| Freda
Franchin
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Há, atualmente e
incontestavelmente, um verdadeiro culto ao corpo, à
estética e à saúde. A preocupação
com o corpo, principalmente entre os jovens, nunca esteve
tão em alta. Mais do que nunca, as pessoas lotam
academias de ginástica, clínicas de estéticas
e de cirurgia plástica, em busca de corpos perfeitos
e esculturais.
Nessa incessante busca pela perfeição,
os jovens que malham e freqüentam academias, ingerem
diariamente pílulas, shakes e barrinhas com altas
concentrações de proteínas, carboidratos
e outros nutrientes. São os chamados suplementos
alimentares ou suplementos esportivos ou ainda, suplementos
nutricionais, que se tornaram uma febre nas academias
de ginástica nos últimos anos. Suplemento
alimentar nada mais é do que a manipulação
de nutrientes para uso exclusivo da atividade física.
O uso de suplementos alimentares gera muita controvérsia
entre especialistas. Alguns acreditam na necessidade
de se ingerir algum suplemento para pessoas que praticam
qualquer atividade física, enquanto outros defendem
o uso somente para atletas profissionais, que gastam
mais de 3.000 calorias por dia. “Indivíduos
que se submetem a um programa de treinamento físico
muito intenso necessitam de quantidades maiores de nutrientes
do que indivíduos em treinamento moderado”,
ressalta Rodrigo Inouye Gouveia, professor de educação
física de uma academia e especialista em atividade
física para grupos especiais.
De acordo com Gouveia, dependendo da dieta, não
existe a necessidade do uso de suplementos alimentares,
“uma dieta equilibrada faz com que a necessidade
de nutrientes ideal seja alcançada, permitindo
um bom funcionamento do organismo e até melhoras
no rendimento esportivo, ” ressalta.
Uma questão muito comum é a relação
entre suplementos alimentares e anabolizantes, vulgarmente
conhecidos como “bombas”, mas de acordo
com Gouveia, eles são completamente diferentes.
Os suplementos são nutrientes, enquanto os anabolizantes
são hormônios, drogas, substâncias
sintéticas criadas em laboratórios. “Os
anabolizantes são remédios, que interferem
na função hormonal. Eles são utilizados
para aumentar o rendimento esportivo através
da aceleração de várias funções
do organismo, entre elas um maior trabalho do sistema
de crescimento muscular, devido a doses extras de hormônios”,
explica o educador físico.
O bacharel em direito, André Mishima, 24 anos,
freqüenta uma academia há quatro anos e
há três, faz uso de suplementos alimentares.
Ele conta que começou a tomar suplementos através
da indicação de um amigo e do vendedor
de uma loja especializada, mas logo depois procurou
uma endocrinologista para se certificar de que estava
tomando suplementos que realmente davam resultados.
“Atualmente tomo Whey Protein (proteína
extraída do soro do leite), Maltodextrina (complexo
de carboidrato) e BCAA (aminoácido), além
disso, malho todos os dias na academia, corro quatro
vezes por semana no parque Curupira e tenho uma alimentação
equilibrada. Suplemento não faz milagre, por
isso, deve ser associado a muito esforço e dedicação”,
afirma.
Fiscalização
A fiscalização desses produtos no Brasil
é feita pela ANVISA (Agência Nacional de
Vigilância Sanitária), mas considerando
que muitos fabricantes usam informações
errôneas ou enganosas para vender seus produtos,
sendo que muitas vezes até os hormônios
são comercializados como “suplementos alimentares,”
pode-se perceber que a fiscalização não
é exatamente eficiente. Muitos produtos comercializados
no País são importados dos Estados Unidos
e o órgão que faz o controle desses produtos
é o FDA (Food and Drug Administration), que está
em guerra contra a indústria dos suplementos
alimentares desde o começo de sua história,
direcionando todos seus esforços justamente para
evitar que os fabricantes enganem os consumidores de
suplementos alimentares, aumentando o fluxo de informação
nutricional para o público.
Considerado o suplemento de maior risco à saúde
e proibida pela ANVISA, a Efedrina é um estimulante
que age no sistema nervoso central, causando aumento
dos batimentos cardíacos e da pressão
arterial e é muito encontrada em produtos para
o emagrecimento. O Nutrólogo Ricardo Martins
Borges alerta para o perigo da efedrina no organismo.
“Estimulantes à base de efedrina causam
uma série de efeitos colaterais potencialmente
lesivos e prejudiciais à saúde, como irritação
gástrica e refluxo gastroesofágico”.
DICAS
- Procure uma nutricionista para saber a dosagem e a
forma correta de utilizar um suplemento. Além
de mais seguro, funciona melhor.
- Duvide de produtos que não apontam os princípios
ativos da fórmula e só utilizam apenas
o termo “poderosas substâncias” para
endossar sua eficácia.
- Certifique-se de que o produto que você pretende
comprar está registrado no Ministério
da Saúde.
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