| Marcela
Gomide
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Uma equipe de pesquisadores
do Instituto de Pesquisa em Saúde Mental de Victoria,
na Austrália, desenvolveu uma nova pílula
para combater o Mal de Alzheimer. A doença acomete
de 8 a 15% da população com mais de 65
anos e atinge cerca de um milhão de pessoas no
Brasil. Se tomada todos os dias, a droga conhecida como
PBT2 pode prevenir o acúmulo da proteína
amilóide, substância ligada à doença.
Testes realizados primeiramente em ratos apontam que
os níveis da proteína diminuíram
60% após uma única dose da medicação.
Além disso, o desempenho da memória das
cobaias aumentou significativamente no período
de cinco dias. Os testes em humanos devem começar
no ano de 2007, mas análises preliminares já
indicam que o medicamento não causa efeitos colaterais.
De acordo com o neurologista e Coordenador do Grupo
de Neurologia Comportamental do Hospital das Clínicas
de Ribeirão Preto, Francisco Vale, os estudos
para o aperfeiçoamento da nova técnica
ainda estão em andamento. “A expectativa
é que o medicamento seja comercializado em seis
anos, mas já podemos adiantar que ele virá
para trazer melhorias no dia-a-dia do paciente”,
afirma.
Expectativa
Com a possibilidade de cura, não são somente
os pacientes que poderão se aliviar com a regressão
da doença. A expectativa da dona-de-casa, Floripes
Ribeiro Ferreira, irmã de uma paciente com Alzheimer,
é que a vida da família volte ao normal.
“É esperançoso saber que teremos
um tratamento contra o avanço dessa doença.
Agora é preciso torcer para que ele seja de fácil
acesso”.
Para o neurologista, a expectativa é que o governo
adote a distribuição gratuita desse medicamento
para que ele possa ser de fácil acesso à
população. “Temos casos freqüentes
de medicamentos para Alzheimer que foi adotado pelo
governo para distribuição. Espero que
a pílula PBT2 seja um deles”, afirma.
Os pacientes com Alzheimer têm dificuldade com
o pensamento, com os padrões de comportamento
e na realização das atividades de vida
diária. De acordo com a psicóloga Marina
Gonçalves, o paciente vai se sentir estimulado
com a possibilidade do retardamento. “Sabendo
que existe uma esperança de cura, o paciente
vai se dedicar mais ao tratamento e, inconscientemente,
ajudar na sua reabilitação”, afirma.
A doença
O mal de Alzheimer é uma doença degenerativa
que destrói células cerebrais vitais,
afetando o funcionamento mental, pensamento, fala e
memória. A doença é a causa mais
comum do declínio intelectual no idoso e, em
aproximadamente, 50% dos casos de demência ocorrem
nessas pessoas. Sua característica principal
é a perda progressiva da memória. O paciente
que sofre com esse mal pergunta a mesma coisa centenas
de vezes, mostra sua incapacidade de fixar algo novo,
esquecendo as palavras.
O tratamento conforta o paciente e retarda o máximo
possível a evolução da doença.
Algumas drogas são úteis no início
da doença, e sua dose deve ser personalizada.
Em geral, a doença se instala em pessoas com
mais de 65 anos, mas existem pacientes com início
aos 40 anos, e relatos raros de início na infância,
provavelmente genético.
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