitais e muitas vezes a morte. “Assoreamento dos rios pelos rejeitos, alteração no curso dos rios, perda de biodiversidade na mata ciliar que já conhecemos, extinção de organismos e micro-organismos que nem podemos imaginar, o solo em recuperação, o que impede o desenvolvimento de espécies vegetais e aquáticas e os impactos psicológicos aos moradores que se beneficiavam da pesca e dos recursos do rio são alguns dos malefícios causados pelo rompimento da barragem”, destaca Analu.

Outro aspecto que pode ser questionado nesse caso é sobre a eficácia dos instrumentos de licenciamento e gestão e a capacidade técnica profissional para atuar em empreendimentos de risco. Em artigo escrito pelos docentes do curso de Engenharia Ambiental da Barão de Mauá: Dr. Evandro Gaiad Fischer, Dr. André Pioltine e MSc. Sebastião Lázaro Bonadio, os horrores que chegam ao conhecimento público são infinitamente menores do que aqueles vivenciados pela população local. “Não é suficiente apenas seguir as regras legais de licenciamento. Não é correto subestimar os efeitos dos fenômenos físicos, sejam eles naturais ou não. Em Brumadinho, o armazenamento do rejeito pode ser substituído por sistemas mais seguros, o que implica em modificações significativas no parque industrial” e ainda completam. “É preciso ações permanentes eficazes de prevenção e monitoramento, de modo a, evitar ou, pelo menor, reduzir os danos à população e ao meio ambiente, além de investir do trabalho de equipes multidisciplinares”.

Mais uma vez, o Brasil passa por uma situação em que o homem acredita ser o ser mais importante, esquecendo do que os mantém vivos. “É preciso entender que vivemos em um ecossistema em que todos os seres vivos são dependentes uns dos outros. Se destruirmos o ambiente em que vivemos hoje, não sobreviveremos amanhã. Desastres como os ocorridos em Mariana e Brumadinho, nos mostram como nossas tecnologias são frágeis. É preciso que a humanidade reveja sua forma de relação com o ambiente. Ética, respeito e responsabilidade é o mínimo que devemos exigir de nós mesmo e dos outros”, finaliza a coordenadora Andrea.



Galeria

Docentes comentam sobre Brumadinho

Analu Egydio dos Santos

Docentes comentam sobre Brumadinho

Andrea Cristina Tomazelli

Docentes comentam sobre Brumadinho

Evandro Gaiad Fischer, Sebastião Lázaro Bonadio e André Pioltine




Jornalistas:

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