Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Qual a função dos Diretõrios Acadêmicos?

Ribeirão Preto é a capital do Agronegócio

Expediente

DIREITOS HUMANOS

Começar do zero

A mudança está em suas mãos

Casal de idosos é vítima de descaso social

COTIDIANO

Festa de peão à brasileira

Semeando conscientização

As várias faces da mentira

Inadimplência entre os jovens

Projeto “Gira Recicla” inicia a
conscientização da importância de se reciclar

Barão de Mauá prepara-se para contratar
pessoas portadoras de deficiência

POLÍTICA

Que obrigações tem um governante?

Entenda como funcionam os procedimentos
para a escolha de um mesário nas eleições

EDUCAÇÃO

Alunos e professores nota 10 da Biomedicina

ESPORTE

Handebol Ribeirão/Mauá brilha nas quadras

SAÚDE

Geração vaidade

Alzheimer pode contar com novo tratamento

Ser voluntário é um ato de amor

CULTURA

Feira do livro de Ribeirão Preto

Arena Rock Festival 2006

COTIDIANO

As várias faces da mentira

Especialistas acreditam que o ato de mentir é inerente ao ser humano

Dr. Toneto Jr.: “Promessas eleitorais tornam-se mentiras, somente após término do mandato”
Foto: Gustavo Clemente

Gustavo Clemente
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É difícil encontrar alguém que, durante a sua vida, nunca tenha faltado com a verdade, pelo menos uma vez. A mentira parece tão presente no dia-a-dia das pessoas que existe até um dia dedicado a ela: 1º de abril. Na Bíblia, ela ocupa o nono mandamento “não levantar falso testemunho” e é nela também, que se encontra um grande exemplo: o apóstolo Pedro, quando questionado pelos soldados romanos sobre a condição de ser um dos homens de Jesus, respondeu “Não, não sou!”.
O psicólogo Márcio Garde afirma que a mentira faz parte do cotidiano das pessoas e a classifica em três tipos: social, profissional e doentio. Para Garde, a social é a mais comum entre as pessoas e serve para dar desculpas, justificar atrasos ou a falta a um compromisso. A profissional é muito usada pelas empresas e prestadoras de serviço, para explicar a demora na entrega de uma mercadoria ou esconder um defeito mal resolvido em um equipamento. Segundo ele, a doentia é a pior de todas e chega a atrapalhar a vida das pessoas. “A mentira na vida do indivíduo chega a tal ponto que, em um determinado momento, ele começa a acreditar na própria mentira”, afirma.
Apesar de a mentira estar cada vez mais presente nos relacionamentos pessoais, é muito difícil encontrar alguém que assuma a condição de “mentiroso”. O jardineiro Antônio Barato Filho diz que até pode ter mentido, mas não se lembra. Já o auxiliar administrativo, Sebastião Alves Pereira, afirma que mente só por brincadeira. “Conto uma mentira, mas no mesmo momento, desminto”, e esclarece, “nunca deixei uma mentira prevalecer”.
Segundo o historiador e professor, Marcos Vieira de Almeida, a mentira é um fenômeno mundial e este hábito é mais comum entre a classe política. “A mentira não é um privilégio só nosso, ela é mundial. Existe desde os primórdios da humanidade” e acrescenta, “a classe política mente, mas mente de uma forma indireta, usando justificativas para esconder as supostas mentiras. Bush quando atacou o Iraque disse que fez isso por causa da quantidade de armas químicas que Saddam Hussein possuía”.
Um exemplo brasileiro de mentira eleitoreira foi quando, em campanha para a presidência da República, em 2002, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu que criaria 10 milhões de empregos em quatro anos de mandato. Passados três anos e oito meses, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista à revista Época de 14/8/2006, foram criados seis milhões de emprego, incluindo os informais e a agricultura familiar.
Para o doutor em economia, Rudinei Toneto Júnior, a proximidade entre as “mentiras” e “promessas” precisa ser tratada com bastante cautela, uma vez que a suposta mentira só se caracteriza depois de passado o mandato, quando se pode confrontar a proposta com a realização. “No caso específico dos 10 milhões de empregos, eu não considero uma mentira deliberada, ou seja, a meta poderia ser considerada factível. Acredito que, boa parte do resultado não foi alcançado em função do conservadorismo excessivo da política econômica, que, além de restringir muito o crescimento econômico, não possibilitou uma maior criação de empregos”.