| Gustavo
Clemente
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É difícil
encontrar alguém que, durante a sua vida, nunca
tenha faltado com a verdade, pelo menos uma vez. A mentira
parece tão presente no dia-a-dia das pessoas
que existe até um dia dedicado a ela: 1º
de abril. Na Bíblia, ela ocupa o nono mandamento
“não levantar falso testemunho” e
é nela também, que se encontra um grande
exemplo: o apóstolo Pedro, quando questionado
pelos soldados romanos sobre a condição
de ser um dos homens de Jesus, respondeu “Não,
não sou!”.
O psicólogo Márcio Garde afirma que a
mentira faz parte do cotidiano das pessoas e a classifica
em três tipos: social, profissional e doentio.
Para Garde, a social é a mais comum entre as
pessoas e serve para dar desculpas, justificar atrasos
ou a falta a um compromisso. A profissional é
muito usada pelas empresas e prestadoras de serviço,
para explicar a demora na entrega de uma mercadoria
ou esconder um defeito mal resolvido em um equipamento.
Segundo ele, a doentia é a pior de todas e chega
a atrapalhar a vida das pessoas. “A mentira na
vida do indivíduo chega a tal ponto que, em um
determinado momento, ele começa a acreditar na
própria mentira”, afirma.
Apesar de a mentira estar cada vez mais presente nos
relacionamentos pessoais, é muito difícil
encontrar alguém que assuma a condição
de “mentiroso”. O jardineiro Antônio
Barato Filho diz que até pode ter mentido, mas
não se lembra. Já o auxiliar administrativo,
Sebastião Alves Pereira, afirma que mente só
por brincadeira. “Conto uma mentira, mas no mesmo
momento, desminto”, e esclarece, “nunca
deixei uma mentira prevalecer”.
Segundo o historiador e professor, Marcos Vieira de
Almeida, a mentira é um fenômeno mundial
e este hábito é mais comum entre a classe
política. “A mentira não é
um privilégio só nosso, ela é mundial.
Existe desde os primórdios da humanidade”
e acrescenta, “a classe política mente,
mas mente de uma forma indireta, usando justificativas
para esconder as supostas mentiras. Bush quando atacou
o Iraque disse que fez isso por causa da quantidade
de armas químicas que Saddam Hussein possuía”.
Um exemplo brasileiro de mentira eleitoreira foi quando,
em campanha para a presidência da República,
em 2002, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
prometeu que criaria 10 milhões de empregos em
quatro anos de mandato. Passados três anos e oito
meses, segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
em entrevista à revista Época de 14/8/2006,
foram criados seis milhões de emprego, incluindo
os informais e a agricultura familiar.
Para o doutor em economia, Rudinei Toneto Júnior,
a proximidade entre as “mentiras” e “promessas”
precisa ser tratada com bastante cautela, uma vez que
a suposta mentira só se caracteriza depois de
passado o mandato, quando se pode confrontar a proposta
com a realização. “No caso específico
dos 10 milhões de empregos, eu não considero
uma mentira deliberada, ou seja, a meta poderia ser
considerada factível. Acredito que, boa parte
do resultado não foi alcançado em função
do conservadorismo excessivo da política econômica,
que, além de restringir muito o crescimento econômico,
não possibilitou uma maior criação
de empregos”.
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