| Bruno
Eduardo Siffoni Bellomi
Paulo Humberto Moura Ramazza
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A depressão é
considerada doença afetiva ou do humor. Segundo
a Organização Mundial de Saúde
e estudos realizados usando a Disability Adjusted Life
Years (DALY), base conceitual utilizada do Estudo de
Carga Global de Doenças, até o ano de
2020 acontecerá uma mudança nas necessidades
de saúde da população mundial e
com seu crescimento rápido em ocorrências,
superará problemas infecciosos e de má
nutrição.
No site www.drauziovarela.com.br, o médico Ricardo
Moreno, psiquiatra e professor do Instituto de Psiquiatria
da Universidade de São Paulo, afirma que 18%
das pessoas vão apresentar depressão em
alguma fase da vida. Já em adolescentes, a ocorrência
é de 5%, segundo o mesmo site.
“As principais causas da depressão são
pressões socialmente impostas, preocupação
com aparência, pertencer a um grupo, escolha da
profissão, problemas familiares, desilusões
amorosas, entre outras”, ressaltou a psicóloga
Giovana Facchini do Hospital das Clinicas da USP. Causas
confirmadas pela estudante R.C. de 19 anos, que teve
depressão aos 17 anos. “Minha depressão
começou aos poucos, estava com problemas em casa
com a separação dos meus pais, não
me adaptava à nova escola, comecei o cursinho
e não tinha a mínima idéia de que
curso iria prestar. Todas essas coisas foram me deixando
cada vez mais triste e com menos vontade de sair”,
desabafa R.C.
Algo ainda desconhecido por muitos, é que a doença
pode ser hereditária. De acordo com a psicóloga
se tiver na família um histórico clínico
de depressão, a chance dos filhos também
desenvolverem a doença é alta.
O que dificulta o tratamento do depressivo no início
do quadro, é que familiares e amigos relacionam
os sintomas com a fase vivida pelo adolescente, de mudanças.
O sentimento de solidão domina a pessoa, e nem
sempre o apoio e preocupação de pessoas
próximas ajuda, “durante a depressão
eu me sentia sozinha, triste, abandonada, parecia que
ninguém se importava comigo. Apesar de sempre
terem pessoas ao meu lado tentando me ajudar eu continuava
me sentindo dessa forma”, conta a estudante R.C.
Os primeiros sintomas da doença podem ser facilmente
percebidos segundo Giovana Facchini, “se o adolescente
mostrar um aumento ou diminuição grande
do sono, ou não sentir mais prazer em realizar
tarefas que antes eram estimulantes, é um forte
indício do problema”, e completou dizendo
que “o maior e mais eminente sinal da depressão
é a queda do aproveitamento escolar”.
A prevalência das mulheres pode chegar ao dobro
em relação ao número de ocorrências
dos homens. Não há um perfil traçado
para isso, mas a psicóloga acredita que, é
devido às várias mudanças que a
mulher sofre como, ciclo menstrual, gravidez, menopausa.
A psicóloga também destaca que, as mulheres
buscam tratamento com maior freqüência, enquanto
os homens ainda sentem vergonha de procurar um profissional.
O comportamento entre os sexos é bem diferente,
enquanto as mulheres costumam ficar tristes, isoladas
e perderem o apetite, os homens podem ficar violentos,
com humor irritado e abusar do álcool e das drogas,
afirma Giovana Facchini.
Atualmente o suicídio é a segunda causa
de morte entre jovens de 15 a 24 anos de idade, tanto
nos EUA, conforme o National Center for Health Statistics,
e na Inglaterra, segundo o estudo Office of Population
Census and Surveys. No Brasil não há dados
exatos a esse respeito, mas a médica avisa que
é preciso tomar muito cuidado e levar a sério
sempre que um depressivo demonstrar vontade de se matar,
porque ele não está fazendo um jogo, nem
querendo chamar a atenção, as chances
de ele ter a primeira tentativa é muito grande,
de tentar novamente maior ainda, e o tempo entre as
tentativas é curto. “Eles começam
usando lâminas para cortar o pulso, depois ingerindo
uma grande quantidade de remédios e venenos”,
alertou a psicóloga.
A professora, Maria Helenea, 49 anos, teve o primeiro
quadro depressivo aos 15 anos, e por ter vergonha não
fez o tratamento. Depois de muita insistência
ela iniciou a terapia, mas há alguns anos atrás
voltou a ter a doença. No último episódio
ela teve crises de amnésia e ansiedade, “Ia
a lugares e não me lembrava onde estava, precisava
pedir informação para voltar pra casa.
Tinha uma ansiedade muito grande, e meu médico
chegou a pedir que deixasse meu cartão de crédito
com outra pessoa”. A professora disse que, por
um tempo, teve medo até de dirigir, “ia
na praia e não entrava no mar, por medo das ondas”.
A depressão é uma doença curável,
desde que seja diagnosticada no início, e que
pacientes e familiares estejam dispostos a enfrentarem
tudo isso, pois os tratamentos são delicados
e exigem rigidez.
“Hoje eu não tenho mais nenhum sintoma
de depressão. Continuo fazendo terapia, pois
é uma coisa que me ajuda muito e não só
porque eu tive depressão, mas porque eu acho
que a terapia é muito importante para o auto-conhecimento”,
disse a estudante R.C. aliviada depois de curada.
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