Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Diversos auxílios são disponibilizados
aos alunos do Barão

Expediente

COMPORTAMENTO

Jovens ignoram prejuízos causados pelo cigarro

Invisibilidade social: preconceito que gera discriminação

Limites dos desentendimentos amorosos

POLÍTICA

Marketing Político, a arte de moldar um candidato

Adiamento de Projeto sobre Aqüífero Guarani
atrasa atualização do Plano Diretor

GERAÇÃO MULTIMÍDIA

Até que ponto o conteúdo da internet influencia o comportamento dos jovens

Mundo virtual tira o sono de universitários

Passeios, festas e encontros agitam mundo virtual

Lan Houses registram maior freqüência de universitários

SAÚDE

Na busca por um corpo perfeito,
jovens investem em remédios

Comportamento de paciente influencia no tratamento ao câncer

CULTURA

Festival Tanabata se prepara para
ter maior participação dos jovens

Sensibilidade sintetiza a definição de arte

COTIDIANO

Cobrança sexual: a principal causa do desprazer

Circuito Universitário de Truco abre sua temporada em Campinas

ESPORTE

Tênis de Ribeirão Preto e região ganha incentivo

Irmãos ribeirão-pretanos vão para o Pan

GERAÇÃO MULTIMÍDIA

Mundo virtual tira o sono de universitários

Internet demais antes de dormir prejudica a capacidade de memorização e absorção do conhecimento

Sono noturno prejudicado causa desatenção em aulas
Foto: Paulo Verri Filho

Paulo Verri Filho
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É comum entre os universitários encontrar casos de alunos que acordam cedo e dormem tarde, após enfrentar uma longa jornada de trabalho e estudo. Quem não conhece um colega que precisa levantar da cama às 6 ou 7 horas, entrar no trabalho às 8, e só voltar para casa após as aulas noturnas da faculdade – já próximo da meia-noite? Após um dia desses, muitos estudantes, ao invés de irem dormir, optam por navegar na internet e bater papo no MSN. Porém, para alguns especialistas, essa atitude pode afetar a qualidade do sono e causar problemas. Segundo a pesquisa de mestrado da psicóloga Gema Galgani de Mesquita Duarte, os jovens ficam mais suscetíveis a alterações no humor, diminuem a atenção e também a capacidade de memorização e absorção do conhecimento. "A interatividade e a luz do computador retardam o hormônio do sono, a melatonina. Desta forma, o usuário perde a melhor fase do sono, já que a qualidade da soneca não é a mesma na parte da manhã", informa a pesquisadora.
As causas que motivam essa intensa utilização da internet e as incorporam ao cotidiano de tantos jovens são explicadas pela psicóloga Fabiana Tavolaro Maiorino. Para ela, o que o mundo virtual oferece de tão interessante, a ponto de fazer pessoas deixarem de dormir, está relacionado ao contexto social e cultural. Fabiana explica que os jovens, muitas vezes, não conseguem vivenciar, no cotidiano, relações satisfatórias, sociáveis, saudáveis, compensatórias e, pela internet, descobrem um modo de interação que lhes pode dar tudo isso com mais intensidade.

Estou com sono, professor
Essa situação parece não ser incomum entre os estudantes do Barão de Mauá. A assistente social do NAI – Núcleo de Apoio Institucional, Kátia Alessandra Cocio, relata que, nas entrevistas que realiza com estudantes, é comum encontrar reclamações de sono. Ela destaca o caso de um aluno que prejudicou sua vida acadêmica. “Nas entrevistas socioeducativas, a gente diagnostica esse tipo de problema: houve um aluno que disse não estar dormindo, por ficar muito tempo na Internet, passar a madrugada toda, e isso era prejudicial a ele”.
Segundo Katia, há também professores que observam desinteresse de alunos em sala de aula. “O professor me informa que o rendimento caiu, há 'abrição' de boca e, às vezes, até se debruçam na própria carteira”.
Os hábitos de utilização diária, melhor dizendo noturna, de Internet de Tiago Lourenço, 23, e Leonildo Trombella Junior, 24, ambos universitários, exemplificam o problema. “Chego da faculdade e começo a usar a internet lá pelas 11h30, por volta da 1 h ou 1h30 eu paro”, relata Tiago. Ele trabalha numa empresa de “telemarketing”, onde entra às 9h30 e precisa levantar às 7 da manhã. Como muitos alunos, ele trabalha durante o dia e é um dos que preferem trocar tempo real de sono pelo mundo virtual da Internet – com direito a inúmeras opções oferecidas no ciberespaço para estudo e relacionamento. “Uso Internet para pesquisar, bater papo no MSN, entrar no Orkut”, diz o estudante.
Já para Leonildo, essa mesma opção causa problemas e prejudica sua qualidade de vida. “(...) Mudei meu relógio biológico, durmo à 1h30, 2 h da madrugada e acordo às 7. À tarde me dá um sono e durmo em partes”. Ele navega na Internet há dez anos, época em que havia a necessidade de acessar a rede no período noturno, devido ao alto preço da conexão discada. Com isso, Leonildo desenvolveu o costume de ficar na frente do computador até de madrugada, a ponto de, atualmente, trocar o dia pela noite. Com isso, ele confessa que enfrenta dificuldades de memorização na sala de aula e até arrisca um diagnóstico: “Costumo esquecer uns negócios, sou quase disléxico”.

Internet para toda família
Para estudiosos do assunto, seria uma simplifica-ção de análise, alegar que a Internet - por si só pode viciar as pessoas - como ocorre com certas drogas. Para a psicóloga Fabiana Maiorino, o usuário tanto pode potencializar uma relação doentia, muitas vezes se afastando da realidade, como também pode adquirir uma outra percepção do mundo e evoluir como pessoa.
A Microsoft divulga no seu site sugestões para as famílias utilizarem a rede mundial de computadores. Para a empresa de Bill Gates, o ideal é se criar um código de conduta familiar, um contrato que deve ser analisado e assinado por toda a família. Em seguida, a criadora do MSN, aconselha as pessoas a anexarem o contrato ao lado de cada computador da casa para lembrar a todos quais são as regras familiares de uso da Internet.