| Elton
Piachoski
Matheus Farizatto
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Segundo o psicólogo
Àderson L. Costa Júnior, professor da
Universidade de Brasília, durante o tratamento
da doença o comportamento do paciente influencia
de forma significante em seus resultados. A situação
psicológica da pessoa colabora com fatores como:
dificuldades na cooperação com o tratamento,
aumentando a sensação de dor e gerando
maior desconforto, e o aumento do medo e da resistência
em situações típicas do tratamento
como interna-ções.
Há uma área na medicina que se especializou
nesse elo entre as vantagens da psicologia aplicada
com o estudo do câncer, a psiconcologia, a qual
apresenta altos índices de cura sobre pacientes
que tiveram câncer e que foram tratados com acompanhamento
psicológico.
Entre adultos já existe uma concordância
entre o meio científico de que pessoas com dificuldade
de expressão de sentimentos negativos, como raiva
e mágoa, e com tendência a reagir com passividade
diante de situações estressantes, ou críticas
da vida, teriam dificuldade maior em ter um bom desempenho
durante o tratamento da doença.
Auto-estima
A professora Helda Piachoski, 49 anos, conta como foi
quando ficou sabendo que estava com câncer de
mama. “No começo não dei muita bola
porque o médico estava chorando com pena de mim,
mas conversando fui sentindo o peso, em que relevei
e só comecei a pensar e me preocupar com meus
filhos porque eram muito pequenos”. Depois de
dois anos, curada, Helda descobriu estar com câncer
no pulmão e hoje faz tratamento na cidade de
Barretos. “Hoje, vou que vou. Gosto de dançar,
por exemplo, e minha paixão é festa. Sorrir
nem se fala, conversar, cantar, e tudo de bem com a
vida. Eu sou normal”, desabafa.
A dona de casa Zélia Alves Ferreira, 70 anos,
teve câncer duas vezes nas mamas. “Minhas
filhas se apavoraram mais que eu. Encarei da melhor
forma, se tinha que fazer a cirurgia para retirada da
mama, que fosse feita. Na segunda vez o médico
disse que estava mais complicado, mas pensei que como
não havia outro jeito, faria a cirurgia e, logo,
tudo teria terminado de novo”.
Resultado
O índice de reabilitações ao câncer,
principalmente entre crianças, tem contribuído
para tornar o acompanha-mento psicológico do
paciente, em todas as etapas da doença, um elemento
de assistência indispensável. A psicóloga
Marina Meles, com experiência na área da
saúde em acompanhamento de pacientes com câncer,
explica que a forma de aceitar e compreender a doença
ajuda o paciente a superar diversos períodos
durante o tratamento. “Não se espera que
o enfrentamento da doença seja fácil.
Momentos de desânimo e pessimismo são esperados,
já que quem enfrenta o câncer passa por
eventos bastante desgastantes, como, por exemplo, os
efeitos colaterais decorrentes da quimioterapia”.
“Segundo algumas pesquisas realizadas na área
de psiconcologia, há evidências de que
os resultados do tratamento a que o paciente é
submetido são relacionados à resposta
psicológica deste ao câncer”, pontua
a psicóloga.
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