| Mateus
de Lucca Constantino
Vivian Fernanda Garcia da Costa
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O trabalho de conclusão
de curso, conhecido como TCC, realizado todos os anos
para que os alunos possam obter o grau de bacharel em
Comunicação Social, teve em um dos 16
projetos apresentados no ano passado o resgate da história
de 33 anos da Casa das Mangueiras, que visa o acolhimento
e a educação de crianças e adolescentes
em situação de risco social.
A escolha do tema “foi motivada pelo fato de ser
atual e de grande importância para a sociedade”,
declara o jornalista Murilo Bereta, membro do grupo
que resgatou a história da Casa das Mangueiras
junto com Danilo Scochi, José Olávio e
Marcos Brunelli
Os alunos fizeram um trabalho em que puderam exercitar
a pesquisa e ainda, ter como experiência a prática
do jornalismo social. José Olávio, hoje
jornalista formado e editor da EPTV, afiliada da Rede
Globo, lembra das dificuldades no desenvolvimento do
trabalho. “Como todos trabalhavam tivemos que
dividir cada etapa do projeto e sempre trocávamos
informações por telefone ou e-mail”,
comenta.
Para o grupo enfatizar a responsabilidade social seria
algo inusitado. Eles deram andamento ao trabalho depois
de várias pesquisas e levantamento de dados sobre
a Casa das Mangueiras, para eles era necessário
que de imediato soubessem exatamente como era o funcionamento
de uma Organização Não Governamental
– Ong.
“Em um bom trabalho de conclusão de curso
é fundamental conhecer a fundo o assunto a ser
pesquisado, é preciso levantar dados, pesquisar
sobre eles, desenvolver idéias e juntar provas”,
conta o editor de imagens da EPTV, Marcos Brunelli.
Empenhar-se em um trabalho como esse fez com que o grupo
pudesse enxergar um local sério que trabalha
há 33 anos em prol de crianças carentes.
Murilo conta que se sentia uma formiguinha diante de
uma mulher como Sueli Danhone, coordenadora e fundadora
do projeto, “Sueli dedicou uma vida inteira para
ajudar o próximo”, comenta Murilo.
Após leitura e pesquisas, o TCC, segue rumos
diferentes, primeiro eles fizeram um estudo sobre as
Ong's, depois sobre o regime militar, que na época
fazia parte do contexto vivenciado, fizeram pesquisa
sobre a periferia do Jardim Ipiranga, local onde foi
construída a Casa, e por fim o grupo realizou
um levantamento da documentação arquivada,
“queríamos resgatar alguns personagens
da Casa e saber o que havia acontecido com eles”,
revela Murilo.
Dentre as opções de trabalho para a apresentação,
o grupo optou em fazer uma revista e um documentário.
Segundo José Olávio houve a necessidade
de se começar a trabalhar primeiro a revista,
pois era o veículo de comunicação
que tinham menos experiência. O único do
grupo que já havia trabalhado com material impresso
era o Danilo, “deixamos o documentário
para o final porque era uma linguagem a qual dominávamos”,
revela José Olávio.
“O resgate histórico de 33 anos da Casa
das Mangueiras nos possibilitou uma experiência
rica em fatos e histórias que guardaremos por
muitos anos”, finaliza Murilo Bereta.
A Casa
A Casa das Mangueiras foi criada em 1973, uma parceria
entre um grupo de defensores de direitos humanos e da
comunidade de Ribeirão Preto. Tornou-se, para
os jovens, um espaço de socialização
e aprendizagem.
Para continuar a se manter, a Ong conta com o apoio
de empresas da cidade no desenvolvimento dos projetos
de reciclagem, oficinas de artesanato, curso de treinamento
profissional e outras atividades que ajudam a integrar
o jovem à sociedade.
De acordo com Marcos Brunelli a coordenadora da Casa,
Sueli Danhone, enfrentou um governo rígido que
não cogitava ajuda à entidade.
“Com a dignidade que é peculiar à
Sueli, ela batalhou e conseguiu colocar o nome da Casa
num patamar mais elevado que muitas outras organizações
que nasceram maiores, porém, ainda estão
num processo de engatinhamento”, declara Brunelli.
As ações realizadas na Casa representam
um projeto social, que conta com a colaboração
de voluntários, procurando atender demandas sociais
de uma parcela da comunidade carente do bairro Ipiranga,
periferia de Ribeirão.
O grupo ressalta que o objetivo da Casa das Mangueiras
não é ser assistencialista, e sim contribuir
na formação profissional e na educação
dos jovens que lá freqüentam. Sueli e sua
equipe lutaram contra o preconceito, a rebeldia e o
desdém de muita gente, mas conseguiram trazer
conforto e dignidade a muitas crianças e adolescentes.
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