Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Diversos auxílios são disponibilizados
aos alunos do Barão

Expediente

COMPORTAMENTO

Jovens ignoram prejuízos causados pelo cigarro

Invisibilidade social: preconceito que gera discriminação

Limites dos desentendimentos amorosos

POLÍTICA

Marketing Político, a arte de moldar um candidato

Adiamento de Projeto sobre Aqüífero Guarani
atrasa atualização do Plano Diretor

GERAÇÃO MULTIMÍDIA

Até que ponto o conteúdo da internet influencia o comportamento dos jovens

Mundo virtual tira o sono de universitários

Passeios, festas e encontros agitam mundo virtual

Lan Houses registram maior freqüência de universitários

SAÚDE

Na busca por um corpo perfeito,
jovens investem em remédios

Comportamento de paciente influencia no tratamento ao câncer

CULTURA

Festival Tanabata se prepara para
ter maior participação dos jovens

Sensibilidade sintetiza a definição de arte

COTIDIANO

Cobrança sexual: a principal causa do desprazer

Circuito Universitário de Truco abre sua temporada em Campinas

ESPORTE

Tênis de Ribeirão Preto e região ganha incentivo

Irmãos ribeirão-pretanos vão para o Pan

COMPORTAMENTO

Invisibilidade social: preconceito que gera discriminação

Ser invisível é sofrer a indiferença, é não ter importância. Essa maneira de discriminação está cada vez mais inserida na sociedade

Muitos são os indivíduos que sofrem com a invisibilidade social
Foto: Francisco Ferreira da Silva Junior

Mateus de Lucca Constantino
Vivian Fernanda Garcia da Costa
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A invisibilidade social é um conceito aplicado a seres socialmente invisíveis, seja pela indiferença ou pelo preconceito. No livro “Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social”, o psicólogo Fernando Braga da Costa conseguiu comprovar a existência da invisibilidade pública, por meio de uma mudança de sua personalidade. Costa vestiu um uniforme e trabalhou oito anos como gari na Universidade de São Paulo. Segundo ele, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”.
Há vários fatores que podem contribuir para que essa invisibilidade ocorra: sociais, culturais, econômicos e estéticos.
De acordo com psicólogo Samuel Gachet, a invisibilidade pode levar a processos depressivos, de abandono e de aceitação da condição de “ninguém”, mas também pode levar à mobilização e à organização da minoria discriminada.

Massa invisível
Um dos principais causadores da invisibilidade é a questão econômica. “O sistema capitalista sobrevive sob a lei do mais-valia, na qual para que um ganhe é imedia-tamente necessário que outro perca. Desse modo, a população de baixa renda é vista como um vasto mercado consumidor, e essa é sua única forma de visibilidade”, explica Gachet.
Para a universitária Sabrina Ribeiro Rodrigues, a invisibilidade não é provocada só pelo fator econômico. “A educação familiar é determinante para a maneira como as pessoas tratam o outro”, completa.
A bibliotecária Marlene Araújo acrescenta ainda que existe preconceito com as pessoas que não estão adequadas aos padrões de beleza. “Se fosse loira, alta e de olhos claros, com certeza me tratariam de outra maneira”, ressalta.
“Para mim, o fator econômico não é o principal causador da invisibilidade social, e sim o status que adquirimos diante da sociedade. Se um professor de uma faculdade particular, aqui do Brasil, estiver em uma faculdade renomada, como a de Harvard, também se sentirá invisível”, explica a universitária Vanessa Evangelista.
Segundo Gachet, o preconceito que gera invisibilidade se estende a tudo o que está fora dos padrões de vida das classes hierarquicamente superiores. Muitos são os indivíduos que sofrem com a invisibilidade social, como por exemplo, profissionais do sexo, pedintes, usuários de drogas, trabalhadores rurais, portadores de necessidades especiais e homossexuais.

Conseqüências
A invisibilidade social provoca sentimentos de desprezo e humilhação em indivíduos que com ela convivem. De acordo com Gachet, ser invisível pode levar as pessoas a processos depressivos. “'Aparecer' é ser importante para a espécie humana, ser valorizado, de alguma forma, é parte integrante de nossa passagem pela vida; temos que ser alguém, um bom profissional, um bom estudante, um bom pai, uma boa mãe, enfim, desempenhar, com louvor, algum papel social”, diz.
Outra conseqüência dessa invisibilidade é a mobilização dos “invisíveis”, grupos de pessoas que se juntam para conseguir “aparecer” perante a sociedade. Muitos são os exemplos desses grupos: MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), a Central Única de Favelas (CUFA), fóruns nacionais, estaduais e municipais de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Esses grupos também podem ser encontrados no crime organizado, o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).
A invisibilidade social já está cotidianamente estabelecida e a sociedade acostumou-se a ela, passar por um pedinte na rua ou observar uma criança “cheirando cola” em uma esquina é algo corriqueiro na vida social e, segundo Gachet, aceitar isso é violar os direitos humanos. “É preciso não só ver esses invisíveis, mas é preciso olhar para eles e sentir junto com eles, é preciso 'colocar óculos em toda humanidade'”, finaliza.