| Viviane
de Carvalho
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É cada vez maior
o número de inadimplentes, segundo especialista,
e o preocupante é detectar que isso atinge principalmente
os jovens.
Quem atualmente não vive uma crise financeira,
já viveu ou teme passar por ela, pois, de acordo
com o comprometimento mensal, os jovens não estão
conseguindo administrar gastos, sendo assim o descontrole
passou a fazer parte da vida daqueles que estão
consolidando-se na vida profissional, bem como na vida
financeira.
Em busca de qualificação profissional,
muitos jovens estão ingressando na carreira universitária
particular, pois todos acreditam ser um investimento
que vale a pena. O desequilíbrio aparece quando
o dinheiro somente sai e o retorno demora a aparecer.
É nesse momento que se inicia o efeito “bola
de neve”, o qual impossibilita o jovem inadimplente
a pagar em dia seus cursos e suas despesas.
Paralelamente, esses jovens estão envolvidos
no mundo consumista e, diante de tantas oportunidades
de compras, mesmo sem verba disponível, o jovem
consome mais do que precisa, o que é a mola propulsora
do consumismo que corroe o bolso e a tranqüilidade
de muitos.
O consumismo é um processo que favorece a compra
desenfreada e, entre os jovens, há fatores que
o tornam mais atrativo: é o que acontece com
a estética e com a moda, pois, indiretamente,
o jovem pensa que para ser aceito na sociedade tem que
estar dentro dos padrões de beleza.
Qual será
o futuro dos inadimplentes?
Os jovens são a categoria que mais vêm
se desenvolvendo entre os inadimplentes, sendo assim,
existe a preocupação de como serão
os adultos de amanhã.
Segundo o professor de economia Helder Sebastião
Alves dos Reis, o jovem inadimplente de hoje não
necessariamente será o adulto desequilibrado
financeiramente do amanhã. O professor recomenda
que para reverter o mal diagnóstico econômico
é fundamental a aplicação da “educação
orçamentária”, que é um processo
contínuo em que o amadurecimento e a formação
profissional tendem a equilibrar também o controle
sobre o dinheiro e saber se posicionar diante das situações.
Para evitar a inadimplência, o aconselhável
é tentar a negociação, muitas vezes
é possível o refinanciamento e até
conseguir descontos, mas, para isso, o professor explica
“que depende da forma de concessão de crédito,
da instituição e do tomador”.
Negociação foi a opção feita
pela publicitária Claudia R. Silva. No momento
em que começou o curso de publicidade, trabalhava
na faculdade e, como funcionária, tinha bolsa.
Durante o 1º ano, ela pagou a matrícula
e a rematrícula cujo valor foi dividido e descontado
do seu holerite. Mesmo com o baixo salário ela
não desistiu. No ano seguinte, foi dispensada
e, em conseqüência, perdeu a bolsa. Logo
depois consegui um estágio, mas a bolsa-auxílio
não dava para pagar a faculdade. Dessa forma,
começou a sua dívida com a mantenedora
e, para concluir o curso, segundo a publicitária,
a opção foi negociar com o departamento
financeiro e, mesmo após concluir o curso, Claudia
continua pagando mensalmente.
Consumismo: um dos
caminhos que levam para a inadimplência
Comprar não basta, é preciso adquirir
sempre cada vez mais para não correr o risco
de ficar por fora! Este é o princípio
que prevalece na mente de muitos consumistas, mesmo
aqueles que não se consideram, porém exercem
as práticas de compra não se dando conta
do rombo mensal.
Além do reflexo familiar, há outros fatores
que contribuem na formação do consumista
que é o que explica a psicóloga Dra. Maria
Silvia Pacheco, “para alguns jovens, o desejo
de sentir-se incluído na tribo, ou seja, usar
o que os outros usam, fazer o que os outros fazem”.
Essa busca favorece o perfil consumista que não
questiona a utilidade do produto adquirido.
Silvia afirma que a mídia tem forte influência
no consumismo, “pois, com a maçante exposição
dos produtos, a aparente mágica que alguns deles
oferecem atinge um ponto natural na adolescência,
que é a insegurança. Muitas vezes há
a ilusão de que se pode tudo ou quase tudo, em
termos de consumismo, tendo, como conseqüência,
outra ilusão, a segurança que dura até
o próximo desejo de consumo”.
Silvia aborda uma questão filosófica “houve
uma época em que a questão era, segundo
Shakespeare ser ou não ser, eis a questão”,
hoje a questão é: “ter ou não
ter”.
Falando de inadimplência, caminhos para chegar
a ela não faltam. Segundo o professor Helder,
não é só o consumismo e as facilidades
bancárias que levam à inadimplência.
Fatores como: a falta de educação financeira,
falta de controle de recursos, fonte insuficiente de
fundos, todos esses elementos contribu-em para uma crise
financeira.
Diante de tais elementos, é muito importante
o controle rigoroso dos gastos, colocando em dia a prática
da educação orçamentária.
Somente após essa conduta, é possível
pensar em ter a tão desejada estabilidade financeira.
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