Revista do Centro Universitário Barão de Mauá, v.1, n.2, jul/dez 2001  


TERAPIAS ALTERNATIVAS SOB O OLHAR DOS ALUNOS GRADUANDOS EM ENFERMAGEM*

  Jacqueline Zitti Lemos1
Tarcisio Aparecido Batista2
Tania Aparecida Cancian3


RESUMO: As Terapias Alternativas (T.A) são conhecidas há muitos séculos mas só no final do século passado pudemos observar um contingente grande de pessoas buscando algum tipo de tratamento com T.A. como também um aumento na utilização das mesmas pelos profissionais de saúde. Este trabalho teve por objetivo, investigar as T.A., sob o olhar dos alunos graduandos em enfermagem Os resultados mostraram que a maior parte dos alunos que compõem o estudo já ouviu falar ou leu sobre T.A. e tem interesse em utiliza-las na assistência de enfermagem e desejam a inserção de conteúdos ou de uma disciplina em seu curso. 

UNITERMOS: Terapias Alternativas; Estudantes de Enfermagem.


Introdução

          Nas últimas décadas, com a aproximação do final do milênio, tem estado muito em relevância os termos: holismo, paradigma emergente, visão sistêmica.
          Os termos citados representam o prenúncio de mudanças de velhos conceitos que vem sendo usados para descrever a nossa realidade de mundo no contexto político, sócio cultural e do ser humano.
          No que se refere ao sistema de saúde esses novos conceitos se contrapõem ao sistema biomédico vigente, que mantém, por parte de alguns profissionais, uma assistência ao paciente despersonalizada, técnica e reducionista, e vem trazer uma abordagem mais humanística e orgânica.
          Dentro deste contexto a enfermagem tem se mostrado condizente com esta visão sistêmica e podemos constatar segundo SILVA (1995), que Florence Nightingale já abordava em seu tempo as hoje denominadas "Terapias Alternativas", que atuam na totalidade ser humano meio ambiente, o que foi corroborado posteriormente pelas teorias de Marta Rogers e Myra E. Levine.
          Apesar da enfermagem ter características mais próximas dessa visão holística segundo KOLLER & MACHADO (1992), podemos notar que os profissionais da área hoje tem uma formação predominantemente alopática tendo sua prática baseada no conhecimento de outras áreas, e por desejarem ser reconhecidos pelo conhecimento cientifico, os enfermeiros têm incorporado e reproduzido o modelo biomédico.
          Este modelo biomédico foi o que tivemos oportunidade de vivenciarmos em nossa graduação e observamos em vários momentos uma certa insatisfação e desencanto por parte de alguns profissionais da saúde. E por essas questões acreditamos na necessidade de ir a busca de novos conceitos e propostas para quem sabe diminuir o grau de insatisfação, por uma maior valorização do ser humano.
          Segundo CAPRA (1982c) a enfermagem tem alta qualificação e potencial para prestar assistência dentro de uma abordagem holística e utilizar todo o seu potencial no sistema atual, torna-se muitas vezes difícil.
          Enquanto o modelo biomédico atual reforça o poder do médico e o perpetua como líder da equipe multiprofissional, desvalorizando os outros profissionais, o novo modelo além de melhorar a assistência prestada ao ser humano, promoverá um reconhecimento da importância de todos os profissionais inclusive dos enfermeiros onde os mesmos terão condições de lutar por um espaço maior e para a tão almejada autonomia profissional (KOLLER & MACHADO, 1992).
          Para se conseguir uma mudança efetiva, pensamos que se deve iniciar pela formação dos profissionais graduandos, propondo um ensino mais amplo, pautado também no paradigma emergente redefinindo conceitos e propostas de assistência de enfermagem.
          Diante dessas considerações é propósito do presente estudo verificar os conhecimentos dos alunos de graduação de enfermagem sobre Terapias Alternativas, como os alunos de graduação vêem a viabilidade da utilização das Terapias Alternativas na assistência de enfermagem e como os mesmos vêem a necessidade da inserção de uma disciplina ou conteúdos sobre Terapias Alternativas no curso de graduação em enfermagem.

Revisão da Literatura

          Depois demonstraremos parte dos resultados obtidos em nossa pesquisa.
          Para o desenvolvimento desse trabalho sentimos a necessidade inicialmente de construirmos um pequeno histórico acerca das questões que envolvem as terapias alternativas e o seu ensino, e de buscarmos alguns conhecimentos que julgamos importantes para a contemplação do estudo monográfico.
          Um dos primeiros fatores é esclarecermos acerca do paradigma cartesiano, no qual está enserido o modelo biomédico, que ainda hoje vigora, e o paradigma emergente ou holístico que se contrapõem a este. Sendo assim foi preciso resgatar um pouco da nossa herança científica.
          Segundo Kunh apud BARBOSA (1995), paradigmas "são realizações cientificas universalmente reconhecidas que durante algum tempo fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes". O paradigma facilita a análise da realidade e estabelece o que se pode considerar científico ou não e desaparece quando há conversão de seus adeptos a um novo paradigma.
          De acordo com o autor acima citado, quando ocorre mudança de paradigma o próprio mundo também se transforma. Os cientistas passam a ver o mundo de forma diferente; a realidade certamente será abordada de outra forma.

Paradigma Cartesiano

          De acordo com CAPRA (1982a), a origem do paradigma cartesiano remonta do século XV, pois antes de 1500 a visão do mundo predominante na Europa era orgânica, caracterizada pela relação de interdependência e não de dominação como ocorre na estrutura científica contemporânea. Essa visão de mundo assentava-se em duas autoridades: Aristóteles e a Igreja.
          A partir do século XV com o renascimento e a revolução científica, essa concepção de um universo orgânico, vivo e espiritual foi substituída pela noção de como sendo uma máquina (CAPRA, 1982a).
          De acordo com o autor citado, essa mudança que viria substituir a concepção orgânica da natureza, pela metáfora do mundo como uma máquina foi completada por Descartes e Newton no século XVII.
René Descartes via o universo e a natureza como uma máquina onde não havia propósito, vida e espiritualidade na matéria. Encantado com a revolução científica e com as várias máquinas engenhosas "como que dotadas de vida própria" que estavam sendo inventadas com seus movimentos aparentemente espontâneo, semelhantes ao homem, descartes passou a conceber o organismo humano como análogo a elas (CAPRA, 1982b).
          Com Newton é feita uma síntese da ciência mecanicista de Copérnico, Galileu, e Kepller que de acordo com BRENNAN (1997a), suas leis sustentaram firmemente a idéia do tempo e do espaço absolutos e dos fenômenos físicos rigorosamente causas da natureza e que a matéria era composta por unidades fundamentais indivisíveis chamadas de átomos.
          CAPRA (1982b) nos relata que a imagem do mundo como uma máquina perfeita, que tinha sido introduzido por descartes era então considerada um fato comprovado, e Newton tornou-se o seu símbolo.

Paradigma Emergente

          Segundo os autores CAPRA (1982a); GERBER (1997a) e BRENNAN (1997a), a partir da metade do século XIX com a descoberta dos fenômenos da eletromagnetividade por Michael Faraday, James Clerk Maxwell, o paradigma cartesiano ou mecanicista começa a ser superado, isto se deve ao fato de que estes fenômenos não podiam ser explicados pela física mecanicista de Newton.
          Em 1905 com a publicação da teoria especial da relatividade por Albert Einstein e posteriormente com a teoria quântica por um grupo de físicos e entre eles Einstein, foram novamente feitos em pedaços os conceitos principais da maneira newtoniana de encarar o mundo (BRENNAN, 1997a).
          Segundo GERBER (1997a), com sua equação E = m.c², Einstein postulou que não só é possível converter matéria em energia, mas também converter energia em matéria.
          E ainda segundo o mesmo autor a mudança ocorrida a partir da física do século XX conduziu a ciência à abordagem do mundo e do homem como um todo. A relatividade e a mecânica quântica consideram que o mundo não pode ser analisado em partes que existam separadas e independentes.
          Surge assim o paradigma holístico que, de acordo com TEIXEIRA (1996), emerge de uma crise do paradigma cartesiano - newtoniano que postula a racionalidade e a quantificação como o único meio de chegar ao conhecimento. Esse paradigma trás consigo uma nova visão que deverá ser responsável em dissolver toda espécie de reducionismo.

Holismo e Saúde

          NOGUEIRA (1986) relata que o conceito de saúde holística origina-se do conceito de holismo. Este termo é derivado da palavra holos, que em grego significa o conjunto, a integridade ou a totalidade, e foi utilizado pela primeira vez por Jam Smuts em 1920.
          TEIXEIRA (1996) informa que a abordagem holística em saúde nos trás uma aproximação entre saber popular e saber oficial e os estudos transculturais terão enorme valia na construção de novas formas integrativas de saúde e ainda considera que os modelos místicos e diversas culturas tradicionais precisam ser conhecidos, estudados e integrados ao modelo holístico de saúde que se quer.
          GERBER (1997b) relata que os médicos da velha guarda continuam agarrados as suas velhas concepções mecanicistas a respeito das funções físicas e mentais, e procuram tratar apenas os efeitos secundários da doença excluindo o atributo mais importante da existência humana que é a dimensão espiritual.
          A maioria das pessoas não assume a responsabilidade de conservar a sua própria saúde e acham que cabe aos médicos conserva-la, independente de seus hábitos e estilo de vida. Essas pessoas tendem a adotar uma atitude em ralação aos seus médicos que poderiam ser expressa nas seguintes palavras: "aqui esta o meu corpo, faça os reparos necessários e o devolva as seis da tarde" (GERBER, 1997a).
          Segundo NOGUEIRA (1985), dentro do conceito de saúde holística, um princípio central é de que o indivíduo seja responsável pela sua própria saúde, e que um indício de superação do modelo de saúde biomédico pode ser observado pelo desejo cada vez maior de voltar à natureza ao passado.
          Leigos e profissionais têm se utilizado de recursos naturais e menos invasivos ao corpo humano por tomar consciência do perigo que vem representando o uso indiscriminado de medicamentos industrializados e devido a uma insatisfação dos mesmos quanto ao uso do modelo reducionista, onde o ser humano perde sua individualidade (KOLLER & MACHADO, 1992).

A Enfermagem no Contexto Holístico

          Segundo BARBOSA (1994), há um grande interesse pelas Terapias Alternativas em Saúde, a nível mundial, tanto por parte dos profissionais quanto dos clientes. Em seu trabalho a autora citada acima detectou enfermeiros utilizando as mais variadas Terapias Alternativas em instituições de ensino e de assistência públicas e particulares, sendo que nenhum desses enfermeiros teve a posição radical de considerar que só as Terapias Alternativas resolveriam os problemas de saúde e admitem que a alopatia muitas vezes é necessária. 
          As razões que levaram esses enfermeiros a utilizarem as Terapias Alternativas foram: desejo de trabalhar em um novo paradigma, a preocupação com a melhora da qualidade de vida e de assistência, bem como a crença na resolutividade de Terapias não convencionais (BARBOSA, 1994).
          Em março de 1997, a resolução COFEN-197, estabeleceu e reconheceu as Terapias Alternativas como especialidade e/ou qualificação do profissional de enfermagem (CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COFEN, s.d.).
          Segundo BARBOSA (1994), no Brasil, na década de 80, as terapias Alternativas antes consideradas simplistas e marginalizadas pela classe médica, passa a ser reconhecida oficialmente, sendo inclusive utilizadas pelo serviço público e mais especialmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com grande numero de adeptos.
          Em Goiana, desde 1988, há um hospital integrante do SUS que atende sua clientela exclusivamente através de Terapias Alternativas (Fitoterapia, Homeopatia, Acupuntura). Trata-se do Hospital de Medicina Alternativa - H.M.A. antes denominado Hospital de Terapia Ayrvérdica, atendendo a pessoas que pertence a estrato sócio econômico diferenciado (BARBOSA, 1994).
          De acordo com a mesma autora, o que leva a população a procurar este tipo de assistência além do aspecto econômico do paciente existe também uma crença popular, uma visão de mundo, de organismo e da saúde incompatível com a medicina vigente.
          Segundo PATRICIO & SAUPE (1995), desenvolve-se, desde 1990, no curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina a disciplina Métodos Terapêuticos Alternativos.
          De acordo com os autores acima citados, a presença dessa disciplina no currículo do curso tem garantido ao aluno um espaço onde ele possa entrar em contato com outros paradigmas de saúde, além disso, tem possibilitado reflexões sobre o papel de medicina ocidental no contexto das práticas de saúde, não mais como algo alternativo, mas como um saber mais antigo que o da medicina ocidental.


As Terapias Alternativas

          Segundo ANDREW'S et al. (1998), alternativo, complementar, não convencional, não ortodoxo, não tradicional são termos com significados semelhantes e utilizados pela mídia para diferenciar terapias alternativas de uma terapia convencional.
          A maioria dos profissionais que utiliza essas terapias prefere o termo complementar, pois o mesmo tem uma conotação menos agressiva e dá condições para o profissional utiliza-la em conjunto com terapias convencionais.
          Em se tratando de terapias alternativas é sabido hoje que existem várias tendências nessa área, sendo assim resolvemos escolher para o desenvolvimento do trabalho terapias que utilizam à abordagem energética, por nos chamarem mais atenção. Assim optamos por discorrer sobre algumas das mais conhecidas como: Terapia Floral, Homeopatia, Acupuntura, Toque Terapêutico, Cromoterapia, Musicoterapia.

Florais de Bach

          Foram desenvolvidos pelo médico Inglês Edward Bach na década de 1930 (BONTEMPO, 1994).
          Bach acreditava que havia uma relação entre o estado físico e o emocional ou psicológico onde as emoções negativas poderiam se manifestar fisicamente como dor, doença, ou stress. Pensando nisso, começou a pesquisar agentes naturais que pudessem tratar não só a doença instalada, mas suas causas emocionais (BROWN, 1997).
          De acordo com BONTEMPO (1994), foi através de experiências realizadas consigo mesmo que Bach selecionou os 38 remédios florais, usando a essência vital das flores.
          Os florais são obtidos a partir de um processo que reproduz as gotas de orvalho nas plantas após receberem os primeiros raios solares (BROWN, 1997).
          Destinados a tratar e curar mais estados emocionais do que estados físicos, os florais foram divididos em sete grupos: Tratamento do medo, Tratamento da incerteza, Tratamento da falta de interesse por circunstâncias atuais, Tratamento da solidão, Tratamento da hipersensibilidade às influências e idéias, Tratamento do desespero, Tratamento da ansiedade (KAMINSKI & KATZ, 1998).

Homeopatia

          De acordo com BROWN (1997), a Homeopatia foi desenvolvida pelo médico alemão Samuel Hahnemann por volta de 1795, quando por sua grande desilusão com as práticas médicas da época, buscou outra forma de cura. 
          A palavra homeopatia é derivada da palavra grega HOMOIOS que significa "semelhante", portanto homeopatia significa "semelhante à doença" (BONTEMPO, 1994).
          De acordo com o mesmo autor, após longo tempo de estudos e pesquisas, o Dr. Samuel experimentou técnicas baseadas na teoria de que o semelhante cura o semelhante e desenvolveu esta idéia na prática, passando a experimentar ele mesmo e alguns de seus amigos e familiares, as mais variadas substancias das quais foram observados e anotados todos os efeitos produzidos no organismo, obtendo um retrato do medicamento. Mais tarde deu início ao seu método aplicando aquelas substancias observadas em doentes que apresentavam os mesmos sinais estudados
          A dose usada do medicamento era mínima devido ao perigo do uso de grandes quantidades de plantas tóxicas e venenos, para que assim somente o efeito benéfico aparecesse durante o tratamento, estimulando assim as defesas naturais do organismo, isto hoje em dia chamamos de princípio da imunização (BONTEMPO, 1994).

Acupuntura

          Considerado tratamento tradicional chinês mais antigo, existente desde 3000 a.C. A palavra acupuntura é de origem latina, Acus - agulha, Punctura - punção ou espetadela, significando então penetração com agulha (BROWN, 1997).
          Constitui-se de um conjunto de conhecimentos técnicos, teóricos e empíricos que visa a terapêutica através da restauração do fluxo vital normal do corpo humano, com um certo número de agulhas de metal muito finas que são introduzidas na pele em determinados meridianos, há pelo menos oitocentos pontos onde estes captam a energia proveniente da natureza sol, chamada de Chi ou energia vital e distribuem-na para todo o corpo (GERBER, 1997c).
          Mesmo tendo sido mencionada em manuais de medicina ocidental, como forma de tratamento da dor ciática, a acupuntura só passou a despertar interesse nos Estados Unidos da América após 1972. Ela conquistou maior aceitação dentro da comunidade científica quando pesquisando conseguiram relacionar a analgesia produzida pela introdução das agulhas com a liberação de endorfinas no sistema nervoso central, permitindo assim que a dor fosse aliviada (GERBER, 1997c).

Toque Terapêutico

          É uma visão moderna da técnica de imposição de mãos ou ainda cura psíquica, espiritual. Todos estes, são nomes recebidos ao longo dos séculos e seus registros datam de 1552 a.C. (BROWN, 1997).
          Nesta prática o profissional atua como modulador, um facilitador nas energias vitais do indivíduo e dirige de forma intencional a energia, preenchendo ou repondo aquelas nas quais a energia está debilitada ou ausente (BARBOSA, 1994).
          O toque terapêutico foi introduzido na enfermagem pela Dra. Dolores Krieger, professora de enfermagem na Universidade de Nova Iorque (GERBER, 1997e).
          Os princípios científicos que embasam esta prática são o modelo de assistência de Martha Rogers onde a Dra. Dolores em uma de suas pesquisas detectou que os níveis de hemoglobina em pacientes submetidos ao toque terapêutico aumentaram significativamente (KRIEGER, 1979).

Cromoterapia

          Tratamento terapêutico baseado em cores que podem ajudar a curar moléstias que se apresentam em nosso corpo físico (BONTEMPO, 1994).
          De acordo com o autor citado acima, não podemos falar em cromoterapia sem antes falarmos da energia solar ou da luz solar, pois é ela a base, é através dela que Isaac Newton, físico do século XVIII conseguiu verificar que a luz solar é composta de radiações de ondas de diferentes comprimentos e através de um prisma transparente decompôs o raio solar em sete cores provando assim que as radiações de ondas diferentes são coloridas. Estas ondas são o caminho que a luz percorre. De acordo com o comprimento ou freqüência desta onda é que determinamos se a vibração luminosa é mais rápida ou não, ou seja, quanto menor o comprimento ou freqüência mais rápida será a intensidade dessa vibração e igualmente quanto maior for o tamanho da onda mais lenta será sua intensidade (NUNES, 1997).
          Com a luz acontece a mesma coisa, só que quando a freqüência é muito alta tem-se como resultado uma determinada cor, a medida que esse comprimento de onda diminui, a cor também vai se alterando e quanto mais rápida a freqüência mais suave a cor e quanto mais lenta mais forte (GERBER, 1997d). 
          Com isso podemos entender como as cores surgem e assim como elas se relacionam e influenciam em nosso corpo físico, pois é ao redor dele que existem camadas de energia que vão se sobrepondo da mais densa a mais sutil, comparativamente às cores do arco-íris: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e lilás. Essas são as sete cores existentes na aura humana e elas estão dispostas de acordo com a freqüência, da mais densa e lenta (vermelho) a mais rápida e sutil (lilás), a mais densa (vermelho) estará mais próxima do físico enquanto que a mais sutil (lilás) está mais distante (TORNANDO..., 2000).

Musicoterapia

          Segundo MUSICOTERAPIA (2000), musicoterapia é a utilização da música e/ou de seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia), por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou um grupo, em processo destinado a facilitar e promover a comunicação, relacionamento, aprendizado, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos relevantes a fim de atender às necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais e cognitivas.
          A música como terapia foi aplicada na enfermagem em 1859, por Florence Nightingale, que mencionava seu uso como cuidado à saúde. Com o advento da medicina psicossomática, ela passou a ser utilizada como tratamento nos hospitais gerais (DOBBRO & SILVA, 1999).
          De acordo com SILVA (1995), Nightingale com base em suas observações e na sua própria condição de doente reconheceu o poder das cores e da música, como instrumentos de recuperação. Ela observou que os instrumentos de sopro inclusive a voz humana e os instrumentos de corda capazes de conduzir sons contínuos, em geral trazem efeitos benéficos.

Metodologia

          Esta é uma pesquisa quantitativa não experimental, do tipo Survey descritivo exploratório, com abordagem de análise quantitativa.
          O estudo foi realizado com alunos de 1º, 2º, 3º, 4º anos de graduação em enfermagem, de uma instituição paulista. Fizeram parte, todos os alunos do 1º ao 4º ano que estiveram presentes no dia da aplicação do questionário e que aquiesceram a participar do estudo. 
          Utilizamos como instrumento de coleta de dados um questionário, com perguntas abertas e fechadas, conforme apresentado no Anexo A.
          Os participantes do estudo conheciam os objetivos do trabalho e concordaram em participar do mesmo assinando o termo de consentimento livre e esclarecido.

Resultados e Discussões

          A seguir demonstraremos alguns dos resultados obtidos em nossa pesquisa.
          A Tabela 1 contempla as respostas dos alunos referentes à questão "se os mesmos ouviram falar ou leram sobre Terapias Alternativas".


Tabela 1 Distribuição das respostas dos alunos quanto ao fato de "ouvir falar ou ler sobre terapias alternativas", segundo o ano do curso.


          Como podemos observar com relação ao conhecimento sobre T.A. a maioria, 166 (90,2%) dos alunos conhece sobre T.A. e apenas 18 alunos (9,8%) não conhecem o tema.
A tabela 2 nos mostra a opinião dos alunos quanto ao fato deles perceberem a viabilidade da utilização das Terapias Alternativas na assistência de enfermagem.

Tabela 2 Distribuição das respostas dos alunos sobre a viabilidade da utilização de terapias alternativas na assistência de enfermagem, segundo o ano do curso.

          Podemos analisar que, a maior parte dos 184 alunos que fazem parte da população em estudo vêem a viabilidade da utilização de T.A na assistência de enfermagem, tendo 167 (90,7%) respondido que sim e apenas 11 (6,0%) respondido que não e 6 (3,3%) não responderam.

Tabela 3 Distribuição das respostas dos alunos sobre a inserção de uma disciplina ou conteúdos a respeito de terapias alternativas em sua formação profissional, segundo o ano do curso.

          Como se pode observar, a grande maioria dos alunos de enfermagem vêem a necessidade da inserção de uma disciplina ou conteúdos em sua formação profissional. Dos 184 alunos 173 (94,0%) vêem a necessidade e apenas 10 (5,5%) não. E tendo ainda 1 aluno não respondido.

Considerações Finais

          Com o desenvolvimento deste trabalho foi possível verificar conforme os objetivos propostos que, a maior parte dos 184 alunos graduandos em enfermagem que fizeram parte do nosso estudo possuem algum conhecimento sobre T.A, vêem a viabilidade de sua utilização na assistência de enfermagem A análise dos resultados vem confirmar o crescente aumento do interesse das pessoas pelas terapias alternativas incluindo a área acadêmica. Com tal fato, presumi-se que isto se deve em partes pela insatisfação das pessoas com a medicina tradicional ou ortodoxa que em muitos casos não se mostra eficaz ou não atende as necessidades vigentes do paciente.
          Também gostaríamos de ressaltar que acreditamos na importância de estarmos estudando essas Terapias Alternativas de maneira mais científica e sistematizada.
          Pensamos na necessidade de resgatarmos conhecimentos que já existem há séculos e que os mesmos precisam ser reorganizados, estudados mais profundamente e colocados a disposição dos acadêmicos e assim poderíamos adequar melhor a assistência de enfermagem de acordo com as novas propostas para o novo milênio.          


ABSTRACT: The alternative therapies (A.T.) are known for many centuries, however only in the last decades we can observe a great amount of people looking for some kind of A.T., as well as an increasing in their use by health professionals. This work was developed to investigate A.T. under the point of view of the students. The results have shown that great part of these students have already known about the A.T. They are also interested in the use of A.T. in nursing assistance and they wish the addiction of either related subjects or disciplines in their curse.

KEYWORDS: Alternatives Therapies; Student of Nursing.


ANEXO A

INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

Parte 1: Identificação

Sexo: Idade:
Série: 1º  2º  3º  4º 
Trabalha na área de saúde?     Sim ( )    Não ( )

Parte 2 : Questionário
1. Você já ouviu falar ou leu sobre terapias alternativas? 

3.  Você tem algum interesse em conhecer ou aprofundar sobre o assunto?


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDREWS, M. et al. Nurse's handbook of alternative e complementary therapies, Pennsylvania, Springhouse, 1998. Chap. 1, p. 2-26: Key questions and answers.

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* Parte da monografia apresentada ao Curso de Enfermagem do Centro Universitário Barão de Mauá como requisito para obtenção do grau de Bacharel em enfermagem, 2000.
1Enfermeira graduada no Centro Universitário Barão de Mauá
2Enfermeiro graduado do Centro Universitário Barão de Mauá 
3Docente dos Cursos de Enfermagem, Biomedicina, Farmácia e Fisioterapia do Centro Universitário Barão de Mauá