| Rafael
Martinez
Corrêa Junior
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Ribeirão Preto pode
se orgulhar em ter um representante nos Jogos Pan-americanos
de julho, no Rio de Janeiro. O técnico de basquete
Aluísio Elias Xavier Ferreira, 56 anos, mais
conhecido como Lula Ferreira vai comandar mais uma vez
a seleção nacional. O treinador é
paulistano e se considera um ribeirãopretano
de coração. Foi secretário de esportes
no primeiro ano do atual mandato do prefeito Welson
Gasparini e comandou o time da cidade por seis anos,
sendo Pentacampeão Paulista e Campeão
Brasileiro.
Após a extinção da equipe de Ribeirão
e de sua saída da secretaria esportiva, Lula
Ferreira se dedica apenas a Seleção Brasileira
e se prepara para disputar o Pan no Rio. Em entrevista
ao Jornal do Barão falou sobre a preparação
da seleção e a falta de organização
do governo na realização do maior evento
esportivo das Américas no Brasil.
JB - O que o torcedor brasileiro
pode esperar da Seleção nos Jogos Pan-americanos?
LF - A torcida pode esperar da Seleção
Brasileira uma equipe aguerrida para buscar o tri-campeonato.
Nós temos total obrigação de lutar
pelo título por sermos bicampeões no Canadá
e na República Dominicana, também por
jogar em casa.
JB - Qual a evolução da Seleção
Brasileira nos quatro anos sob o seu comando?
LF - Eu peguei a Seleção em 2003 num processo
de renovação e a tentativa é fazer
com que esse time se consolide com resultados internacionais.
A trajetória teve um tropeço que foi a
má campanha no Mundial. A saída precoce
no campeonato deixou uma sensação muito
ruim. A geração é boa, mas precisa
de conquistas internacionais. Em agosto temos outro
teste que será o pré-olímpico.
JB - Como será formada
a Seleção para o Pan? Os jogadores que
atuam no exterior estarão presentes?
LF - O planejamento é chamar o melhor time possível,
mas sabemos que haverá dificuldade em conseguirmos
a liberação dos jogadores do NBA, principalmente
para o Pan-americano. Os americanos entendem que o Pan
não é uma competição importante.
A seleção brasileira ainda paga para os
clubes o valor equivalente ao tempo de serviço
que deixa de prestar em seu time. É uma ação
meramente comercial. Mesmo assim, é difícil.
JB - Qual a seleção
favorita para a conquista do título?
LF - No Pan são oito países que se classificam
para participar da competição. São
os três primeiros da América do Sul, os
três primeiros da América do Norte, mais
Canadá e EUA. Brasil, Argentina e Uruguai são
fortes. Porto Rico é tradicional. Panamá
e Ilhas Virgens são países que sempre
revelam jogadores e o Canadá e o EUA nem se falam.
Por isso eu digo que não há favorito.
Todos estão no mesmo patamar.
JB - E o que o senhor poderia
prever da organização da competição
aqui no Brasil?
LF - Infelizmente por nós termos um país
que não dá valor a parte educacional e
esportiva como deveria ser dado, quando você se
depara com um evento desse tipo sua casa não
está devidamente arrumada e há a necessidade
de um investimento financeiro muito grande para que
isso seja feito. Se os investimentos tivessem sido feitos
ao longo de todo o tempo, talvez esse gasto seria menor.
Do lado do basquete, nossos ginásios e estrutura
estão muito longe dos países de primeiro
mundo. O investimento preventivo do esporte é
o caminho para diminuir a criminalidade. Eu defendo
o investimento no Pan. Isso não é gasto,
é investimento no futuro. É muito mais
caro manter um preso na cadeia do que gastar um dinheiro
agora, evitando maiores problemas futuros.
JB - Qual o planejamento
da Seleção Brasileira até o início
do Pan?
LF - O planejamento prevê a apresentação
no dia 23 de junho em São Paulo. Vamos realizar
dois amistosos contra o Uruguai. Um mês de preparação
e dois dias antes do início vamos para o Rio
de Janeiro.
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