Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Qual a função dos Diretõrios Acadêmicos?

Ribeirão Preto é a capital do Agronegócio

Expediente

DIREITOS HUMANOS

Começar do zero

A mudança está em suas mãos

Casal de idosos é vítima de descaso social

COTIDIANO

Festa de peão à brasileira

Semeando conscientização

As várias faces da mentira

Inadimplência entre os jovens

Projeto “Gira Recicla” inicia a
conscientização da importância de se reciclar

Barão de Mauá prepara-se para contratar
pessoas portadoras de deficiência

POLÍTICA

Que obrigações tem um governante?

Entenda como funcionam os procedimentos
para a escolha de um mesário nas eleições

EDUCAÇÃO

Alunos e professores nota 10 da Biomedicina

ESPORTE

Handebol Ribeirão/Mauá brilha nas quadras

SAÚDE

Geração vaidade

Alzheimer pode contar com novo tratamento

Ser voluntário é um ato de amor

CULTURA

Feira do livro de Ribeirão Preto

Arena Rock Festival 2006

COTIDIANO

Inadimplência entre os jovens

Descontrole financeiro é uma preocupação atual na sociedade

Dra. Maria Pacheco: “O desejo de comprar é maior que a organização de suas finanças”

Foto: Divulgação

Viviane de Carvalho
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É cada vez maior o número de inadimplentes, segundo especialista, e o preocupante é detectar que isso atinge principalmente os jovens.
Quem atualmente não vive uma crise financeira, já viveu ou teme passar por ela, pois, de acordo com o comprometimento mensal, os jovens não estão conseguindo administrar gastos, sendo assim o descontrole passou a fazer parte da vida daqueles que estão consolidando-se na vida profissional, bem como na vida financeira.
Em busca de qualificação profissional, muitos jovens estão ingressando na carreira universitária particular, pois todos acreditam ser um investimento que vale a pena. O desequilíbrio aparece quando o dinheiro somente sai e o retorno demora a aparecer. É nesse momento que se inicia o efeito “bola de neve”, o qual impossibilita o jovem inadimplente a pagar em dia seus cursos e suas despesas.
Paralelamente, esses jovens estão envolvidos no mundo consumista e, diante de tantas oportunidades de compras, mesmo sem verba disponível, o jovem consome mais do que precisa, o que é a mola propulsora do consumismo que corroe o bolso e a tranqüilidade de muitos.
O consumismo é um processo que favorece a compra desenfreada e, entre os jovens, há fatores que o tornam mais atrativo: é o que acontece com a estética e com a moda, pois, indiretamente, o jovem pensa que para ser aceito na sociedade tem que estar dentro dos padrões de beleza.

 

Qual será o futuro dos inadimplentes?
Os jovens são a categoria que mais vêm se desenvolvendo entre os inadimplentes, sendo assim, existe a preocupação de como serão os adultos de amanhã.
Segundo o professor de economia Helder Sebastião Alves dos Reis, o jovem inadimplente de hoje não necessariamente será o adulto desequilibrado financeiramente do amanhã. O professor recomenda que para reverter o mal diagnóstico econômico é fundamental a aplicação da “educação orçamentária”, que é um processo contínuo em que o amadurecimento e a formação profissional tendem a equilibrar também o controle sobre o dinheiro e saber se posicionar diante das situações. Para evitar a inadimplência, o aconselhável é tentar a negociação, muitas vezes é possível o refinanciamento e até conseguir descontos, mas, para isso, o professor explica “que depende da forma de concessão de crédito, da instituição e do tomador”.
Negociação foi a opção feita pela publicitária Claudia R. Silva. No momento em que começou o curso de publicidade, trabalhava na faculdade e, como funcionária, tinha bolsa. Durante o 1º ano, ela pagou a matrícula e a rematrícula cujo valor foi dividido e descontado do seu holerite. Mesmo com o baixo salário ela não desistiu. No ano seguinte, foi dispensada e, em conseqüência, perdeu a bolsa. Logo depois consegui um estágio, mas a bolsa-auxílio não dava para pagar a faculdade. Dessa forma, começou a sua dívida com a mantenedora e, para concluir o curso, segundo a publicitária, a opção foi negociar com o departamento financeiro e, mesmo após concluir o curso, Claudia continua pagando mensalmente.

 

Consumismo: um dos caminhos que levam para a inadimplência
Comprar não basta, é preciso adquirir sempre cada vez mais para não correr o risco de ficar por fora! Este é o princípio que prevalece na mente de muitos consumistas, mesmo aqueles que não se consideram, porém exercem as práticas de compra não se dando conta do rombo mensal.
Além do reflexo familiar, há outros fatores que contribuem na formação do consumista que é o que explica a psicóloga Dra. Maria Silvia Pacheco, “para alguns jovens, o desejo de sentir-se incluído na tribo, ou seja, usar o que os outros usam, fazer o que os outros fazem”. Essa busca favorece o perfil consumista que não questiona a utilidade do produto adquirido.
Silvia afirma que a mídia tem forte influência no consumismo, “pois, com a maçante exposição dos produtos, a aparente mágica que alguns deles oferecem atinge um ponto natural na adolescência, que é a insegurança. Muitas vezes há a ilusão de que se pode tudo ou quase tudo, em termos de consumismo, tendo, como conseqüência, outra ilusão, a segurança que dura até o próximo desejo de consumo”.
Silvia aborda uma questão filosófica “houve uma época em que a questão era, segundo Shakespeare ser ou não ser, eis a questão”, hoje a questão é: “ter ou não ter”.
Falando de inadimplência, caminhos para chegar a ela não faltam. Segundo o professor Helder, não é só o consumismo e as facilidades bancárias que levam à inadimplência. Fatores como: a falta de educação financeira, falta de controle de recursos, fonte insuficiente de fundos, todos esses elementos contribu-em para uma crise financeira.
Diante de tais elementos, é muito importante o controle rigoroso dos gastos, colocando em dia a prática da educação orçamentária. Somente após essa conduta, é possível pensar em ter a tão desejada estabilidade financeira.