| Francisco
Ferreira da Silva Junior
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Pesquisa feita pelo jornal
A Cidade constata que 5% da população
de Ribeirão Preto, hoje em torno de 557.156 mil
habitantes, são de universitários. Eles
vêem de diferentes partes do Brasil. Esse mercado
movimenta mensalmente 30 milhões de reais. Dinheiro
que gera empregos, direta e indiretamente, em vários
setores da economia. Mas nem tudo é festa, a
realidade da maioria dos estudantes que vêem para
a cidade é outra.
Em Ribeirão chegam os que vão morar em
repúblicas, quitinetes e pequenos apartamentos,
geralmente perto das faculdades. Esse tipo de estudante,
na sua maioria, é bancado pelos pais e fazem
cursos na área de saúde. Os que só
passam pela cidade, são os estudantes que moram
na região, trabalham durante o dia e estudam
a noite. Há os estudantes que moram na cidade
e que também fazem parte desse mercado.
“Nós temos dois universo de aluno. Aqueles
que estão aqui o dia inteiro fazem curso, geralmente,
na área de saúde e eles têm os gastos
voltados à moradia, refeição, alimentação,
transporte, roupas e algum material didático.
Que é diferente do universo dos alunos que nós
temos no noturno, eles gastam apenas com transporte
e algum material didático”, disse a coordenadora
de estágio do Barão de Mauá, Rosane
Elisabete Vendruscolo Gomes.
A diferença de gastos entre os estudantes é
clara. Alguns chegam a gastar cerca de R$5 mil mensais,
já outros gastam apenas R$250. Há os alunos
que possuem bolsas, e que, geralmente, passam por uma
avaliação sócia econômica,
na qual não podem ter mais do que um salário
mínimo e meio por pessoa em sua casa.
Existem pais que chegam a quitar o valor do curso em
apenas uma única parcela anual, já outros,
em que é a maioria dos estudantes, tem que trabalhar
durante o dia para poder pagar, com muito sacrifício
e economia, seu curso a noite.
Os alunos que são bancados integralmente pelos
pais conseguem acompanhar o curso com todos os materiais
que são pedidos. Agora os alunos que trabalham,
obtém xerox, que é bem mais em conta do
que os livros. Mas isso não influencia nas notas
finais dos alunos. “O aluno que tem condição,
vontade, incentivo próprio e da família
para estudar, ele vai estudar. Nós temos alguns
quadros de alunos que a condição sócia
econômica é muito baixa e o rendimento
do aluno é excepcional”, disse Rosane Vendruscolo.
Abismo social
C.M. tem 21 anos, é estudante de jornalismo e
seus pais financiam seus estudos, adora balada e festa.
C.F., 21 anos, é estudante de medicina e é
bancada também pelos pais, costuma estudar nas
horas vagas, pois seu curso é integral. D.D.O.Q.
tem 20 anos cursa a faculdade de jornalismo e tem o
curso pago pelos pais. Freqüenta barzinhos, cinema
e restaurantes. As três universitárias
fazem parte de um pequeno grupo de estudantes em que
os pais bancam o curso no seu total.
L.C.F. 24 anos, estudante de química da USP,
é de Guaxupé, sudoeste de minas e mora
na república da USP. Visita a sua família
apenas três vezes por semestre e sempre nos finais
de semana prolongado. F.A.R. tem 34 anos é estudante
de jornalismo e bolsista, tem que trabalhar para pagar
o material do curso, como livros. A realidade destes
estudantes é outra, precisam se virar para bancar
os gastos com o curso.
O que essas cinco pessoas têm em comum? Todos
estão num seleto grupo que vão ter diploma
de nível superior num Brasil no qual poucos terminam
o ensino médio fundamental. Agora, a maior diferença
entre eles está no nível sócio
econômico de cada estudante. C.F. tem um gasto
mensal de R$5 mil, dentre moradia, que divide com outra
estudante, festas e outras atividades. Com o L.C.F.
é diferente, seu gasto mensal não passa
dos R$250 que sua mãe lhe envia.
Essa diferença fica ainda mais visível
se comparar alunos de um mesmo curso e que estão
no mesmo ano. C.M. tem um gasto mensal de R$2,5 mil.
Ela comenta que gosta de “ir à baladas,
bares e cinema”. Já F.A.R., é diferente,
além de ser bolsista integral, tem que trabalhar
para bancar os gastos complementares do curso. “É
difícil, mas dá para conciliar, meio apertado,
meio corrido, mas dá para conciliar”, comenta
F.A.R., sobre a questão de ter de trabalhar e
estudar.
“O pessoal do noturno geralmente possui um trabalho
que vem ajudar a pagar o curso deles, diferente do universo
do período integral que não tem esse tempo
de atividade para poder trabalhar, pois quem banca na
verdade é a família”, comenta Rosane
Vendruscolo. Nesta posição entra a maior
diferença entre todos eles, a condição
do familiar em bancar ou não os estudos.
Rosane Vendruscolo finaliza o assunto, “Nos temos
alguns casos de alunos de Prouni que tem bolsa de 100%
e não possuem condições de manter
a sua bolsa e vim para a escola. Eles têm todos
os benefícios que o governo deu, mas eles não
têm condições sequer de pagar o
ônibus para ir até a escola e eles encerram,
abandonam, suspendem e acabam perdendo a bolsa que o
governo concedeu”.
Além de existir diferenças de rendas entre
os estudantes, a maioria consegue terminar os estudos.
Mas como Rosane fala, pessoas que ganham bolsas do governo
por terem um quadro sócio econômico baixo
e defasado e por não terem R$50 para pagar o
transporte coletivo da sua casa até a escola
chegam a perder a bolsa.
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