| André
R. Marcolino
Priscilla A. Fernandes
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O Second Life, expressão
em inglês para segunda vida, é um simulador
da vida real, num mundo virtual, onde os limites de
interação superam a criatividade. Nele,
além de interagir com pessoas de todo o mundo
em tempo real, é possível também
criar seus próprios objetos, negócios
e personagens.
O mundo virtual já tem quase 5 milhões
e meio de habitantes e movimentam mais de um milhão
e seiscentos mil dólares por dia. O Second Life
possui sua própria moeda, o Linden Dollar - L$,
já existe um mercado em que pessoas compram créditos
no jogo, pagando com dinheiro de verdade, afirma o cineasta
e idealizador do programa em Ribeirão Preto,
Rubiano Oliveira.
E como nada na vida é perfeito, o uso excessivo
do programa Second Life, pode ocasionar problemas de
comportamentos nos usuários, o vício.
O ambiente pode dar mais segurança para as pessoas
se soltarem, é uma forma delas realizarem o que
não conseguem em seu cotidiano e se afastarem
completamente dos relacionamentos reais.
Ribeirão
virtual
A internauta Jéssica Achcar criou a sua personagem
à sua própria imagem, cabelo moreno e
longo, óculos, só mudou a idade. A estudante
tem 19 anos, a personagem 25. A morena virtual adora
freqüentar boates, a morena verdadeira não
revela quanto, mas diz que já gastou dinheiro
real com a brincadeira, “Tem um dinheiro virtual
que chama Linden, para você ter, você tem
que comprar com dinheiro de verdade, cartão de
crédito, dá para comprar desde sapato,
roupa para o personagem, até mudar o corpo físico”.
Os cenários de Second Life são baseados
em uma típica ilha tropical, cercada por centenas
de ilhotas. Mas não se preocupe com distâncias,
neste mundo você pode voar e se transportar, durante
o jogo. Há dois mapas disponíveis para
ajudá-lo em sua localização, um
minimapa que representa a região onde você
está e outro onde você visualiza o mundo
por completo.
O cineasta ribeirão-pretano Rubiano Natanael
Oliveira percebeu esse potencial e decidiu investir
no jogo. Voando, os moradores virtuais visitam vários
países em poucos minutos e, desde março,
podem viver também em Ribeirão Preto.
A cidade virtual pretende atrair boa parte dos mais
de 250 mil brasileiros que se aventuram pelo Second
Life, número que coloca o Brasil na quarta colocação
em quantidade de usuários.
A festa de inauguração reuniu centenas
de internautas, uma central de ajuda a novos usuários
também foi montada na cidade, tudo isso para
atrair mais pessoas e, conseqüentemente, anunciantes.
"Nossa idéia é usar propagandas na
Ribeirão Virtual. Se fecharmos um acordo com
determinada empresa, vamos construir uma sede idêntica
à real para que milhares de pessoas, todos os
dias, possam ver", explicou Oliveira, cuja empresa
de design em 3D é uma das pioneiras a mexer com
o Second Life no Brasil e já planeja construir
outras cidades, como Curitiba e Porto Alegre. "É
como se fosse um site comum, com um banner comum. Mas
a diferença é gritante."
Abalos virtuais
Jogar Second Life é como viver em outra vida,
porém virtualmente. A liberdade que o jogo lhe
dá é incrível, permitindo que você
trace uma vida paralela à vida real, concretizando
e realizando seus planos até então impossíveis
de serem atingidos na vida cotidiana. Segundo a socióloga
Cláudia Regina Benedetti, o ambiente criado pelo
jogo pode dar mais segurança para as pessoas
se soltarem, como nos relacionamentos amorosos porque
muitas são tímidas e é uma forma
de elas realizarem o que não conseguem em seu
cotidiano e se afastarem completamente dos relaciona-mentos
reais. “Esse é um ambiente mais seguro,
pois sou um sujeito anônimo (ou um fake) que posso
dizer o que quiser (em teoria), posso jogar sem perder
dinheiro de verdade, posso tentar namorar sem levar
um fora real, ter relações sexuais, sem
correr o risco de pegar DSTs. Estou protegido pela tela
do computador e sou livre sem correr os riscos que a
liberdade pressupõe. Isso gera também,
acredito, sujeitos mais irresponsáveis, tanto
pela sua fala quanto por suas atitudes.”
Tiago Parisi, 28 anos, é produtor digital, ele
gasta duas horas do seu dia com personagem virtual,
o “Tidobê”. "Tidobê é
um pseudônimo porque eu moro no Deubox no setor
B, e o pessoal me chama de Tiago do B".
Tidobê é cineasta, tem 35 anos, sete a
mais que o estudante e um grande conquistador, como
confessa Parisi. Os usuários podem entrar em
festas abertas ou pagar por eventos fechados. “As
conversas acontecem pelo chat, se a pessoa gostar, podemos
beijar e outras coisas mais, através de animações",
disse Tiago.
Para Cláudia, o uso inadequado do programa pode
trazer problemas de comportamento nos usuários,
que passam horas em frente ao computador e acabam se
isolando do mundo real. “Esse programa pode, na
verdade, agravar problemas comportamentais que já
existam (no caso de um adulto) e criar um novo tipo
de relação com o outro que, obviamente,
terá como resultado um afastamento físico
entre as pessoas (pensando em jovens e crianças)”,
finaliza.
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