| Mateus
de Lucca Constantino
Vivian Fernanda Garcia da Costa
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A invisibilidade social
é um conceito aplicado a seres socialmente invisíveis,
seja pela indiferença ou pelo preconceito. No
livro “Homens invisíveis: relatos de uma
humilhação social”, o psicólogo
Fernando Braga da Costa conseguiu comprovar a existência
da invisibilidade pública, por meio de uma mudança
de sua personalidade. Costa vestiu um uniforme e trabalhou
oito anos como gari na Universidade de São Paulo.
Segundo ele, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais
são “seres invisíveis, sem nome”.
Há vários fatores que podem contribuir
para que essa invisibilidade ocorra: sociais, culturais,
econômicos e estéticos.
De acordo com psicólogo Samuel Gachet, a invisibilidade
pode levar a processos depressivos, de abandono e de
aceitação da condição de
“ninguém”, mas também pode
levar à mobilização e à
organização da minoria discriminada.
Massa invisível
Um dos principais causadores da invisibilidade é
a questão econômica. “O sistema capitalista
sobrevive sob a lei do mais-valia, na qual para que
um ganhe é imedia-tamente necessário que
outro perca. Desse modo, a população de
baixa renda é vista como um vasto mercado consumidor,
e essa é sua única forma de visibilidade”,
explica Gachet.
Para a universitária Sabrina Ribeiro Rodrigues,
a invisibilidade não é provocada só
pelo fator econômico. “A educação
familiar é determinante para a maneira como as
pessoas tratam o outro”, completa.
A bibliotecária Marlene Araújo acrescenta
ainda que existe preconceito com as pessoas que não
estão adequadas aos padrões de beleza.
“Se fosse loira, alta e de olhos claros, com certeza
me tratariam de outra maneira”, ressalta.
“Para mim, o fator econômico não
é o principal causador da invisibilidade social,
e sim o status que adquirimos diante da sociedade. Se
um professor de uma faculdade particular, aqui do Brasil,
estiver em uma faculdade renomada, como a de Harvard,
também se sentirá invisível”,
explica a universitária Vanessa Evangelista.
Segundo Gachet, o preconceito que gera invisibilidade
se estende a tudo o que está fora dos padrões
de vida das classes hierarquicamente superiores. Muitos
são os indivíduos que sofrem com a invisibilidade
social, como por exemplo, profissionais do sexo, pedintes,
usuários de drogas, trabalhadores rurais, portadores
de necessidades especiais e homossexuais.
Conseqüências
A invisibilidade social provoca sentimentos de desprezo
e humilhação em indivíduos que
com ela convivem. De acordo com Gachet, ser invisível
pode levar as pessoas a processos depressivos. “'Aparecer'
é ser importante para a espécie humana,
ser valorizado, de alguma forma, é parte integrante
de nossa passagem pela vida; temos que ser alguém,
um bom profissional, um bom estudante, um bom pai, uma
boa mãe, enfim, desempenhar, com louvor, algum
papel social”, diz.
Outra conseqüência dessa invisibilidade é
a mobilização dos “invisíveis”,
grupos de pessoas que se juntam para conseguir “aparecer”
perante a sociedade. Muitos são os exemplos desses
grupos: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra),
a Central Única de Favelas (CUFA), fóruns
nacionais, estaduais e municipais de defesa dos direitos
da criança e do adolescente. Esses grupos também
podem ser encontrados no crime organizado, o PCC (Primeiro
Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).
A invisibilidade social já está cotidianamente
estabelecida e a sociedade acostumou-se a ela, passar
por um pedinte na rua ou observar uma criança
“cheirando cola” em uma esquina é
algo corriqueiro na vida social e, segundo Gachet, aceitar
isso é violar os direitos humanos. “É
preciso não só ver esses invisíveis,
mas é preciso olhar para eles e sentir junto
com eles, é preciso 'colocar óculos em
toda humanidade'”, finaliza.
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