| Leonardo
Marques Bernardes Corrêa
Marina Souza Carneiro
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Coordenar ações
e construir a imagem de candidatos a cargos políticos.
Essas são as principais funções
do marketing político, que a cada eleição
tem papel fundamental nas vitórias de partidos
e candidatos. Os “marqueteiros”, como são
conhecidos, atuam baseados em ideologias partidárias
dos clientes, ajudando-os na construção
de sua imagem pública, cabendo também
a responsabilidade de planejar, acertar o discurso e
cuidar da propaganda nos meios de comunicação.
Feito de maneira adequada, o marketing político
é peça indispensável no sucesso
de um processo eleitoral.
Com o fim da ditadura nos anos 80 e a realização
de eleições diretas, o marketing político
começou a desenvolver-se profissionalmente no
país. Pesquisadores tentam reunir indícios
que apontem, com exatidão, a realização
da primeira campanha de marketing para fins políticos
no Brasil. Sabe-se que essa atividade não é
nova, tornando-se amplo o campo de estudo para profissionais
e acadêmicos de comunicação social,
que queiram aprofundar-se no assunto.
Mais que propostas políticas, antes utilizadas
como principal instrumento de campanha, agora o cérebro
de uma campanha passou a ser o setor de marketing político,
o qual é uma técnica que substitui todos
os demais métodos político-eleitorais,
pois o principal fator é a imagem construída
no processo eleitoral. Os meios midiáticos, principalmente
a TV, exercem grande poder de influência sobre
a sociedade, gerando convencimento, de forma mais abrangente,
de seu eleitorado.
Construção
da Imagem
Segundo o doutor em Comunicação Social,
Adolpho F. Queiroz, especialista em marketing político,
o processo de construção da imagem de
um político é lento, gradual e constante.
“Se vocês imaginarem figuras públicas
como Paulo Maluf e Lula, muito conhecidos, é
bom lembrar de quantas eleições cada um
deles participou nos últimos 40 anos. Por exemplo,
Lula foi três vezes presidente do sindicato dos
Metalúrgicos do ABC; depois, foi candidato a
Governador de São Paulo, a deputado Federal e,
na seqüência, concorreu cinco vezes à
presidência da República, ou seja, ele
está disputando eleições desde
os anos 70. A imagem pública, portanto, é
construída ano após ano, eleição
após eleição e vai ficando gravada
na memória e no imaginário da população”,
explica.
De acordo com Queiroz, embora o episódio Marcos
Valério tenha aumentado a desconfiança
na área, o certo é que o Marketing Político
é fundamental para a realização
das campanhas políticas em qualquer nível.
Mesmo que os políticos dêem pouca atenção
a esta área e só procurem profissionais
nas vésperas de uma eleição, cada
vez mais os candidatos sentem necessidade de ajuda profissional
para assessorias de imprensa, de publicidade, de relações
públicas, de TV e rádio em suas ações
para conquistar o eleitorado. A comunicação
bem feita encurta o caminho entre o candidato e a sociedade.
Marketing Político
X Propaganda Política Ideológica
Para a Mestra em Propaganda Ideológica, Bruna
Vieira Guimarães, rumores de marketing político
foram utilizados por Marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892)
nas primeiras eleições para presidente
no Brasil. Nos anos de 1888 a 1891 (abolição
da escravatura, Proclamação da República
e primeira eleição presidenciável
no Brasil) não existia “Marketing Político”,
mas uma “Propaganda Política Ideológica”.
“Na época de Deodoro não existiam
todos esses aparatos que temos hoje em dia, só
tinham veículos de comunicação
impressos – jornais e revistas, além de
cartazes, comícios, reuniões. Durante
o período que antecedeu a Proclamação
da República, os 'propagandistas' (grupo de intelectuais
que defendiam princípios republicanos) faziam
comícios, publicavam textos ideológicos
em jornais/revistas e organizavam reuniões em
clubes militares e republicanos, que eram uma espécie
de comitês políticos de hoje”, conclui
Bruna.
A jornalista conta que, no período que antecedeu
a eleição de Deodoro da Fonseca, foram
divulgados manifestos de apoio e repúdio à
sua candidatura. Também publicavam textos ideológicos,
não se tratava de textos pedindo votos, mas as
declarações dos políticos que,
durante as sessões do congresso, faziam questão
de mostrar se eram a favor ou contra Deodoro. Com isso,
o recurso de “propaganda política ideológica”
mais usado pelo Marechal, segundo a especialista, foi
o silêncio, a discrição, o “não
aparecer” para evitar polêmica.
Já na democracia moderna, o sistema político
está assegurado pela mídia, de acordo
com a doutora em Comunicação Social, Nahara
Cristine Makovics. “A televisão, norteada
pelo Marketing Político, apresenta-se, cada vez
mais, como o meio de comunicação mais
relevante nas disputas eleitorais, pois seu peso na
construção da imagem do candidato, na
difusão da simbologia e na decisão emocional
do voto é muito grande”, ressalta.
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