Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Qual a função dos Diretõrios Acadêmicos?

Ribeirão Preto é a capital do Agronegócio

Expediente

DIREITOS HUMANOS

Começar do zero

A mudança está em suas mãos

Casal de idosos é vítima de descaso social

COTIDIANO

Festa de peão à brasileira

Semeando conscientização

As várias faces da mentira

Inadimplência entre os jovens

Projeto “Gira Recicla” inicia a
conscientização da importância de se reciclar

Barão de Mauá prepara-se para contratar
pessoas portadoras de deficiência

POLÍTICA

Que obrigações tem um governante?

Entenda como funcionam os procedimentos
para a escolha de um mesário nas eleições

EDUCAÇÃO

Alunos e professores nota 10 da Biomedicina

ESPORTE

Handebol Ribeirão/Mauá brilha nas quadras

SAÚDE

Geração vaidade

Alzheimer pode contar com novo tratamento

Ser voluntário é um ato de amor

CULTURA

Feira do livro de Ribeirão Preto

Arena Rock Festival 2006

COTIDIANO

Festa de peão à brasileira

Segundo estudiosos, o evento virou um espetáculo que já não é vivido, mas visto e admirado, e que deve ser analisado

Entidades protetoras defendem a tese de que, os pulos e os movimentos bruscos dos animais, são conseqüências dos maus-tratos sofridos por eles
Foto: Ricardo Missão

Olívia Pereira
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A partir do segundo semestre do ano, notícias sobre as festas de peão e rodeios começam a se espalhar pelo território nacional. Embalada com o tema, a pesquisadora Maria Creuza Gonçalves, da Universidade de São Paulo (USP), fez um estudo sobre as Festas do Peão de Boiadeiro enquanto mercantilização do lazer na sociedade caipira, com ênfase na região de Ribeirão Preto. Segundo a estudiosa, a origem da festa se deu pelo avanço do assalariamento dos trabalhadores rurais. Assim, as práticas de lazer foram também institucionali-zadas e mercantilizadas pela indústria do entretenimento.
O estudo revela que as Festas do Peão de Boiadeiro, mesmo as feitas em pequenas cidades, são produzidas para atender a interesses de diferentes segmentos sociais, o que revela complexidade das relações sociais.
Com a institucionalização e internacionalização das Festas de Peão e o Rodeio do Brasil, a partir da década de 80, se deu a origem do rodeio e da pecuária nas fazendas da Região da Alta Mojiana, região de Ribeirão Preto. Na mesma época, de acordo com Maria Creuza, acontece o primeiro rodeio internacional no País, com inovações que significavam, sobretudo, a imposição de normas internacionais e padronizadas para as Festas de Peão de Boiadeiro e o Rodeio.
Para Jesús Martín-Barbero, pesquisador da Comunicação e Cultura e um dos expoentes nos Estudos Culturais contemporâneos, “a festa não se constitui, contudo, por oposição à cotidianidade; é, antes, aquilo que renova seu sentido, como se a cotidianidade o desgastasse e periodicamente a festa viesse a recarregá-lo novamente, no sentido de pertencimento à comunidade”.
Segundo o pesquisador, a festa proporciona à coletividade tempos periódicos para descarregar as tensões, para desafogar o capital de angústia acumulado e assegurar a fertilidade dos campos e dos animais. O aspecto “Deformação” é o responsável pelo fenômeno que essas festas viraram atualmente. Assim, ocorre a transformação da festa em espetáculo: algo que já não é vivido, mas visto e admirado, e que deve ser analisado.
Na conclusão de seu trabalho, Maria Creuza observa que as estratégias de organização das “Festas do Peão de Boiadeiro e o Rodeio visam atender aos interesses de uma cidade mais estratificada onde convivem, num mesmo tempo cronológico, várias temporalidades”.

 

Crueldade
São muitas as manifestações de técnicos quanto aos maus-tratos ou não aos animais em rodeios. A maioria do material aborda especialmente a questão dos sedéns, sendo que a grande maioria de laudos, estudos e pareceres abominam a utilização do apetrecho. A professora Júlia Matera, presidente da comissão de ética da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, afirma que “a utilização de sedém, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas gera estímulos que produzem dor física nos animais, em intensidade correspondente à intensidade dos estímulos. Além da dor física, esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais, uma vez que eles têm capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos à sua integridade”.
Segundo a PEA (Projeto Esperança Animal), “existem alguns pouquíssimos laudos que afirmam que os animais nos rodeios não sofrem maus-tratos, entre eles laudos provenientes da Unesp e da Universidade de Uberlândia.

 

Barretos
Em Barretos, interior do Estado, acontece a Festa do Peão mais famosa do Brasil. Reconhecida como uma das maiores do mundo, é tradicionalmente organizada e promovida pelo clube "Os Independentes".
A primeira festa aconteceu em 1955. Desde então a festa ficou conhecida internacionalmente pela sua gigantesca estrutura e alta qualidade dos peões, cavalos e touros que ali se apresentam. "Os Independentes", desde 1985, realizam a Festa em enorme parque cuja área é de mais de 110 hectares, projetado pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer, sendo que possui uma arena de rodeio com capacidade para 35 mil pessoas. Esta grande festa tem suas raízes no transporte de gado pelas estradas de terra desde as pastagens de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, passando por Barretos em direção aos frigoríficos desta cidade. Os peões das "comitivas" que levavam essas boiadas se reuniam no entardecer para brincar de montar cavalos bravos, daí então surgindo este costume.