| Julian
Cunha
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Em São Joaquim da
Barra, interior de São Paulo, um casal de idosos
luta para sobreviver. Assim como muitos brasileiros,
o aposentado José Moreira da Costa, 62 anos,
e sua esposa Maria Cardene Costa, 64 anos, passam por
dificuldades. O casal perdeu a residência que
possuía, passa por necessidades financeiras e,
atualmente, mora em um lugar completamente sem infra-estrutura,
nem sequer iluminação na casa improvisada.
Para José Moreira, o destino pregou-lhes uma
peça. “Morava com minha mulher em nossa
casa e lá estávamos instalados há
cerca de dez anos. Infelizmente durante este período,
o destino nos pregou uma peça, pois conhecemos
um casal que passava fome e vivia perambulando pelas
ruas da cidade. Nos comovemos com a situação
precária em que se encontravam e decidimos abrigá-los,
na intenção de ajudá-los e amenizar
o sofrimento que passavam. Porém, o casal, Genésio
Anésio da Silva e Sílvia Helena Francisco
Damasceno, teve uma atitude agressiva quando pedi para
que procurasse outro abrigo, já que estava instalado
em minha casa a tempo suficiente para arrumar trabalho
e outro local para viver”, afirma o aposentado.
Enquanto Moreira e sua esposa procuraram ajuda para
tirar Genésio e Sílvia que se hospedavam
em sua casa, este casal procurou um advogado e alegou
que a casa que viviam de favor pertencia a eles. Além
disso, Genésio e Sílvia demoliram a casinha
simples que José havia construído.
Quando Moreira e Maria tentaram voltar à sua
residência, eles foram tirados de lá por
uma oficial de justiça que alegou através
de uma liminar que o terreno fora vendido para o seu
vizinho através da empresa COBANDES S/A - Sociedade
Bandeirantes de Empreendimentos Sociais. Moreira e Maria
Cardene lutam há aproximadamente dois anos para
conseguirem novamente sua casa.
A expulsão
do casal
No dia 6 de junho de 2005, Genésio e Sílvia
entraram com o processo nº 2468/2004 pedindo à
Juíza de Direito da 1ª Vara Cível
da Comarca de São Joaquim da Barra, Maria Clara
Shmidt de Freitas, que desse a eles o direito de ficar
com a casa de José Moreira, alegando pertencer-lhes
o terreno, e propondo um acordo com a empresa COBANDES
S/A para adquirir a propriedade.
Além disso, o mesmo casal alegou ainda que havia
quitado uma dívida existente no imóvel
junto à Prefeitura Municipal da cidade, referente
ao IPTU, água e esgoto.
A advogada Daniela Olivatto Teixeira Mendonça,
soube do fato através de sua funcionária
do lar, que conhece o casal e lhes propôs ajudar,
sem custo algum. No dia 1º de agosto de 2005, a
advogada entrou com o processo nº 1535/05, alegando
que Genésio e Sílvia agiam de má
fé, pois José Moreira possuía alguns
documentos antigos de que a propriedade lhe pertencia
e alegou, ainda, que como José é aposentado,
ele é isento de IPTU. “Inclusive o imóvel
está cadastrado no nome de José Moreira
junto à Prefeitura Municipal de São Joaquim
da Barra, em uma declaração que pedi e
anexei ao processo”, afirma a advogada.
De acordo com Daniela, o processo demorou alguns meses
para ter sua conclusão e ficou decidido que o
terreno pertencia ao casal de aposentados. “Eles,
inclusive, demoraram tempo para poder retomar sua vida
normal, já que Genésio demoliu a casa
e o casal de aposentados teve de construí-la
novamente”, afirma Daniela.
A volta para casa
Quando José Moreira e sua esposa terminaram de
erguer a casa, tiveram de abandoná-la novamente
por ordem da Justiça. “Quando voltamos,
uma oficial de justiça nos tirou de nossa casa,
alegando que o terreno havia sido vendido para o vizinho
da frente. Choramos muito, somos humildes, e não
acreditávamos que isso pudesse ocorrer, pois
ainda acreditamos na bondade das pessoas”, afirma
Maria Cardene.
O casal Paulo César Soares de Oliveira e Selma
Cristina Rodrigues de Oliveira alegou ter adquirido
o terreno de Lote nº 224 da quadra 11, loteamento
denominado Residencial Espigão, localizado na
Rua Maria Conceição Pires Ferreira, nº
21, o mesmo terreno pertencente a José e Maria
Cardene.
De acordo com o novo casal, o terreno havia sido comprado
por Anadilma Garcia Ferreira Geraldes, que por sua vez
adquiriu o terreno da empresa COBANDES S/A.
“Entrei com outro processo, pois o contrato de
compra que o casal apresentou da empresa COBANDES S/A
não possuía registro em cartório.
Procurei pelo José Ailton Martins, de quem José
e Maria Cardene, alegam terem adquirido o imóvel,
pedi a ele uma declaração de venda e anexei
ao processo. Além disso, anexei antigos documentos
no nome do senhor José Moreira que o isentava
do IPTU. No entanto, o casal não pôde voltar
para sua casa”, afirma Daniela.
Paulo César e Selma alegaram ter quitado as dívidas
de IPTU, água e esgoto que José e sua
esposa possuíam, impedindo assim, a reintegração
do casal para sua residência.
Devido a isso, a casa de José Moreira e Maria
Cardene continua trancada e ninguém pode nela
residir até que haja uma resolução
dos processos na Justiça. O único caminho
que o casal encontrou foi ir para um terreno baldio
e morar em um barraco sem infra-estrutura, coberto por
uma lona cedida por Policiais Militares que se compadeceram
com a situação do casal. “Rezo todas
as noites para que alguém possa nos ajudar, pois
o que estou vivendo não desejo a ninguém.
Não temos o que comer, minha mulher tem bronquite
e a água da chuva que entra no barraco só
piora o estado dela”, afirma José Moreira.
Segundo uma matéria veiculada por um jornal impresso
da cidade, Jornal a Voz da Alta Mogiana, intitulada
“Fundo Social visita casal joaquinense que passa
por dificuldades”, a Presidente do Fundo Social
de Solidariedade da cidade, Sílvia Borges Nicolau,
e a advogada, Daniela Olivatto Teixeira Mendonça,
visitaram o casal.
De acordo com Sílvia Borges, o Fundo Social pretendia
construir uma pequena casa para abrigar o casal, porém
isso só seria possível através
da doação de alguém.
A advogada pretendia procurar pela Juíza da cidade,
com intenção de mostrar as condições
vividas pelo casal e tentar encontrar uma saída.
Nem que fosse por um tempo determinado, para que os
dois tivessem abrigo. No entanto, nada pôde ser
feito e o casal continua residindo embaixo de uma lona
e passando por inúmeras dificuldades.
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