Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Há três anos o NAI realiza projetos de responsabilidade social

Expediente

COTIDIANO

Evento de conscientização sobre cidadania mobiliza estudantes e jovens

Enchente um problema urbanístico

O significado da Páscoa: ritos e lucros

ESPORTE

Lula Ferreira aposta na conquista do pan-americano

O lado triste do futebol pentacampeão do mundo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo por falta de profissional especializado

EDUCAÇÃO

Alunos de Jornalismo do Barão desenvolvem
projeto sobre a Casa das Mangueiras

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Especialização é moeda forte em mercado competitivo

CULTURA

Arte de grafitar:
da cultura hip-hop para as ruas

Dançarinos do Crazy Jam
participam de festival internacional

SAÚDE

Ausência de proteção solar aumenta casos de câncer de pele

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Bagaço da cana pode ser fonte elétrica do futuro

Gastos dos estudantes chegam
a 30 milhões de reais por mês

POLÍTICA

PAC lança medidas que beneficiarão população de baixa renda

SAÚDE

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

A enfermidade tem um grande índice de recorrência e mortalidade

Psicóloga Giovana Facchini confessou preocupação no crescente número de casos
Foto: Paulo Ramazza

Bruno Eduardo Siffoni Bellomi
Paulo Humberto Moura Ramazza
_____________________________________

 

A depressão é considerada doença afetiva ou do humor. Segundo a Organização Mundial de Saúde e estudos realizados usando a Disability Adjusted Life Years (DALY), base conceitual utilizada do Estudo de Carga Global de Doenças, até o ano de 2020 acontecerá uma mudança nas necessidades de saúde da população mundial e com seu crescimento rápido em ocorrências, superará problemas infecciosos e de má nutrição.
No site www.drauziovarela.com.br, o médico Ricardo Moreno, psiquiatra e professor do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, afirma que 18% das pessoas vão apresentar depressão em alguma fase da vida. Já em adolescentes, a ocorrência é de 5%, segundo o mesmo site.
“As principais causas da depressão são pressões socialmente impostas, preocupação com aparência, pertencer a um grupo, escolha da profissão, problemas familiares, desilusões amorosas, entre outras”, ressaltou a psicóloga Giovana Facchini do Hospital das Clinicas da USP. Causas confirmadas pela estudante R.C. de 19 anos, que teve depressão aos 17 anos. “Minha depressão começou aos poucos, estava com problemas em casa com a separação dos meus pais, não me adaptava à nova escola, comecei o cursinho e não tinha a mínima idéia de que curso iria prestar. Todas essas coisas foram me deixando cada vez mais triste e com menos vontade de sair”, desabafa R.C.
Algo ainda desconhecido por muitos, é que a doença pode ser hereditária. De acordo com a psicóloga se tiver na família um histórico clínico de depressão, a chance dos filhos também desenvolverem a doença é alta.
O que dificulta o tratamento do depressivo no início do quadro, é que familiares e amigos relacionam os sintomas com a fase vivida pelo adolescente, de mudanças.
O sentimento de solidão domina a pessoa, e nem sempre o apoio e preocupação de pessoas próximas ajuda, “durante a depressão eu me sentia sozinha, triste, abandonada, parecia que ninguém se importava comigo. Apesar de sempre terem pessoas ao meu lado tentando me ajudar eu continuava me sentindo dessa forma”, conta a estudante R.C.
Os primeiros sintomas da doença podem ser facilmente percebidos segundo Giovana Facchini, “se o adolescente mostrar um aumento ou diminuição grande do sono, ou não sentir mais prazer em realizar tarefas que antes eram estimulantes, é um forte indício do problema”, e completou dizendo que “o maior e mais eminente sinal da depressão é a queda do aproveitamento escolar”.
A prevalência das mulheres pode chegar ao dobro em relação ao número de ocorrências dos homens. Não há um perfil traçado para isso, mas a psicóloga acredita que, é devido às várias mudanças que a mulher sofre como, ciclo menstrual, gravidez, menopausa. A psicóloga também destaca que, as mulheres buscam tratamento com maior freqüência, enquanto os homens ainda sentem vergonha de procurar um profissional.
O comportamento entre os sexos é bem diferente, enquanto as mulheres costumam ficar tristes, isoladas e perderem o apetite, os homens podem ficar violentos, com humor irritado e abusar do álcool e das drogas, afirma Giovana Facchini.
Atualmente o suicídio é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 24 anos de idade, tanto nos EUA, conforme o National Center for Health Statistics, e na Inglaterra, segundo o estudo Office of Population Census and Surveys. No Brasil não há dados exatos a esse respeito, mas a médica avisa que é preciso tomar muito cuidado e levar a sério sempre que um depressivo demonstrar vontade de se matar, porque ele não está fazendo um jogo, nem querendo chamar a atenção, as chances de ele ter a primeira tentativa é muito grande, de tentar novamente maior ainda, e o tempo entre as tentativas é curto. “Eles começam usando lâminas para cortar o pulso, depois ingerindo uma grande quantidade de remédios e venenos”, alertou a psicóloga.
A professora, Maria Helenea, 49 anos, teve o primeiro quadro depressivo aos 15 anos, e por ter vergonha não fez o tratamento. Depois de muita insistência ela iniciou a terapia, mas há alguns anos atrás voltou a ter a doença. No último episódio ela teve crises de amnésia e ansiedade, “Ia a lugares e não me lembrava onde estava, precisava pedir informação para voltar pra casa. Tinha uma ansiedade muito grande, e meu médico chegou a pedir que deixasse meu cartão de crédito com outra pessoa”. A professora disse que, por um tempo, teve medo até de dirigir, “ia na praia e não entrava no mar, por medo das ondas”.
A depressão é uma doença curável, desde que seja diagnosticada no início, e que pacientes e familiares estejam dispostos a enfrentarem tudo isso, pois os tratamentos são delicados e exigem rigidez.
“Hoje eu não tenho mais nenhum sintoma de depressão. Continuo fazendo terapia, pois é uma coisa que me ajuda muito e não só porque eu tive depressão, mas porque eu acho que a terapia é muito importante para o auto-conhecimento”, disse a estudante R.C. aliviada depois de curada.