| Daniela
Dayana Oliveira Queiroz
Fabiano Azinari Casaroti
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Capacitada para fornecer
energia para a comunidade e gerar até 11% de
energia necessária para escapar dos apagões,
as usinas de açúcar e álcool garantem
que a energia produzida pelo bagaço da cana é
fonte de energia renovável, limpa e de custo
baixo.
A cana de açúcar é um dos principais
produtos agrícolas do Brasil, do seu processo
de industrialização obtêm-se como
produtos o açúcar, nas suas mais variadas
formas e tipos, o álcool, o vinhoto (resíduo
que sobra após a destilação fracionada
do caldo de cana-de-açúcar, aproveitado
como fertilizante) e o bagaço.
Devido ao elevado número do setor sucroalcooleiro
a cana é como o principal tipo de biomassa energética,
um tipo de matéria utilizada na produção
de energia a partir de processos como a combustão
de material orgânico, produzida e acumulada em
um ecossistema, um dos mais importantes recursos naturais
renováveis, representado por 350 indústrias
de açúcar e álcool e um milhão
de empregos diretos e indiretos no País, segundo
o Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais
Hidrelétricas - CERPCH.
A co-geração é um processo de transformação
de uma forma de energia térmica e elétrica
a partir do uso de um combustível convencional
(gás natural, óleo combustível,
diesel e carvão) ou algum tipo de resíduo
industrial (madeira, bagaço de cana, casca de
arroz, etc.). Desde a sua implantação,
as indústrias do setor sucroalcooleiro desenvolveram
instalações próprias de geração
elétrica, adotaram seus próprios sistemas
de geração, em processo de co-geração,
ajustados às necessidades do processamento industrial
da cana de açúcar utilizando o bagaço.
O engenheiro elétrico, Carlos Eduardo de Azevedo,
afirma que as vantagens da energia elétrica produzida
por meio da biomassa seria seu baixo custo de aquisição,
a não emissão de dióxido de enxofre,
as cinzas são menos agressivas ao meio ambiente
que as provenientes de combustíveis fósseis,
menor corrosão dos equipamentos (caldeiras, fornos),
recurso renovável e as emissões não
contribuem para o efeito estufa.
No processamento da cana-de-açúcar o bagaço
é queimado em caldeiras produzindo vapor de alta
pressão o que alimenta uma turbina produzindo
a energia. Como a quantidade do bagaço produzido
é elevada, aproximadamente 30% da cana moída,
existe um grande potencial para a geração
de eletricidade para venda comercial, o que acaba barateando
o preço comparando com a energia advinda de fonte
hidrelétrica.
O potencial de geração de eletricidade
a partir do bagaço da cana no Brasil está
estimado em aproximadamente 4.000mW com tecnologias
comercialmente disponíveis, significa que tem
a capacidade de gerar energia para abastecer um Estado
com aproximadamente 38 milhões e 400 mil habitantes.
Usinas e grandes consumidores de eletricidade querem
ampliar a oferta e aumentar a co-geração
de energia por meio da cana. A maioria das usinas paulistas
possui contratos direto com a Companhia Paulista de
Força e Luz (CPFL), responsável pela comercialização
e transmissão de energia, que hoje já
possui pelo menos 5% de sua energia gerada por meio
do derivado da cana, segundo a própria CPFL.
Para o economista, Sebastião Macedo Pereira,
a população não será de
imediato beneficiada economicamente, uma vez que a participação
da produção a partir da biomassa ainda
é restrita na composição da matriz
energética do país. ''À medida
que a participação deste tipo de energia
aumentar na matriz energética do país,
a tendência é o consumidor passar a usufruir
dos benefícios da redução do custo
de produção de energia", afirmou.
O economista acredita que tanto na economia como na
política é vantajoso a geração
de energia por meio da biomassa, apesar de não
provocar a queda de preço em primeiro momento,
vai reduzir a pressão sofrida pela constante
variação do preço do petróleo,
e contribuir para a geração de empregos.
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