| Paulo
Verri Filho
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É comum entre os
universitários encontrar casos de alunos que
acordam cedo e dormem tarde, após enfrentar uma
longa jornada de trabalho e estudo. Quem não
conhece um colega que precisa levantar da cama às
6 ou 7 horas, entrar no trabalho às 8, e só
voltar para casa após as aulas noturnas da faculdade
– já próximo da meia-noite? Após
um dia desses, muitos estudantes, ao invés de
irem dormir, optam por navegar na internet e bater papo
no MSN. Porém, para alguns especialistas, essa
atitude pode afetar a qualidade do sono e causar problemas.
Segundo a pesquisa de mestrado da psicóloga Gema
Galgani de Mesquita Duarte, os jovens ficam mais suscetíveis
a alterações no humor, diminuem a atenção
e também a capacidade de memorização
e absorção do conhecimento. "A interatividade
e a luz do computador retardam o hormônio do sono,
a melatonina. Desta forma, o usuário perde a
melhor fase do sono, já que a qualidade da soneca
não é a mesma na parte da manhã",
informa a pesquisadora.
As causas que motivam essa intensa utilização
da internet e as incorporam ao cotidiano de tantos jovens
são explicadas pela psicóloga Fabiana
Tavolaro Maiorino. Para ela, o que o mundo virtual oferece
de tão interessante, a ponto de fazer pessoas
deixarem de dormir, está relacionado ao contexto
social e cultural. Fabiana explica que os jovens, muitas
vezes, não conseguem vivenciar, no cotidiano,
relações satisfatórias, sociáveis,
saudáveis, compensatórias e, pela internet,
descobrem um modo de interação que lhes
pode dar tudo isso com mais intensidade.
Estou com sono,
professor
Essa situação parece não ser incomum
entre os estudantes do Barão de Mauá.
A assistente social do NAI – Núcleo de
Apoio Institucional, Kátia Alessandra Cocio,
relata que, nas entrevistas que realiza com estudantes,
é comum encontrar reclamações de
sono. Ela destaca o caso de um aluno que prejudicou
sua vida acadêmica. “Nas entrevistas socioeducativas,
a gente diagnostica esse tipo de problema: houve um
aluno que disse não estar dormindo, por ficar
muito tempo na Internet, passar a madrugada toda, e
isso era prejudicial a ele”.
Segundo Katia, há também professores que
observam desinteresse de alunos em sala de aula. “O
professor me informa que o rendimento caiu, há
'abrição' de boca e, às vezes,
até se debruçam na própria carteira”.
Os hábitos de utilização diária,
melhor dizendo noturna, de Internet de Tiago Lourenço,
23, e Leonildo Trombella Junior, 24, ambos universitários,
exemplificam o problema. “Chego da faculdade e
começo a usar a internet lá pelas 11h30,
por volta da 1 h ou 1h30 eu paro”, relata Tiago.
Ele trabalha numa empresa de “telemarketing”,
onde entra às 9h30 e precisa levantar às
7 da manhã. Como muitos alunos, ele trabalha
durante o dia e é um dos que preferem trocar
tempo real de sono pelo mundo virtual da Internet –
com direito a inúmeras opções oferecidas
no ciberespaço para estudo e relacionamento.
“Uso Internet para pesquisar, bater papo no MSN,
entrar no Orkut”, diz o estudante.
Já para Leonildo, essa mesma opção
causa problemas e prejudica sua qualidade de vida. “(...)
Mudei meu relógio biológico, durmo à
1h30, 2 h da madrugada e acordo às 7. À
tarde me dá um sono e durmo em partes”.
Ele navega na Internet há dez anos, época
em que havia a necessidade de acessar a rede no período
noturno, devido ao alto preço da conexão
discada. Com isso, Leonildo desenvolveu o costume de
ficar na frente do computador até de madrugada,
a ponto de, atualmente, trocar o dia pela noite. Com
isso, ele confessa que enfrenta dificuldades de memorização
na sala de aula e até arrisca um diagnóstico:
“Costumo esquecer uns negócios, sou quase
disléxico”.
Internet para toda
família
Para estudiosos do assunto, seria uma simplifica-ção
de análise, alegar que a Internet - por si só
pode viciar as pessoas - como ocorre com certas drogas.
Para a psicóloga Fabiana Maiorino, o usuário
tanto pode potencializar uma relação doentia,
muitas vezes se afastando da realidade, como também
pode adquirir uma outra percepção do mundo
e evoluir como pessoa.
A Microsoft divulga no seu site sugestões para
as famílias utilizarem a rede mundial de computadores.
Para a empresa de Bill Gates, o ideal é se criar
um código de conduta familiar, um contrato que
deve ser analisado e assinado por toda a família.
Em seguida, a criadora do MSN, aconselha as pessoas
a anexarem o contrato ao lado de cada computador da
casa para lembrar a todos quais são as regras
familiares de uso da Internet.
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