Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

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Expediente

COTIDIANO

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EDUCAÇÃO

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CULTURA

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SAÚDE

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ECONOMIA

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POLÍTICA

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COTIDIANO

Enchente um problema urbanístico

Mal planejamento urbano e impermeabilização do solo são os principais causadores das enchentes em Ribeirão Preto

O sistema de drenagem existente em Ribeirão Preto não é suficiente para absorver grandes precipitações
Foto: David / Lorrane

Leonardo Marques Bernardes Corrêa
Marina Souza Carneiro
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A cidade de Ribeirão Preto vem sofrendo nos últimos anos com as enchentes no período das chuvas. Considerando como principal “vilão” o aquecimento global, juntamente com a poluição, tem-se outro fator importante que contribui para o problema: a falta de planejamento urbano.
O sistema de drenagem existente é insuficiente para absorver grandes precipitações, associadas à imper-meabilização dos centros urbanos, ocorrida pela ocupação indiscriminada e vias pavimentadas, gerando ausência de solo e áreas verdes para a absorção natural das águas.
Com o crescimento horizontal da cidade, seguido de impermeabilização do solo, a água da chuva escorre para os córregos e rios, devido ao asfaltamento de ruas e avenidas. Isso aumenta a capacidade requerida dos cursos d'água, ocasionando as enchentes. Estudos realizados pelo arquiteto e urbanista Fernando Garrefa, concluem que se as áreas urbanas não estivessem asfaltadas, cerca de 80% da água da chuva seria filtrada e apenas 20% iria para os córregos. Quando as vias são pavimentadas 100% da água escorre para os córregos aumentando a capacidade requerida dos rios, prejudicando construções e zonas baixas da cidade.
Exemplos de má gestão urbana em Ribeirão Preto são empreendimentos como Shoppings e Supermercados, que possuem enormes áreas de solo impermeável, e não são responsáveis por captar sua água de chuva, conseqüente-mente essas águas escorrem em grande quantidade para os córregos da cidade.
Segundo o professor Garrefa, enchente é um problema de gestão urbana, “porque permitiu que bairros inteiros fossem construídos, aumentando a cidade horizontalmente e impermeabilizando-a. No entanto teria que ser feita uma política de planejamento, uma legislação, por exemplo, para que cada bairro captasse sua água de chuva durante um período de tempo, para quando passasse esse período, aí sim soltasse essa água para os córregos e rios evitando as enchentes”, explica.
De acordo com Garrefa um ótimo exemplo de boa prática em urbanismo é o bairro Nova Aliança, que se localiza atrás do Ribeirão Shopping. Este bairro tem uma lagoa que segura a água da chuva, e demora de 10 a 12 horas para encher, nesse tempo a chuva já passou, o nível do rio abaixou e ela começa a soltar água com mais freqüência. Então a lagoa tem que encher, o nível subir, pra depois descarregar no córrego.
Para o engenheiro civil, Paulo André, a preocupação e atenção maior aos novos empreendimentos habitacionais devem partir dos órgãos públicos, como prefeituras e órgãos ambientais em planejar, emitir diretrizes e fiscalizar, para que sejam construídos em áreas apropriadas, planejadas e dotadas de sistema de drenagem.
O engenheiro ressalta a importância em considerar a ocupação indiscriminada, sem planejamento e a densidade extrema da ocupação, como principais responsáveis pelas enchentes. “No caso da urbanização, fazê-la com planejamento, em áreas adequadas e dotadas de sistema de proteção, de modo a compensar a agressão natural e harmonizá-la com o habitat local”, finaliza o engenheiro.
Muitos especialistas da área de urbanização acreditam que o projeto mais viável para o momento atual seja a construção de “piscinões” para absorver e armazenar os volumes excedentes de água, e também uma lei para que as construções privadas, como prédios e condomínios providenciem caixas para armazenamento das águas pluviais, utilizando-as em lavações e outros serviços.
Entretanto, esses projetos só funcionariam com a conscientização da população em não jogar lixo nos rios, córregos, canais de escoamento e principalmente nos bueiros, dando condições para que os sistemas de drenagem existentes funcionem.