Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Há três anos o NAI realiza projetos de responsabilidade social

Expediente

COTIDIANO

Evento de conscientização sobre cidadania mobiliza estudantes e jovens

Enchente um problema urbanístico

O significado da Páscoa: ritos e lucros

ESPORTE

Lula Ferreira aposta na conquista do pan-americano

O lado triste do futebol pentacampeão do mundo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo por falta de profissional especializado

EDUCAÇÃO

Alunos de Jornalismo do Barão desenvolvem
projeto sobre a Casa das Mangueiras

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Especialização é moeda forte em mercado competitivo

CULTURA

Arte de grafitar:
da cultura hip-hop para as ruas

Dançarinos do Crazy Jam
participam de festival internacional

SAÚDE

Ausência de proteção solar aumenta casos de câncer de pele

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Bagaço da cana pode ser fonte elétrica do futuro

Gastos dos estudantes chegam
a 30 milhões de reais por mês

POLÍTICA

PAC lança medidas que beneficiarão população de baixa renda

EDUCAÇÃO

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Coordenador debate temas polêmicos do direito e traz novidades ao curso do Barão

Carlos Cezar Barbosa, promotor de justiça, professor e coordenador do curso de direito do Barão de Mauá
Foto: Amanda Di Giovanni

Amanda Di Giovanni
Ana Claudia Caldeira
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Carlos Cezar Barbosa, natural de Ribeirão Preto, se formou em 1982 em direito, pela Faculdade Lauro de Camargo, e hoje além de professor e coordenador do curso de direito do Barão é promotor de justiça.

 

JB: O que mudou em relação à grade curricular, às instituições e principalmente sobre a educação do ensino do direito de hoje comparando com a época em que se formou?
CCB: O direito é muito dinâmico, está sempre surgindo novos ramos, na época em que eu estudei não se estudava direito ambiental, direito do consumidor, direito de empresa.

 

JB: Seria por causa dessas ramificações que muitos recém formados não conseguem passar na prova da OAB e fazem um novo curso de um ano especificamente para a prova?
CCB: Houve um grande número de novas instituições de curso de direito, evidentemente que muitos deles não tenham um ensino de boa qualidade, mas existem também uns rigores mais excessivos por parte da OAB, nesse posicionamento dela contra o aumento das faculdades de direito, um certo objetivo de reserva de mercado, ela vem fazendo provas muito difíceis. Na minha opinião a prova da OAB devia verificar se o bacharel tem o mínimo de condições de exercer advocacia e no entanto a gente vê que é uma prova que se equipara a um concurso.

 

JB: Qual a sua opinião sobre a Constituição que o País tem em vigor?
CCB: A Constituição Brasileira é uma constituição muito bem elaborada, muito voltada para a questão da cidadania, só que infelizmente os governantes não conseguiram até então, ou não se interessaram, para implementar sua plenitude e com isso a sociedade brasileira sofre.

 

JB: Concorda com as penas que a Constituição dita para os dias de hoje? No Brasil a pena de morte resolveria algo?
CCB: Pena de morte na minha visão não resolve, o importante é que as penas sejam cumpridas, no Brasil a gente observa muita impunidade, o importante é que os processos fossem julgados rapidamente, a pena de morte no meu ver revela uma fraqueza do Estado, é o Estado descendo ao mesmo nível dos criminosos.

 

JB: Relacionaria o aumento da criminalidade com a impunidade?
CCB: Há vários fatores, a impunidade talvez seja um dos principais, questões sociais importantes, uma certa crise nos valores éticos que a sociedade vivencia hoje, a gente observa hoje que a criminalidade não está mais vinculada com as categorias mais pobres, isso revela uma degradação nos valores éticos.

 

JB: Em sua opinião se a maioridade diminuir haverá uma queda na participação de menores em crimes?
CCB: Provavelmente, eu não concordo com o sistema que existe na atualidade, em que menor de 16 anos deva cumprir uma mera internação na Febem que dura no máximo de dois a três anos, então nos temos um Código Penal que é de 1940, e desse ano pra cá muitas coisas mudaram na sociedade, então a gente observa que hoje as pessoas se formam mais rapidamente, a gama de informações que as pessoas recebem é muito grande, então mais rapidamente também o jovem consegue entender o caráter criminoso dos atos que ele pratica, então eu entendo que essa é uma questão que deve ser revista, ou diminuindo a maioridade para 16 anos ou então se criando um sistema de aumento das medidas que são aplicadas hoje.

 

JB: Qual sua análise sobre a postura da mídia como uma norteadora entre as ações que deveriam envolver as atitudes do direito com o órgão legislador? O exemplo no caso da Suzane, em que ela havia saído da prisão e por conseqüência de uma entrevista ao Fantástico ela voltou.
CCB: Eu acho que num Estado democrático a imprensa tem que ser livre, eu sou contra qualquer tipo de censura, a imprensa é formadora de opinião, por conta de uma campanha da televisão que influenciou a sociedade, não de uma forma maléfica mais influenciou, “derrubou-se” um presidente do país. Infelizmente a mídia também exerce uma influencia negativa, mas isso também faz parte do “jogo”, o importante é que as pessoas respondam pelos excessos que cometem.