Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Há três anos o NAI realiza projetos de responsabilidade social

Expediente

COTIDIANO

Evento de conscientização sobre cidadania mobiliza estudantes e jovens

Enchente um problema urbanístico

O significado da Páscoa: ritos e lucros

ESPORTE

Lula Ferreira aposta na conquista do pan-americano

O lado triste do futebol pentacampeão do mundo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo por falta de profissional especializado

EDUCAÇÃO

Alunos de Jornalismo do Barão desenvolvem
projeto sobre a Casa das Mangueiras

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Especialização é moeda forte em mercado competitivo

CULTURA

Arte de grafitar:
da cultura hip-hop para as ruas

Dançarinos do Crazy Jam
participam de festival internacional

SAÚDE

Ausência de proteção solar aumenta casos de câncer de pele

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Bagaço da cana pode ser fonte elétrica do futuro

Gastos dos estudantes chegam
a 30 milhões de reais por mês

POLÍTICA

PAC lança medidas que beneficiarão população de baixa renda

ECONOMIA

Gastos dos estudantes chegam a 30 milhões de reais por mês

Diferença de renda entre os universitários chega a variar entre R$ 5 mil e R$ 250

Rosane Elisabete Vendruscolo Gomes, coordenadora de estágio do Barão de Mauá
Foto: Francisco Ferreira

Francisco Ferreira da Silva Junior
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Pesquisa feita pelo jornal A Cidade constata que 5% da população de Ribeirão Preto, hoje em torno de 557.156 mil habitantes, são de universitários. Eles vêem de diferentes partes do Brasil. Esse mercado movimenta mensalmente 30 milhões de reais. Dinheiro que gera empregos, direta e indiretamente, em vários setores da economia. Mas nem tudo é festa, a realidade da maioria dos estudantes que vêem para a cidade é outra.
Em Ribeirão chegam os que vão morar em repúblicas, quitinetes e pequenos apartamentos, geralmente perto das faculdades. Esse tipo de estudante, na sua maioria, é bancado pelos pais e fazem cursos na área de saúde. Os que só passam pela cidade, são os estudantes que moram na região, trabalham durante o dia e estudam a noite. Há os estudantes que moram na cidade e que também fazem parte desse mercado.
“Nós temos dois universo de aluno. Aqueles que estão aqui o dia inteiro fazem curso, geralmente, na área de saúde e eles têm os gastos voltados à moradia, refeição, alimentação, transporte, roupas e algum material didático. Que é diferente do universo dos alunos que nós temos no noturno, eles gastam apenas com transporte e algum material didático”, disse a coordenadora de estágio do Barão de Mauá, Rosane Elisabete Vendruscolo Gomes.
A diferença de gastos entre os estudantes é clara. Alguns chegam a gastar cerca de R$5 mil mensais, já outros gastam apenas R$250. Há os alunos que possuem bolsas, e que, geralmente, passam por uma avaliação sócia econômica, na qual não podem ter mais do que um salário mínimo e meio por pessoa em sua casa.
Existem pais que chegam a quitar o valor do curso em apenas uma única parcela anual, já outros, em que é a maioria dos estudantes, tem que trabalhar durante o dia para poder pagar, com muito sacrifício e economia, seu curso a noite.
Os alunos que são bancados integralmente pelos pais conseguem acompanhar o curso com todos os materiais que são pedidos. Agora os alunos que trabalham, obtém xerox, que é bem mais em conta do que os livros. Mas isso não influencia nas notas finais dos alunos. “O aluno que tem condição, vontade, incentivo próprio e da família para estudar, ele vai estudar. Nós temos alguns quadros de alunos que a condição sócia econômica é muito baixa e o rendimento do aluno é excepcional”, disse Rosane Vendruscolo.

 

Abismo social
C.M. tem 21 anos, é estudante de jornalismo e seus pais financiam seus estudos, adora balada e festa. C.F., 21 anos, é estudante de medicina e é bancada também pelos pais, costuma estudar nas horas vagas, pois seu curso é integral. D.D.O.Q. tem 20 anos cursa a faculdade de jornalismo e tem o curso pago pelos pais. Freqüenta barzinhos, cinema e restaurantes. As três universitárias fazem parte de um pequeno grupo de estudantes em que os pais bancam o curso no seu total.
L.C.F. 24 anos, estudante de química da USP, é de Guaxupé, sudoeste de minas e mora na república da USP. Visita a sua família apenas três vezes por semestre e sempre nos finais de semana prolongado. F.A.R. tem 34 anos é estudante de jornalismo e bolsista, tem que trabalhar para pagar o material do curso, como livros. A realidade destes estudantes é outra, precisam se virar para bancar os gastos com o curso.
O que essas cinco pessoas têm em comum? Todos estão num seleto grupo que vão ter diploma de nível superior num Brasil no qual poucos terminam o ensino médio fundamental. Agora, a maior diferença entre eles está no nível sócio econômico de cada estudante. C.F. tem um gasto mensal de R$5 mil, dentre moradia, que divide com outra estudante, festas e outras atividades. Com o L.C.F. é diferente, seu gasto mensal não passa dos R$250 que sua mãe lhe envia.
Essa diferença fica ainda mais visível se comparar alunos de um mesmo curso e que estão no mesmo ano. C.M. tem um gasto mensal de R$2,5 mil. Ela comenta que gosta de “ir à baladas, bares e cinema”. Já F.A.R., é diferente, além de ser bolsista integral, tem que trabalhar para bancar os gastos complementares do curso. “É difícil, mas dá para conciliar, meio apertado, meio corrido, mas dá para conciliar”, comenta F.A.R., sobre a questão de ter de trabalhar e estudar.
“O pessoal do noturno geralmente possui um trabalho que vem ajudar a pagar o curso deles, diferente do universo do período integral que não tem esse tempo de atividade para poder trabalhar, pois quem banca na verdade é a família”, comenta Rosane Vendruscolo. Nesta posição entra a maior diferença entre todos eles, a condição do familiar em bancar ou não os estudos.
Rosane Vendruscolo finaliza o assunto, “Nos temos alguns casos de alunos de Prouni que tem bolsa de 100% e não possuem condições de manter a sua bolsa e vim para a escola. Eles têm todos os benefícios que o governo deu, mas eles não têm condições sequer de pagar o ônibus para ir até a escola e eles encerram, abandonam, suspendem e acabam perdendo a bolsa que o governo concedeu”.
Além de existir diferenças de rendas entre os estudantes, a maioria consegue terminar os estudos. Mas como Rosane fala, pessoas que ganham bolsas do governo por terem um quadro sócio econômico baixo e defasado e por não terem R$50 para pagar o transporte coletivo da sua casa até a escola chegam a perder a bolsa.