| Aline
Sandoval
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O Brasil é o segundo
país que mais pratica sexo no mundo, a média
é de três vezes por semana, que o coloca
atrás apenas da Grécia, segundo a Pesquisa
Global de Satisfação Sexual, realizada
pela internet com 26 mil pessoas, previamente cadastradas,
em 26 países diferentes. A Pesquisa foi organizada
pela Durex, marca de preservativos com sede no Reino
Unido, e, por ela, comprovou-se que o brasileiro se
preocupa com quantidade e que o prazer não é
desfrutado na maior parte das vezes.
A ginecologista, obstetra e terapeuta sexual, Annelise
Ruiz, comenta que a maior parte das pessoas acham que
ter prazer é atingir o orgasmo. Os jovens, principalmente
universitários, são impulsionados por
amigos e namorados (as) a fazerem sexo.
A universitária Juliana (codinome), 23 anos,
diz que não tem problema com seus parceiros atuais,
mas revela que perdeu a virgindade aos 16 a pedido do
namorado, “eu já namorava fazia um ano
e com medo de perdê-lo resolvi transar”,
afirma Juliana.
“O jovem vê a mídia falar de sexo,
a indústria do orgasmo, só lê reportagens
sobre isso, como se o ato sexual fosse obrigatoriamente
de ser acompanhado pelo orgasmo. Orgasmo não
significa prazer, é prazer, mas não a
única maneira de ter prazer através de
uma relação sexual. A gente precisa saber
diferenciar isso, porque parece que agora virou o único
objetivo de uma relação sexual, você
acaba esquecendo da relação em si. A única
busca é o orgasmo, então isso acaba exigindo
muito dos homens e muito das mulheres”, critica
a ginecologista.
Segundo o universitário Fernando (codinome),
de 21 anos, ele sempre chega ao orgasmo e tenta fazer
a parceira também chegar, mas diz que fica em
dúvida porque muitas mulheres mentem. A terapeuta
sexual explica que essa pressão de ter que proporcionar
prazer e de estar sempre pronto são fatores de
preocupação masculina, que afetam na qualidade
do sexo.
Uma alternativa encontrada pela terapeuta para o desprazer
sexual é a intimidade entre os parceiros, quanto
mais conversarem, se conhecerem e terem a liberdade
de falar o que sentem – principalmente para a
mulher, que em algumas posições sente
dor – melhor será o aproveitamento do ato
sexual.
Fator perturbador é a falta de visitas ao médico
periodicamente e, quando as mulheres vão, não
têm coragem de conversar sobre problemas de desconforto
e falta de tesão com o ginecologista, comenta
a terapeuta. Essas dúvidas normalmente ocorrem
justamente por falta de conhecimento.
“Hoje falta informação correta.
Os pais, com medo de que os filhos entrem na vida sexual
muito cedo, bloqueiam as informações a
respeito. Quando se fala em educação sexual
nas escolas, na grande maioria das vezes, resume-se
em como usar camisinha e não engravidar, tomando
anticoncepcional, quando se fala disso”, expõe
a terapeuta sobre a necessidade de trabalhar este assunto
desde cedo no diálogo familiar. Como solução,
Annelise sugere conversar, “uma conversa boa,
um diálogo bom, não o proibir. O informar,
que está faltando, tanto da parte da família
quanto da escola, informar direito”.
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