Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Há três anos o NAI realiza projetos de responsabilidade social

Expediente

COTIDIANO

Evento de conscientização sobre cidadania mobiliza estudantes e jovens

Enchente um problema urbanístico

O significado da Páscoa: ritos e lucros

ESPORTE

Lula Ferreira aposta na conquista do pan-americano

O lado triste do futebol pentacampeão do mundo

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

TV digital corre o risco de não ter conteúdo por falta de profissional especializado

EDUCAÇÃO

Alunos de Jornalismo do Barão desenvolvem
projeto sobre a Casa das Mangueiras

Carlos Cezar Barbosa, um intelectual do direito

Especialização é moeda forte em mercado competitivo

CULTURA

Arte de grafitar:
da cultura hip-hop para as ruas

Dançarinos do Crazy Jam
participam de festival internacional

SAÚDE

Ausência de proteção solar aumenta casos de câncer de pele

Depressão é doença e requer respeito para tratamento

ECONOMIA

Brasil quer liderança em combustíveis renováveis

Bagaço da cana pode ser fonte elétrica do futuro

Gastos dos estudantes chegam
a 30 milhões de reais por mês

POLÍTICA

PAC lança medidas que beneficiarão população de baixa renda

CULTURA

Arte de grafitar: da cultura hip-hop para as ruas

Movimento tem como objetivo expor a personalidade por meio da arte

O grafiteiro Antônio Carlos Lima, conhecido como Ton. Exemplos da técnica do grafite.
Foto: David / Lorrane

Carla Barusco
Jane Désirée
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No Brasil, a cultura hip-hop e o grafite começaram a ser divulgados no início dos anos 80, em que artistas descobriram na rua um espaço mais democrático e acessível para expor sua crítica por meio da arte. Em Ribeirão Preto existem vinte artistas de faixa etária variada, que desenvolvem a arte do grafite. O grafiteiro, Antônio Carlos Lima, 35 anos, conhecido como Ton, desenvolveu o gosto pelo desenho com apenas 4 anos, assim que sua mãe faleceu, utilizando o grafite como elemento para suprimir a ausência dela. Ton explica que o grafite já foi classificado como pichação, já que as duas idéias representavam a mesma estética, enfeitar muros utilizando tintas de spray.
A diferença entre pichação e grafite está tanto nos fins quanto nos meios: os pichadores fazem uso ao patrimônio público ou privado, sem a autorização dos proprietários das áreas utilizadas e não há em seus trabalhos uma manifestação de técnicas reconhecíveis de pintura. Os grafiteiros, por sua vez, expressam sua forma de ver o mundo por meio da pintura, usando técnicas dela que se desenvolvem com o tempo. Porém, tanto o grafiteiro quanto o pichador têm a intenção de sair de sua comunidade de origem e marcar sua identidade visual relata Ton.
Ele também afirma que o preconceito a cerca da arte do grafite é relativo, “o que pode acontecer é de algumas pessoas por ignorância não entenderem a arte, e a mídia não ceder o espaço para divulgação”. Comentou que em 1993, o projeto Skol hip-hop, que aconteceu em Ribeirão Preto, foi um evento que reuniu aproximadamente 9 mil pessoas, em que grafiteiros de várias cidades do país foram convidados para grafitar no primeiro dia do evento. No dia seguinte ao realizar uma “arte gratuíta” (neste caso, grafitaram o outro lado do painel gratuitamente) chegou à polícia e enquadrou todos os grafiteiros que estavam no local. Disse ainda que apesar dos obstáculos, a sociedade irá se adaptar as mudanças e passará a ver a grafitagem realmente como arte. Citou como exemplo “Os Gêmeos” de São Paulo, que uma de suas obras está avaliada em aproximadamente U$32 mil.
A arte de Ton tem influência da figura de Pierrot, ele conta que a história de Pierrot é a história do palhaço triste, disse que as pessoas da sociedade são assim, todas têm suas alegrias e tristezas, com isso expõe nas ruas essas situações paradoxas da vida cotidiana. Seu personagem nas grafitagens nunca olha para as pessoas, está sempre indiferente e até em cenários surreais.
O artista é cristão e assina em suas obras a palavra de Deus. Crente de que Deus é amor e de que a sociedade contemporânea tem um problema sério, a falta de amor. Ele disse faltar incentivo à arte, por isso, desenvolve várias atividades paralelas: pintor de fachada, “trabalhei em agências de publicidade, escrevi para jornal, fiz programas de rádio e hoje sou tatuador. Há 12 anos faço grafitagem e ajudei a fundar o espaço cultural chamado 'Casa de Hip-Hop Ribeirão Preto', extinto. Atualmente existe o projeto 'De Cara', voltado ao segmento, onde uma oficina sobre o movimento é realizada no bairro Heitor Rigon, voltada à comunidade. Hoje a arte do hip-hop e o grafite já são bem reconhecidas, mas é preciso, respeitar os seus conceitos”, desabafa Ton.
Segundo a assistente social, Ana Paula Betti, 25 anos, que analisa a importância da cultura aos praticantes e a sociedade em geral, é essencial “eliminar todas as formas de preconceito, incentivando assim o respeito pela diversidade cultural. É necessária a participação de grupos socialmente descriminados para que através da arte possam expressar seus sentimentos e enriquecer nossa sociedade tornando-a cada vez mais democrática”.