| Leonardo
Marques Bernardes Corrêa
Marina Souza Carneiro
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A cidade de Ribeirão
Preto vem sofrendo nos últimos anos com as enchentes
no período das chuvas. Considerando como principal
“vilão” o aquecimento global, juntamente
com a poluição, tem-se outro fator importante
que contribui para o problema: a falta de planejamento
urbano.
O sistema de drenagem existente é insuficiente
para absorver grandes precipitações, associadas
à imper-meabilização dos centros
urbanos, ocorrida pela ocupação indiscriminada
e vias pavimentadas, gerando ausência de solo
e áreas verdes para a absorção
natural das águas.
Com o crescimento horizontal da cidade, seguido de impermeabilização
do solo, a água da chuva escorre para os córregos
e rios, devido ao asfaltamento de ruas e avenidas. Isso
aumenta a capacidade requerida dos cursos d'água,
ocasionando as enchentes. Estudos realizados pelo arquiteto
e urbanista Fernando Garrefa, concluem que se as áreas
urbanas não estivessem asfaltadas, cerca de 80%
da água da chuva seria filtrada e apenas 20%
iria para os córregos. Quando as vias são
pavimentadas 100% da água escorre para os córregos
aumentando a capacidade requerida dos rios, prejudicando
construções e zonas baixas da cidade.
Exemplos de má gestão urbana em Ribeirão
Preto são empreendimentos como Shoppings e Supermercados,
que possuem enormes áreas de solo impermeável,
e não são responsáveis por captar
sua água de chuva, conseqüente-mente essas
águas escorrem em grande quantidade para os córregos
da cidade.
Segundo o professor Garrefa, enchente é um problema
de gestão urbana, “porque permitiu que
bairros inteiros fossem construídos, aumentando
a cidade horizontalmente e impermeabilizando-a. No entanto
teria que ser feita uma política de planejamento,
uma legislação, por exemplo, para que
cada bairro captasse sua água de chuva durante
um período de tempo, para quando passasse esse
período, aí sim soltasse essa água
para os córregos e rios evitando as enchentes”,
explica.
De acordo com Garrefa um ótimo exemplo de boa
prática em urbanismo é o bairro Nova Aliança,
que se localiza atrás do Ribeirão Shopping.
Este bairro tem uma lagoa que segura a água da
chuva, e demora de 10 a 12 horas para encher, nesse
tempo a chuva já passou, o nível do rio
abaixou e ela começa a soltar água com
mais freqüência. Então a lagoa tem
que encher, o nível subir, pra depois descarregar
no córrego.
Para o engenheiro civil, Paulo André, a preocupação
e atenção maior aos novos empreendimentos
habitacionais devem partir dos órgãos
públicos, como prefeituras e órgãos
ambientais em planejar, emitir diretrizes e fiscalizar,
para que sejam construídos em áreas apropriadas,
planejadas e dotadas de sistema de drenagem.
O engenheiro ressalta a importância em considerar
a ocupação indiscriminada, sem planejamento
e a densidade extrema da ocupação, como
principais responsáveis pelas enchentes. “No
caso da urbanização, fazê-la com
planejamento, em áreas adequadas e dotadas de
sistema de proteção, de modo a compensar
a agressão natural e harmonizá-la com
o habitat local”, finaliza o engenheiro.
Muitos especialistas da área de urbanização
acreditam que o projeto mais viável para o momento
atual seja a construção de “piscinões”
para absorver e armazenar os volumes excedentes de água,
e também uma lei para que as construções
privadas, como prédios e condomínios providenciem
caixas para armazenamento das águas pluviais,
utilizando-as em lavações e outros serviços.
Entretanto, esses projetos só funcionariam com
a conscientização da população
em não jogar lixo nos rios, córregos,
canais de escoamento e principalmente nos bueiros, dando
condições para que os sistemas de drenagem
existentes funcionem.
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