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CONHECIMENTO DAS PUÉRPERAS SOBRE ALEITAMENTO CRUZADO*
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Ana Carolina de Jesus Vieira1
Débora Fernanda Amaral1
Kamila Jardini Pedrosa1
Sueli Mutsumi Tsukuda Ichisato2 |
RESUMO: Pesquisa do tipo Survey; objetivo geral: estudar entre as puérperas conhecimento e opiniões quanto ao aleitamento cruzado (AC). Objetivos específicos: identificar a concordância com o AC e sua justificativa; o conhecimento sobre os riscos e benefícios do AC e as orientações sobre o AC no pré-natal. Realizado numa maternidade do interior paulista. Aplicada entrevista semi-estruturada. Utilizou-se análise de prosa de André para análise. Todas desconheciam o termo AC; quinze concordaram em amamentar outro bebê. Dezesseis concordaram que seu bebê fosse amamentado por outra mulher. O AC é uma prática cultural e há o desconhecimento quanto ao risco.
UNITERMOS: aleitamento materno, amamentar, leite humano.
Escolhemos este tema, não só por gostarmos de lidar com fatos históricos, mas porque uma de nós passou pela experiência de ter tido ama-de-leite. Tempo em que o aleitamento cruzado (lactação, na qual a criança recebe um leite que não é aquele produzido por sua mãe) não era visto como prática negativa (transmissão de doenças), mas pelo lado de sobrevida da criança.
De acordo com os materiais consultados, que retratavam a realidade européia e brasileira, ama-de-leite era a mulher que amamentava o filho de outras pessoas.
A primeira descrição de ama-de-leite aparece na BÍBLIA (1988), em Êxodo cap.2, versículo 6 a 10, citando que ela era uma mulher que amamentava em troca de um salário.
Na França, no século Xlll, atuava como "parte integrante" da família, fazendo do aleitamento uma fonte de renda, ficando então conhecidas como amas-de-leite mercenárias (BADINTER, 1985).
No Brasil, a ama era uma escrava, chamada ama negra, que praticava o aleitamento mercenário, cujos lucros, ao invés de serem revertidos para si (como acontecia na França), eram convertidos aos seus senhores, pois estes afirmavam que criar amas-de-leite era mais lucrativo que a plantação de café (ALMEIDA, 1999).
Para substituir o senhor da escrava ama-de-leite, é que os Bancos de Leite foram criados, pois eram higiênicos, práticos e de fácil acesso para quem necessitasse (ALMEIDA, 1999).
A doação do leite para o Banco, entre 1943 e 1985, não se baseava, como hoje, na solidariedade feminina, mas no interesse lucrativo em função do volume de leite que vendiam, ou seja, fazendo disso uma profissão (ALMEIDA, 1999).
A partir de 1985, os Bancos de Leite se espalharam e os objetivos passam a incorporar além da coleta do leite, o incentivo a amamentação materna, principalmente nos hospitais, diante dos obstáculos que não permitiam o aleitamento, como a prematuridade (JUSTIFICATIVA, 1998).
DEL CIAMPO & RICCO (1989, 1993) lembram que em populações carentes, do Terceiro Mundo, as mães HIV positivas que amamentam representam benefícios às crianças, uma vez que nestas regiões os números de mortes por desnutrição e doenças infecto-contagiosas são elevados.
No entanto quando se fala em riscos da doação de leite, se pensa na transmissão de doenças através do leite de uma mulher para uma criança que não é seu filho.
Para GOUVÊA et al. (1997), as doenças que impedem a amamentação podem ser várias, como: o abscesso mamário no qual existe uma grande carga bacteriana e a criança não deve ser aleitada na mama comprometida; a tuberculose, onde a mãe em tratamento adequado com uso de máscara e quimioprofilaxia com Isoniazida 10 mg/kg/dia, em duas ou três semanas deixa de transmitir a doença; na hanseníase, embora o M. leprae possa ser excretado pelo leite, o risco de contaminação se dá através de secreções respiratórias e pele. Se a mulher estiver em tratamento, fizer a lavagem das mãos ao lidar com o bebê e utilizar máscara, o aleitamento materno não estará correndo risco; na doença de Chagas apesar de ter um único caso de transmissão do Trypanossoma cruzi registrado, o aleitamento materno deve ser evitado durante a fase aguda (parasitemia) e crônica ( se houver sangramento mamilar).
O vírus da hepatite A pode ser transmitido pelo leite em sua fase aguda, daí então indica-se a gamaglobulina standart ao recém-nascido (0,02-0,04 ml/kg IM). A presença do antígeno da hepatite B no leite materno não oferece aumento do risco na transmissão da infecção ao recém-nascido. A profilaxia e a vacinação devem ser realizadas, com imunoglobulina específica para hepatite B ou imunoglobulina Standart, não contra-indicando a amamentação.
Os filhos de mães soropositivas para os citomegalovírus podem apresentar somente a infecção assintomática, devido à presença de anticorpos maternos no leite. Mesmo assim, o aleitamento deve ser mantido.
Quanto à transmissão do herpes simplex pelo leite materno, há um caso na literatura. A atenção da mãe deve estar voltada para se evitar lesões em mãos, mamas, face. A amamentação é suspensa se houver lesões nos mamilos. Já o DNA Varicela-Zoster pode ser detectado no leite, porém não há relato dessa doença no recém-nascido por essa via. Um recém-nascido de mãe com varicela, cinco dias antes do parto ou três dias após, recebem os anticorpos maternos, portanto, o leite materno poderá ser oferecido.
Os vírus Linfotrópocos T humano tipo l e ll se associam à leucemia de célula T do adulto, linfomas e doenças neurológicas. A via aleitamento materno é a principal forma de transmissão para o HTLV l. Para o HTLV ll pode ser menor, porém necessita mais estudos. Nesses casos, o aleitamento materno está contra-indicado.
O enfoque da nossa pesquisa será dado à aids, pois se sabe que até o momento, o número de mães soropositivas para HIV é altamente desproporcional em relação às outras formas de infecção.
O vírus HIV leva o indivíduo a uma imunosupressão progressiva, ou seja, uma debilidade imunólogica acarretando no aparecimento de infecções oportunistas, neoplasias, demência, caquexia e aids, estágio mais avançado da infecção (MELO, 1999).
Para DEL CIAMPO & RICCO (1989, 1993); MELO (1999) e BRASIL. M.S. (1997), as vias de transmissão do vírus são: sexual, sanguínea (transfusão, uso de seringa e agulha contaminadas, acidentes com pérfuro cortantes contaminados); materno fetal (durante a gravidez, através da placenta; no parto por contato com secreções ou sangue da mãe) e no puerpério, através do leite materno, o qual daremos ênfase em nosso estudo.
Desta forma, o propósito deste trabalho é estudar, entre puérperas, conhecimentos e opiniões quanto ao aleitamento cruzado. Buscando: Identificar, entre puérperas, a concordância com o aleitamento cruzado e sua justificativa; identificar os conhecimentos que as puérperas têm sobre os riscos e benefícios do aleitamento cruzado e identificar as orientações sobre aleitamento cruzado no pré-natal.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo não-experimental tipo descritivo, utilizando para análise métodos quanti-qualitativos, com a predominância do método qualitativo.
Estudo realizado em uma maternidade de um hospital filantrópico de Ribeirão Preto, seguindo as normatizações estabelecidas pela resolução nº 196/96 (BRASIL. M.S., 1996a).
A população foi constituída por puérperas, que estavam internadas nesta maternidade.
O tipo de amostragem foi não-probabilística, a amostra foi acidental e o número de entrevistados foi determinado a partir da saturação dos dados (POLIT & HUNGLER,1995a).
A saturação dos dados qualitativos se deu com 12 entrevistadas. No entanto, por tratar-se de uma pesquisa quanti-qualitativa, optamos por uma representação numérica maior. Para isso, a amostra foi concluída com 17 puérperas, que corresponderam a 11% da média de partos por mês, e para que essas informações fossem representativas, a amostragem deveria ser de pelo menos 10% da média de partos durante um mês
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Para chegarmos nas 17 puérperas, recorremos ao livro de nascimentos deste mesmo hospital e coletamos o número de partos de junho de 1999 a maio de 2000, totalizando doze meses. Assim, obtivemos a média anual (1850 partos) e a mensal (154,16 partos).
Para analisar os dados quantitativos utilizamos um índice de tendência central: a moda (POLIT & HUNGLER, 1995b).
Coletamos os dados usando o método de entrevista semi-estruturada (POLIT & HUNGLER, 1995c).
A entrevista foi gravada mediante uso de gravador. A utilização do mesmo permite que os dados fiquem arquivados nas fitas, podendo ser ouvidos várias vezes facilitando a análise qualitativa (FREITAS et al., 1992).
A análise de prosa de ANDRÉ (1983) foi aplicada para a discussão dos dados qualitativos.
O instrumento de coleta passou por uma validação de conteúdo realizada pelas coordenadoras da monografia.
Foram realizados pré-testes por intermédio de cinco entrevistas gravadas, com posterior transcrição.
Percebemos que o instrumento foi compreendido pelas entrevistadas. Após várias leituras do material transcrito, notamos que a categorização dos dados não foi possível em função do aparecimento de lacunas, pois a inexperiência das entrevistadoras não permitiu aprofundamento nas respostas superficiais dadas pelas entrevistadas, dado relevante citado por FREITAS et al. (1992).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
De acordo com o estado civil, as solteiras apareceram com moda em número de sete. Em seguida temos as casadas em número de seis entrevistadas e por fim as amasiadas em número de quatro puérperas.
Em relação à escolaridade, a moda foi de onze puérperas com primeiro grau incompleto. As puérperas com segundo grau incompleto foram duas e com segundo grau completo totalizaram três puérperas. Somente uma puérpera era analfabeta.
Quanto ao número de filhos, temos a moda de um único filho, representado por sete puérperas.
No que diz respeito à profissão, a moda era do lar, com oito puérperas.
De acordo com a idade não foi calculada a moda devido à variedade das idades obtidas. Em função disso, representamos esses dados na Figura 1 a seguir.
Figura 1 - Distribuição das puérperas de um hospital filantrópico do interior do Estado de São Paulo quanto a idade.
A figura nos mostra a distribuição das puérperas quanto à idade, sendo que o desvio padrão encontrado foi de 7,10.
Após transcrição das entrevistas e leituras exaustivas, emergiram temas e tópicos representados no Quadro 1. Para tanto, utilizamos de conhecimentos intelectuais, pessoais e subjetivos das pesquisadoras.
Quadro 1 - Apresentação dos temas, tópicos e subtópicos emergidos da análise qualitativa baseado em ANDRÉ (1983)
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Temas
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Tópicos
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Subtópicos
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Salvar
vida
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Nutrição;
Saúde
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Instinto
Materno
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Solidariedade
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Exclusividade
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Transmissão
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Concorda
com restrição
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Conhecimento
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Conhecida;
Parente; Doadora saudável
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Medo
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Doença
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Concorda
sem restrição
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Subalimentação
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Solidariedade
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Não
concorda
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Vantagens
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Crescimento/Desenvolvimento
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Alimento;
Manutenção do aleitamento materno
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Vínculo
afetivo
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Não
tem vantagens
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O
meu é melhor; Indiferente
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Desvantagens
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Riscos
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Doença;
Vício; Roubo; Medo do desapego
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Não
tem perigo
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Identificaremos as puérperas do nosso estudo por P1, P2, P3... sucessivamente.
Ao iniciarmos a entrevista questionamos se as puérperas conheciam o termo aleitamento cruzado. Destas, dezessete não conheciam. Segundo DEL CIAMPO & RICCO (1989), aleitamento cruzado é uma prática de lactação, na qual a criança recebe um leite que não é aquele produzido por sua mãe.
Após a orientação acerca da terminologia, perguntamos as puérperas sobre a concordância em amamentar uma criança que não fosse a sua, duas não concordaram e quinze concordaram. Percebemos que essa concordância foi feita sem que refletissem quanto à possibilidade de possuírem alguma doença; portanto, estariam aptas para amamentarem. Desta forma, surgiram inicialmente os temas: salvar vida, instinto materno e solidariedade.
1 Salvar vida
Esse tema despontou, pois as puérperas acreditavam que o aleitamento materno era a melhor forma de nutrir e proporcionar saúde ao seu filho. Surgiram dois tópicos: nutrição e saúde.
1.1 Nutrição
O leite materno é um alimento perfeito, pois contém proteínas, vitaminas, ferro, lactose, água, sais, cálcio e fosfato. É um alimento altamente nutricional que é facilmente digerido sendo ideal para crescimento e desenvolvimento da criança (DEL CIAMPO & RICCO, 1989; KING, 1994 e PORTO, 1998).
As puérperas relataram preocupação, quando ocorria a falta do leite para alimentar a criança e disso desencadear choro.
"...vai deixá com fome, né, aí eu amamentaria..." P 4
"...ela não tinha leite, né, e o filhinho dela chorava, chorava, e eu, que era meu primeiro filho, tinha bastante leite, aí eu fiquei dando pro menininho dela um mês..." P 11.
1.2 Saúde
As crianças que são amamentadas ao peito são menos acometidas de doenças infecciosas, porque o leite materno, desde que a mãe não tenha doença contagiosa, é estéril e contém fatores anti-infecciosos, como leucócitos, anticorpos, fator bífido e lactoferrina. Além disso, favorece o desenvolvimento da fala, dos maxilares, da capacidade intelectual além de serem mais calmas, sorridentes e terem um sono mais tranqüilo (CLARK, 1984; DEL CIAMPO & RICCO, 1989 e KING, 1994).
Talvez a mídia e os profissionais de saúde tenham contribuído para que as mulheres repetissem o discurso.
"...di evitá qui ele pega algum tipo di contaminação por u leite sê muito importante, o leite materno..." P 3
"...é importante pro crescimento, pra saúde do bebê..." P 7
2 Instinto Materno
CLARK (1984), refere que as mulheres que amamentaram seus filhos, sentem-se mais próximas deles. Isso se deve a liberação do hormônio: prolactina, que é responsável pela produção do leite tornando-a mais maternal e a oxitocina, um hormônio que desencadeia a secreção do leite, promovendo um efeito calmante, estimulando apego e segurança à mãe frente à criança.
DEL CIAMPO & RICCO (1989), descrevem que na amamentação há a liberação endógena de beta-endorfina, o que seria mais uma razão farmacologicamente demonstrada que aumenta o prazer materno durante tal prática.
Esse tema surgiu a partir da atitude da mãe, que amamentaria outra criança se ela tivesse leite.
"...dá uma dó de vê nenén choranu, eu amamentaria..." P 4
"...Qui é instinto materno, eu ajudaria sim..." P 5
3 Solidariedade
Para FERREIRA (1999), solidário é definido como alguém que partilha o sofrimento alheio ou se propõe a abrandar, aliviar ou suavizar.
Desta forma, as puérperas ajudam uma a outra com a intenção de colaborar com o próximo.
"...um menininho que a mãe precisava trabalhar...foi mais uma necessidade da mãe do menino que precisava, foi onde eu amamentei ele, eu não pensei nada, só ajudar, ah, só uma maneira de ajudar a outra...só não pensei em nada, nada a respeito, acho que tem que ajudar e pronto..." P9
"...Pra mim plantar minha semente lá em cima, pra quando eu for..." P16
"...Eu acho que não faz mal nenhum, né...a gente ajudar uma outra criança assim como eu fui ajudada uma vez..." P17
As puérperas que não concordaram em amamentar outra criança são a P10 e P14. Surgindo os temas: exclusividade e transmissão.
4 Exclusividade
A puérpera 10 (P10) refere que amamentaria somente o seu filho. Ela afirmou que não tinha uma razão especial para não amamentar, mas acha que não é certo.
"...Então, eu acho que não é certo, sei lá, acho que o peito seria só do meu filho só, não daria pra outro não..." P10
DEL CIAMPO & RICCO (1989), alegam que cada criança deve receber única e exclusivamente o leite de sua mãe, pois o aleitamento cruzado, principalmente em enfermarias de alojamento conjunto, deve ser suprimido visto que algumas mães infectadas podem não apresentar manifestações clínicas ou sorológicas.
5 Transmissão
A puérpera 14 (P14) não concorda com o aleitamento cruzado, pois tem medo, acha que os bebês nascem com muitos problemas e que poderia passar para ela.
"...Não...hoje com essas doençaiadas que estão tendo...A gente vê tantos caso de criança nascendo com problemas..ai, eu teria medo..." P14
FREYRE (1980), relata que no Brasil, século XVlll, o aleitamento poderia ser um meio de transmissão de doença. Nessa época o negro se sifilizou e essa doença teria se originado na casa-grande, pois os senhores contaminavam as negras novas e virgens de doze ou treze anos. No entanto, chegou-se a supor que a ama-de-leite ou mãe negra teria sido contaminada pelo menino que estava amamentando.
Ao perguntamos se a puérpera concordaria que uma outra mulher amamentasse o seu filho. Dezesseis puérperas concordaram e uma não concordou. Quando se trata de seus filhos, estes tomam cuidados redobrados.
Dentre as puérperas que concordaram, emergiram os seguintes temas: concorda com restrição e sem restrição. Onze puérperas concordaram com restrição. Desse tema surgiram dois tópicos: conhecimento e medo.
6 Concorda com restrição
6.1 Conhecimento
Este tópico recebeu este nome, pois segundo FERREIRA (1999, p.529), conhecimento é ter noção, idéia, notícia e informação. Nos relatos das puérperas percebemos estes significados, quando faziam referências ao contato superficial com as mulheres que poderiam amamentar seus filhos. A partir desse tópico, surgiram três subtópicos: conhecida, parente e doadora saudável.
6.1.1 Conhecida
Este subtópico mostra que as puérperas concordariam que outra mulher amamentasse o seu filho se ela fosse uma pessoa do contato da mãe.
Segundo FERREIRA (1999), conhecido pode ser entendido como algo que muitos conhecem, de que se tem noção ou experiência, indivíduo de quem temos conhecimento ou com quem temos ligeiras relações.
"...se eu conhecesse ela, eu num daria prum desconhecido, mas se fosse por uma conhecida, eu daria, deixaria..." P6
"...pode até ser uma vizinha, desde que seja uma pessoa que eu conheça..." P13
6.1.2 Parente
Este subtópico aparece em função das puérperas confiarem em uma parenta, que para FERREIRA (1999), é uma pessoa que em relação à outra pertence à mesma família, quer pelo sangue ou pelo casamento.
"...a minha irmã eu dexo, porque minha irmã eu conheço ela, né, sei de tudo dela, da minha irmã eu dexo..." P4
6.1.3 Doadora saudável
O estado de saúde da outra mãe era fator essencial para que as puérperas concordassem com a amamentação. Esse estado de saúde era: a aparência física, a higiene, seus hábitos.
"...Ah! sabê a pessoa, saber se é uma pessoa limpinha..." P13
"...Concordaria dependendo do jeito dela, se ela não fumasse, bebesse bebida alcoólica..." P17
VINHA & SCOCHI (1989), mostraram que esta situação historicamente, não era diferente, pois no livro " Canones de Medicina" haviam referências sobre as características das amas-de-leite, deveriam ser: firmes de caráter, seguras, saudáveis e calmas.
No Brasil, as negras deviam atender a exigências físicas e morais para trabalhar nas casas-grandes, como serem as melhores escravas, limpas, bonitas e fortes (FREYRE, 1980).
Isto reafirma que a aparência física sempre foi fator limitante para a escolha da ama-de-leite.
6.2 Medo
A partir do momento que as puérperas começaram a relatar sobre a transmissão de doenças através do leite, ficou evidente a questão do medo, que é uma resposta emocional e fisiológica a fontes reconhecidas de perigo, que neste caso é a própria doença.
Dentro desse tópico, surgiu um subtópico: doença.
6.2.1 Doença
Esse subtópico surgiu porque as puérperas embora concordassem que outra amamentasse seu filho, ainda faziam restrição, pois temiam que esta mulher contaminasse seu filho com uma doença.
Conforme GOUVÊA et al. (1997) as doenças que podem ser transmitidas são: tuberculose, hanseníase, bactérias do abcesso mamário, doença de chagas, aids, hepatite A, hepatite B e outras.
"... porque a gente nunca sabe o qui qui, o qui essa mulher...se ela tem algum tipu di doença transmitível, qui si ela bebe, essas coisa assim...se usa drogas, então num confiaria..." P6
"...é porque hoje, com essa doença que tá assolando a humanidade, então a gente ao mesmo tempo tem medo..." P15
7 Concorda sem restrição
Dentre as puérperas que assentiram, cinco puérperas concordaram sem restrição. Desse tema, surgiram dois tópicos: subalimentação e solidariedade.
7.1 Subalimentação
As puérperas concordaram sem restrição porque não desejavam ver seus filhos morrerem de fome em função de não poderem amamentar.
"...Por isso talvez ela taria salvando a minha filha, de alguma forma, ou ou matando a fome dela..." P3
Relatos ocorridos há 100 anos a.C. já demonstravam a preocupação das mães, que não podiam amamentar, em recorrerem a uma alimentação substituta, a ama-de-leite (VINHA & SCOCHI, 1989).
No Brasil, século XVlll, as mães entregavam seus filhos às amas em função de impossibilidade física, pois casavam-se cedo, entre doze e quatorze anos, eram pequenas e tinham um filho após o outro (FREYRE, 1980).
Podemos perceber que esta preocupação é histórica e é uma justificativa plausível, pois segundo PORTO (1998) quando o alimento oferecido está em quantidade insuficiente, o organismo fica mais disponível a adoecer; estas são vítimas da fome, que são impedidos de atingir um bem estar físico e psíquico que uma alimentação adequada poderia proporcionar.
7.2 Solidariedade
As puérperas querem ajudar a uma mãe que por algum motivo não pode amamentar o seu filho, ou por não conseguirem negar ajuda.
"...As vez, purque as vezes ela não pode dar pra filha dela e ela tem vontade de dar e ela tinha muita vontade de dá o leite materno e ela têm, vai disperdiçá?..." P3
"....me ajudá, por que não aceitá a ajuda dela?..." P12
8 Não concorda
Em relação a esta questão, somente uma puérpera não concordou que outra mulher amamentasse sua filha, alegando medo e mesmo quando questionada a sua não possibilidade de não amamentar, ela não hesitou em responder que daria mamadeira.
"...Não, por causa do medo..." P14
Ao interrogarmos as puérperas se receberam orientação sobre aleitamento cruzado no pré-natal, 16 puérperas responderam que não, enquanto que uma puérpera recebeu orientação. Perguntamos: que orientação recebeu? Ela nos respondeu toda a orientação dada por nós no início da entrevista. No entanto no decorrer da entrevista percebemos que se tratava de uma pessoa astuta que não sabia o significado da expressão aleitamento cruzado até o presente momento.
Ao perguntamos se o fato da criança ser amamentada por uma mulher que não fosse sua mãe, trazia vantagens? E perigos? Obtivemos os seguintes resultados: dez puérperas falaram em vantagens, cinco puérperas não viam vantagens e duas mostraram total desconhecimento. Quanto ao perigo, quinze puérperas viam desvantagens, uma acreditava que não tinha perigo e uma não sabia responder.
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9 Vantagens
Dentro do tema vantagens, surgiram os tópicos: crescimento/desenvolvimento e vínculo afetivo.
9.1 Crescimento/Desenvolvimento
Dentro do tópico crescimento e desenvolvimento, surgiram dois subtópicos: alimento e manutenção do aleitamento materno.
9.1.1 Alimento
O leite materno é um alimento que além de nutrir, também fornece gordura, uma importante fonte de energia (KING, 1994).
Para PORTO (1998), sem alimentos em quantidades suficientes, morre-se cedo, porque o organismo não se desenvolve corretamente, não dispõe de resistências para lutar contra as doenças.
Por isso, há a necessidade da criança receber o leite materno para seu crescimento, independente de ser a mãe que esteja amamentando, mas proveniente de um Banco de Leite Humano.
As puérperas compreendiam que independentemente da mãe estar amamentando, o importante era a sobrevivência da criança.
"...Ai, porque ele tá com fome né..." P2
"...aquele leite pra ele, sustenta ele, como se fosse uma mãe mesmo, mata aquela fome dele...".P11
9.1.2 Manutenção do aleitamento materno
Se o leite materno é o melhor alimento, é importante ressaltar que é então a condição única e essencial, para a manutenção da vida (PORTO, 1998).
Daí a importância da criança continuar a ser alimentada com o leite materno.
"...porque vai fazer parte do seu crescimento, de sua vida, desde que ela esteja se alimentando bem..." P15
9.2 Vínculo Afetivo
As mães acreditavam que quando a mulher amamentava outra criança, também transmitia carinho e cuidado como se fosse seu filho.
Para CLARK (1984), enquanto feto, a criança se sente segura e confortável. Após o nascimento, há uma continuidade desses gestos representados pelo aleitamento uma vez que o organismo da mãe e do bebê é destinado a isso.
"...o carinho da mulher pra criança, ela fica amamentanu, cuidando... eu acho que ela cuida como se fosse um filho também, neste momento..." P9
No Brasil, século XVlll, esse vínculo entre ama e criança era reconhecido. Apesar de serem levantadas hipóteses sobre a transmissão de doenças, as amas, acima de tudo, ofereciam muito carinho, ternura e sensibilidade (FREYRE, 1980).
VINHA (1983), descreve que a amamentação materna é antes de tudo uma questão de entendimento entre mãe e filho. Por isso que quando a própria mãe amamenta seu filho, tem a vantagem de se aproximar dele.
10 Não têm vantagens
Dentre as mulheres que não vêem vantagens, aparecem os tópicos: o meu é melhor e indiferente.
10.1 O meu é melhor
Não existe leite melhor ou pior. Até as mães desnutridas, que não estejam em caso grave, produzem um bom leite com valor nutritivo (KING, 1994).
Para KING (1994), existem pequenas variações na composição do leite em função da alimentação da mãe, mas que raramente tem significado.
"...porque o que faz bem é o leite da mãe, não dos outros..." P1
10.2 Indiferente
A puérpera 14 (P14) acredita que não existe diferença entre os leites. No entanto, demonstrou grande mágoa por ter doado e não ter tido o reconhecimento. Relatou que deixava de amamentar seu filho para amamentar a criança que era prematura.
"...Não, não tem nada a ver. A menina que eu amamentei, hoje ela passa e nem olha na minha cara..." P14
11 Desvantagens
Dentro do tema desvantagens, surgiu um tópico: riscos.
11.1 Riscos
As mulheres acreditam que a outra mulher (ama) possa transmitir ao seu filho algum perigo; embora não estivessem certas disso, não aceitariam que outras mulheres amamentassem o seu filho.
Dentro desse tópico, apareceram três subtópicos: doença, vício, roubo e desapego.
11.1.1 Doença
Neste subtópico, as puérperas revelam que as mulheres que vão amamentar seus filhos podem vir a apresentar algum tipo de doença, que poderá ser transmitida pelo leite.
"...se si só fosse uma doença contagiosa...que seja contagiada pelo leite.." P3
"...ai de passá através da amamentação pro nenê algum doença transmitível...ah, qualqué uma que transmití através do leite, com certeza o nenê vai pegá..." P7
BADINTER (1985), relata que no século XVlll, devido as más condições de vida das amas, estas estariam por contaminar os bebês através de seu leite.
No Brasil, século XVlll, acreditava-se que havia a possibilidade de transmissão de doenças, mas do bebê para a ama, uma vez que a sífilis teria sido originada na casa-grande com os senhores, que contaminaram as virgens.
Assim, os bebês contaminados estariam passando a doença para suas amas (FREYRE, 1980).
A portaria n.º 2415 de 12 de dezembro de 1996, revogou a portaria nº 097 de 28 de agosto de 1995. Tal portaria traz que é terminantemente proibida a prática do aleitamento cruzado nos alojamentos conjuntos e pelas amas-de-leite (BRASIL. M.S., 1996b).
Além da comprovação científica de que várias doenças podem ser transmitidas pelo leite, inclusive o vírus HIV, vírus da hepatite A e B, conforme cita GOUVÊA et al. (1997).
11.1.2 Vício
A bebida alcoólica e o fumo são vícios que aparecem como sendo prejudiciais à criança que será amamentada.
Para CLARK (1984), a nicotina é encontrada no leite numa proporção de 0,5 mg para cada litro de leite materno.
DEL CIAMPO & RICCO (1989), revelam que o número de lactantes que fumam é alto. Desta forma sempre ocorre a transferência de nicotina via leite materno, o que pode causar intoxicação, diarréia, cólica e insônia na criança dificultando a eficiência do aleitamento materno.
Os autores citados acima descrevem que o álcool em grande quantidade pode causar uma diminuição ou supressão da lactação.
"...depende do estado de saúde dela, né, qui nem eu te falei, se ela não bebe, não fuma..." P17
11.1.3 Roubo
Este subtópico demonstra o medo que as puérperas têm de que as mães que estão amamentando seus filhos os roubem.
"...acho que não, depende muito né, tem muita mulher hoje, que dá uma de querer ajudá e leva seu filho embora..." P12
Esse medo das puérperas se confirma na teoria do apego demonstrada por THOMPSON (1995, p.119) que relata que o apego é visto como um importante catalisador da confiança do bebê nos responsáveis e para a compreensão de si mesmo.
11.1.4 Medo do desapego
As puérperas mostraram que tem medo de se sentirem rejeitadas pelos filhos, de perderem seu afeto para as mães que os amamentaram.
THOMPSON (1995), relata que os estudos demonstram que bebês que tem mães com apego seguro recebem melhores cuidados por estas serem mais sensíveis, agirem mais positiva e harmoniosamente. Isto vem a responder o medo que essa puérpera sente relacionada ao desapego.
"...ele vai pegá mais afeto pela outra..tem outra coisa, tem criança que mama até um ano, dois anos, ela pode começá a chamá essa mulher de mãe.." P12
"...o perigo é a criança aceitá mais o seio dela do que o meu, né..." P13
12 Não tem perigo
Neste tema a puérpera acredita que não há perigo quando uma mulher amamenta um filho que não é seu.
"...Ah, eu acho que num, você limpou, lavou, fez tudo direitinho, asseado, eu acho que não tem não..." P11
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Partindo do pressuposto que a pesquisa se tratava em saber o conhecimento das puérperas sobre aleitamento cruzado, constatamos que 100% das puérperas entrevistadas desconhecem e não receberam orientação acerca deste tema no pré-natal.
A deficiência dessa informação faz com que as puérperas desconheçam os perigos desta prática e reafirmem a idéia de que amamentar outra criança ou deixar sua criança ser amamentada seja uma forma de salvar sua vida. Provavelmente uma transmissão histórico-cultural recebida, que pudemos constatar através dos temas que emergiram: salvar vida, instinto materno e solidariedade.
Os temas como exclusividade e transmissão de doenças vêm reafirmar o discurso dos higienistas.
Amamentar deixou de ser somente um ato biológico, fato este comprovado por estudiosos, mas quando se fala em aleitamento cruzado percebe-se como a questão biológica é forte, entrando aí a lei da sobrevivência, onde o conhecer é superficial.
A nutrição, saúde, subalimentação, crescimento/desenvolvimento da criança passam a ser uma preocupação para as mães, uma vez que vêem o leite materno como um alimento perfeito, esquecendo-se de que podem existir microrganismos presentes.
Qual seria o motivo da equipe de saúde não abordar o aleitamento cruzado como uma maneira de transmissão de doenças? Seria desconhecimento ou a equipe não vê importância nesse assunto?
Será que toda mulher percebe que o mais importante depois da gestação é a amamentação? Isso é ensinado à mulher, desde tenra idade, como sendo uma responsabilidade? E aquela que é portadora do vírus HIV, como amamentar? É lhe dada a chance de escolher pelo aleitamento natural, via pasteurização de seu leite?
DEL CIAMPO & RICCO (1989) alegam que ao se avaliar crianças filhas de mães sabidamente HIV positivas, deve-se suspender o aleitamento materno, assim como não deve ser oferecido aos Bancos de Leite.
De acordo com BRASIL. M.S. (1996b), o Ministério da Saúde afirma que o leite humano pasteurizado inativa o vírus HIV à temperatura de 62,5ºC durante 30 minutos. Com isso surge a questão: por que oferecer leite artificial à criança, filhos de mães soro-positivas, se os riscos destas crianças contraírem outras doenças é maior devido sua imunodeficiência, se sabemos que o leite humano é rico em imunoglobulinas?
Neste momento, a mulher sofre a pressão de que não deve amamentar, uma imposição contrária àquela recebida durante sua vida. Seu estado psicológico fica abalado, uma vez que tem o vírus HIV, não pode amamentar e não tem condições financeiras. O filho morre por fome, num país que embora seja rico, tem sua desigualdade na distribuição de renda ou morre em decorrência das infecções causadas pelo HIV?
É preciso lembrar que os benefícios proporcionados pelo leite materno superam em muitos os riscos de se contrair a doença, principalmente em populações mais carentes onde a desnutrição protéico-calórica e outras doenças infecciosas assumem grandes proporções. Assim, suprimir o aleitamento materno por causa dos riscos da aids pode trazer grandes prejuízos à maioria da população infantil, uma vez que apesar da aids estar se alastrando, é de fome que as crianças padecem (DEL CIAMPO & RICCO, 1989).
Como proposta, sugerimos que os bancos de leite humano promovam encontros para que haja a discussão sobre a aceitação de tratar o leite de mulheres soropositivas para suas próprias crianças. E que estas mulheres sejam trabalhadas psicologicamente a não oferecerem o seu leite sem antes pasteurizá-los.
Às crianças que não puderem ser amamentadas por suas mães HIV positivas, sejam enquadradas em um programa de aleitamento artificial, com a distribuição de fórmulas lácteas gratuitas e orientação materna para preparo, a fim de que essas crianças não fiquem vulneráveis a desnutrição ou outras doenças infecciosas.
ABSTRACT: This research is a Survey; the general aim is: to study between women postparturition knowledge and opinions from crossed breastfeeding (CB). Specific Objectives: to identify the agreement with CB and her justification; the knowledge about the risks and benefits of CB and the orientations about CB in the prenatal. Accomplished in the maternity of the interior from São Paulo. Applied semi-structured interview. Aplied analysis André's prose for analysis. All ignored the term CB; fifteen agreed breastfeeding another baby. Sixteen agreed that her baby was breastfeeded by other woman. CB is a cultural practice and there is ignorance for the risk.
KEYWORDS: breast-feeding, beastfeed, human milk
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* Parte da monografia apresentada no Curso de Enfermagem do Centro Universitário Barão de Mauá
1Enfermeiras graduadas no Centro Universitário Barão de Mauá
2Docente do Curso de Enfermagem do Centro Universitário Barão de Mauá - Orientadora
* *Anotação de aula da disciplina de Metodologia de Pesquisa ministrada no Centro Universitário Barão de Mauá em 1999, pela Profª Drª Nilza Teresa Rotter Pelá
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