| Olívia
Pereira
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A partir do segundo semestre
do ano, notícias sobre as festas de peão
e rodeios começam a se espalhar pelo território
nacional. Embalada com o tema, a pesquisadora Maria
Creuza Gonçalves, da Universidade de São
Paulo (USP), fez um estudo sobre as Festas do Peão
de Boiadeiro enquanto mercantilização
do lazer na sociedade caipira, com ênfase na região
de Ribeirão Preto. Segundo a estudiosa, a origem
da festa se deu pelo avanço do assalariamento
dos trabalhadores rurais. Assim, as práticas
de lazer foram também institucionali-zadas e
mercantilizadas pela indústria do entretenimento.
O estudo revela que as Festas do Peão de Boiadeiro,
mesmo as feitas em pequenas cidades, são produzidas
para atender a interesses de diferentes segmentos sociais,
o que revela complexidade das relações
sociais.
Com a institucionalização e internacionalização
das Festas de Peão e o Rodeio do Brasil, a partir
da década de 80, se deu a origem do rodeio e
da pecuária nas fazendas da Região da
Alta Mojiana, região de Ribeirão Preto.
Na mesma época, de acordo com Maria Creuza, acontece
o primeiro rodeio internacional no País, com
inovações que significavam, sobretudo,
a imposição de normas internacionais e
padronizadas para as Festas de Peão de Boiadeiro
e o Rodeio.
Para Jesús Martín-Barbero, pesquisador
da Comunicação e Cultura e um dos expoentes
nos Estudos Culturais contemporâneos, “a
festa não se constitui, contudo, por oposição
à cotidianidade; é, antes, aquilo que
renova seu sentido, como se a cotidianidade o desgastasse
e periodicamente a festa viesse a recarregá-lo
novamente, no sentido de pertencimento à comunidade”.
Segundo o pesquisador, a festa proporciona à
coletividade tempos periódicos para descarregar
as tensões, para desafogar o capital de angústia
acumulado e assegurar a fertilidade dos campos e dos
animais. O aspecto “Deformação”
é o responsável pelo fenômeno que
essas festas viraram atualmente. Assim, ocorre a transformação
da festa em espetáculo: algo que já não
é vivido, mas visto e admirado, e que deve ser
analisado.
Na conclusão de seu trabalho, Maria Creuza observa
que as estratégias de organização
das “Festas do Peão de Boiadeiro e o Rodeio
visam atender aos interesses de uma cidade mais estratificada
onde convivem, num mesmo tempo cronológico, várias
temporalidades”.
Crueldade
São muitas as manifestações de
técnicos quanto aos maus-tratos ou não
aos animais em rodeios. A maioria do material aborda
especialmente a questão dos sedéns, sendo
que a grande maioria de laudos, estudos e pareceres
abominam a utilização do apetrecho. A
professora Júlia Matera, presidente da comissão
de ética da Faculdade de Medicina Veterinária
e Zootecnia da Universidade de São Paulo, afirma
que “a utilização de sedém,
peiteiras, choques elétricos ou mecânicos
e esporas gera estímulos que produzem dor física
nos animais, em intensidade correspondente à
intensidade dos estímulos. Além da dor
física, esses estímulos causam também
sofrimento mental aos animais, uma vez que eles têm
capacidade neuropsíquica de avaliar que esses
estímulos lhes são agressivos, ou seja,
perigosos à sua integridade”.
Segundo a PEA (Projeto Esperança Animal), “existem
alguns pouquíssimos laudos que afirmam que os
animais nos rodeios não sofrem maus-tratos, entre
eles laudos provenientes da Unesp e da Universidade
de Uberlândia.
Barretos
Em Barretos, interior do Estado, acontece a
Festa do Peão mais famosa do Brasil. Reconhecida
como uma das maiores do mundo, é tradicionalmente
organizada e promovida pelo clube "Os Independentes".
A primeira festa aconteceu em 1955. Desde então
a festa ficou conhecida internacionalmente pela sua
gigantesca estrutura e alta qualidade dos peões,
cavalos e touros que ali se apresentam. "Os Independentes",
desde 1985, realizam a Festa em enorme parque cuja área
é de mais de 110 hectares, projetado pelo famoso
arquiteto Oscar Niemeyer, sendo que possui uma arena
de rodeio com capacidade para 35 mil pessoas. Esta grande
festa tem suas raízes no transporte de gado pelas
estradas de terra desde as pastagens de Minas Gerais,
Goiás e Mato Grosso, passando por Barretos em
direção aos frigoríficos desta
cidade. Os peões das "comitivas" que
levavam essas boiadas se reuniam no entardecer para
brincar de montar cavalos bravos, daí então
surgindo este costume.
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