Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Há três anos o NAI realiza projetos de responsabilidade social

Expediente

COTIDIANO

Evento de conscientização sobre cidadania mobiliza estudantes e jovens

Enchente um problema urbanístico

O significado da Páscoa: ritos e lucros

ESPORTE

Lula Ferreira aposta na conquista do pan-americano

O lado triste do futebol pentacampeão do mundo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo por falta de profissional especializado

EDUCAÇÃO

Alunos de Jornalismo do Barão desenvolvem
projeto sobre a Casa das Mangueiras

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Especialização é moeda forte em mercado competitivo

CULTURA

Arte de grafitar:
da cultura hip-hop para as ruas

Dançarinos do Crazy Jam
participam de festival internacional

SAÚDE

Ausência de proteção solar aumenta casos de câncer de pele

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Bagaço da cana pode ser fonte elétrica do futuro

Gastos dos estudantes chegam
a 30 milhões de reais por mês

POLÍTICA

PAC lança medidas que beneficiarão população de baixa renda

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Combustível ecologicamente correto é o principal investimento do governo na área de energia renovável

Adriana Brógio, discuti sobre o impacto do biodiesel na região.
Foto: Fabio Rezende

Fábio Rezende
Wildislaine de Jesus
_____________________________________

 

Incluir o biodiesel na matriz energética brasileira e se tornar um dos maiores produtores mundiais são metas do governo Lula. O Brasil desenvolve a tecnologia para a produção a mais de 30 anos e dispõe de solo e clima propícios para o cultivo das oleaginosas, além de contar hoje com onze usinas operando, e com treze em construção.
Segundo a economista e professora do Centro Universitário Barão de Mauá, Adriana Brógio, a intenção é trazer desenvolvimento regional, descentralizar a produção e utilizar a agricultura familiar como base fundamental para esse projeto, uma vez que esse tipo de produção é responsável por 84% da estrutura agrária. No momento é utilizado um percentual de mistura de biodiesel no diesel comum de 2%, o chamado B2, que a partir de 2008 será obrigatório. E com estimativa para 2012 de aumento para 5% de mistura, o B5.
O pais está em negociação direta com diversos paises da União Européia e principalmente com os E.U.A, a fim de obter investimento no setor e inserir a produção brasileira de biodiesel em escala mundial. Adriana afirma que atualmente a principal produtora é a Alemanha, responsável por 56% da produção européia de biocombustíveis. O intuito desses paises é diminuir a dependência de petróleo, e passar a utilizar outras fontes de energia. Como já acontece nos E.U.A, que têm um consumo de biodiesel de 5 bilhões de litros por ano e têm o objetivo de atingir até 2009 a casa dos 35 bilhões de litros.
Para que o Brasil possa investir na exportação dessa produção, é necessário aumentar a área plantada de cana-de-açúcar, para a obtenção do etanol, e das oleaginosas, que podem variar dependendo da região, sendo que no Sudeste o grão utilizado é a soja. A vantagem do País sobre os outros é a possibilidade de atender a crescente demanda devido à extensão territorial brasileira.
Para a economista, “o que o governo espera é levar essa produção para as áreas periféricas do Brasil, como Norte e Nordeste, para tratar da inclusão social e do crescimento da agricultura familiar. Para isso possivelmente ocorrerá um processo de isenção fiscal, retirando os impostos que incidem sob o produto final, como Pis/Confins e ICMS”.
Outra medida do governo é a criação do Selo Combustível Social que incentiva os grandes produtores a comprar parte da matéria prima da agricultura familiar. Com isso eles obtêm a desoneração de alguns tributos, a possibilidade de concorrência nos leilões de compra de biodiesel, e melhores condições de financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES.
Aliado a essas vantagens, vários estudos e pesquisas despontam com o objetivo de garantir a qualidade e averiguar o desempenho desse combustível nos motores e a redução de poluentes emitidos durante a combustão. Um dos pioneiros nesse assunto é o Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologia de Energia Limpa - LADETEL, da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, de coordenação do Prof. Dr. Miguel Dabdoub. Há mais de 10 anos Dabdoub trabalha nesse projeto que produz o biodiesel com várias espécies vegetais, testando-o em parceria com empresas privadas, como Peugettot, Citroen, Valtra, Coopercitrus, Fiat, Ford, Volkswagem, Delphi, Bosch, Esso e Texaco. Outro exemplo dessa parceria é com a Cia. de Bebidas Ipiranga, que instalou um posto dentro de sua fábrica para abastecer uma frota de 150 veículos. Segundo o departamento de meio ambiente da empresa, essa parceria teve duração de um ano e agora aguarda os resultados da pesquisa que divulgará os índices de redução na emissão de poluentes. Segundo Dabdoub, nos testes realizados não se observou perda de potência e rendimento nos motores, e uma economia de combustível nos veículos que utilizaram a mistura B50, com 50% de biodiesel, devido ao aumento da lubricidade do motor.
Por enquanto quatorze postos da Petrobrás (BR) estão comercializando o biodiesel em Ribeirão Preto, diz o Presidente do Sindicato de Derivados de Petróleo, René Abade. Os preços são equivalentes ao diesel comum e variam de R$1,76 a R$1,81 o litro.