| Alexandre
Carlomagno
Haroldo Barbosa
Lívia Marcele Marques da Costa Santos
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O jovem encara o cigarro
como um símbolo da sua independência e,
também, como uma forma de lidar com o estresse,
passar o tempo, ou, simplesmente, utiliza o ato de fumar
como apoio para se integrar socialmente, tudo isso somado
às facilidades e estímulos para a obtenção
do produto, entre eles o baixo custo. O marketing e
a promoção associam o tabaco às
imagens de beleza, sucesso, liberdade, poder, inteligência
e fazem com que 90% da população comece
a fumar antes dos 19 anos, como afirma o Instituto Nacional
do Câncer - INCA.
Por esses motivos, o jovem também tem o costume
de ignorar todos os males causados pelo cigarro; um
exemplo disso é o caso do universitário
Bruno Bellomi, que começou a fumar aos 13 anos
por influência de seu avô, “a gente
sabe que o cigarro causa vários males, todo mundo
fala, tem campanhas na TV, em todos os lugares, inclusive
no maço de cigarro, mas você pensa que
não vai fazer mal nenhum porque você é
jovem. Depois de algum tempo, começa a dificultar
a respiração e, se você faz algum
esporte físico, cansa-se mais do que uma pessoa
que não fuma, além de vários outros
males que podem aparecer mais pra frente.”
Apesar da consciência dos fumantes sobre os males
que o cigarro traz para a saúde, muitos sentem
dificuldades em largar o vício. Isso acontece,
principal-mente, devido à presença da
nicotina no cigarro, uma substância altamente
viciante que atua no sistema nervoso central como a
cocaína, com uma diferença: chega ao cérebro
em apenas 7 segundos (2 a 4 segundos mais rápido
que a cocaína).
De acordo com o pneumologista Frederico Garcia Pereda,
os efeitos prejudiciais à saúde, provocados
pelo uso do cigarro, são inúmeros, mas
o principal dano é causado ao aparelho respiratório,
pela chamada Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
- DPOC, como enfisema pulmonar e bronquite crônica.
“Elas provocam uma destruição gradativa
até a perda da função respiratória,
levando à falta de ar e às tosses crônicas.
Fora isso, acontecem alterações em outros
aparelhos, inclusive no aparelho cardiovascular e no
sistema nervoso, que resultam em derrames e infartos,
e no aparelho gástrico, dando predisposição
a úlceras e câncer de estômago”,
afirma Pereda.
Outra conseqüência grave da prática
do fumo é o câncer de boca. De acordo com
o cirurgião-dentista Marcio Ophir Carlomagno,
o cigarro é o principal causador deste tipo de
câncer. Ele alerta que este vício, associado
ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, aumenta
em cem vezes a chance de desenvolver a doença.
“É um câncer que tem cura se descoberto
no começo, por isso é importante que,
ao perceber qualquer alteração na mucosa
bucal, a pessoa procure um dentista imediatamente”,
explica.
Além do fumante, pessoas que não fumam
podem desenvolver as mesmas doenças, são
os chamados fumantes passivos, que não chegam
a levar o cigarro à boca. Quando estão
próximos de fumantes, sobretudo em locais fechados,
inalam as mesmas substâncias, portanto, as conseqüências
são as mesmas ou maiores dependendo da freqüência
e da intensidade deste “fumo passivo”.
“O pulmão sempre perdoa”, segundo
o pneumologista Pereda, apesar de alguns colegas da
sua profissão usarem esse ditado, não
existe recuperação total do pulmão
para os ex-fumantes, mas as chances de desenvolver um
câncer de pulmão e outras doenças
diminuem ao longo dos anos para quem deixa de fumar.
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