| Carla
Barusco
Jane Désirée
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No Brasil, a cultura hip-hop
e o grafite começaram a ser divulgados no início
dos anos 80, em que artistas descobriram na rua um espaço
mais democrático e acessível para expor
sua crítica por meio da arte. Em Ribeirão
Preto existem vinte artistas de faixa etária
variada, que desenvolvem a arte do grafite. O grafiteiro,
Antônio Carlos Lima, 35 anos, conhecido como Ton,
desenvolveu o gosto pelo desenho com apenas 4 anos,
assim que sua mãe faleceu, utilizando o grafite
como elemento para suprimir a ausência dela. Ton
explica que o grafite já foi classificado como
pichação, já que as duas idéias
representavam a mesma estética, enfeitar muros
utilizando tintas de spray.
A diferença entre pichação e grafite
está tanto nos fins quanto nos meios: os pichadores
fazem uso ao patrimônio público ou privado,
sem a autorização dos proprietários
das áreas utilizadas e não há em
seus trabalhos uma manifestação de técnicas
reconhecíveis de pintura. Os grafiteiros, por
sua vez, expressam sua forma de ver o mundo por meio
da pintura, usando técnicas dela que se desenvolvem
com o tempo. Porém, tanto o grafiteiro quanto
o pichador têm a intenção de sair
de sua comunidade de origem e marcar sua identidade
visual relata Ton.
Ele também afirma que o preconceito a cerca da
arte do grafite é relativo, “o que pode
acontecer é de algumas pessoas por ignorância
não entenderem a arte, e a mídia não
ceder o espaço para divulgação”.
Comentou que em 1993, o projeto Skol hip-hop, que aconteceu
em Ribeirão Preto, foi um evento que reuniu aproximadamente
9 mil pessoas, em que grafiteiros de várias cidades
do país foram convidados para grafitar no primeiro
dia do evento. No dia seguinte ao realizar uma “arte
gratuíta” (neste caso, grafitaram o outro
lado do painel gratuitamente) chegou à polícia
e enquadrou todos os grafiteiros que estavam no local.
Disse ainda que apesar dos obstáculos, a sociedade
irá se adaptar as mudanças e passará
a ver a grafitagem realmente como arte. Citou como exemplo
“Os Gêmeos” de São Paulo, que
uma de suas obras está avaliada em aproximadamente
U$32 mil.
A arte de Ton tem influência da figura de Pierrot,
ele conta que a história de Pierrot é
a história do palhaço triste, disse que
as pessoas da sociedade são assim, todas têm
suas alegrias e tristezas, com isso expõe nas
ruas essas situações paradoxas da vida
cotidiana. Seu personagem nas grafitagens nunca olha
para as pessoas, está sempre indiferente e até
em cenários surreais.
O artista é cristão e assina em suas obras
a palavra de Deus. Crente de que Deus é amor
e de que a sociedade contemporânea tem um problema
sério, a falta de amor. Ele disse faltar incentivo
à arte, por isso, desenvolve várias atividades
paralelas: pintor de fachada, “trabalhei em agências
de publicidade, escrevi para jornal, fiz programas de
rádio e hoje sou tatuador. Há 12 anos
faço grafitagem e ajudei a fundar o espaço
cultural chamado 'Casa de Hip-Hop Ribeirão Preto',
extinto. Atualmente existe o projeto 'De Cara', voltado
ao segmento, onde uma oficina sobre o movimento é
realizada no bairro Heitor Rigon, voltada à comunidade.
Hoje a arte do hip-hop e o grafite já são
bem reconhecidas, mas é preciso, respeitar os
seus conceitos”, desabafa Ton.
Segundo a assistente social, Ana Paula Betti, 25 anos,
que analisa a importância da cultura aos praticantes
e a sociedade em geral, é essencial “eliminar
todas as formas de preconceito, incentivando assim o
respeito pela diversidade cultural. É necessária
a participação de grupos socialmente descriminados
para que através da arte possam expressar seus
sentimentos e enriquecer nossa sociedade tornando-a
cada vez mais democrática”.
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