| Rafaela
Cardoso Maione
Nayana Leboys Ferreira
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O esporte para deficientes
começou a ser praticado na primeira década
do século XX, primeiramente para portadores de
deficiências auditivas e dez anos depois para
deficientes visuais. Mas foi após a Segunda Guerra
Mundial, em que foram mutilados muitos soldados, que
a prática de esportes para deficientes físicos
teve sua entrada significativa na sociedade.
Com isso os brasileiros estão se destacando nas
competições que valorizam os deficientes
físicos e mentais, e além do futebol,
tradicional esporte de conquistas brasileiras, eles
se destacam em vários outros.
O Professor de Educação Física
e Técnicas Desportivas, José Antônio
Monteiro Pereira, desenvolve em sua academia, em Ribeirão
Preto, um trabalho que pode ser definido como treinamento
para desenvolvimento recuperativo progressivo (TDRP),
uma forma de trabalho de acompanhamento individual,
que antes passa por uma fase de avaliação
completa do aluno, com todos os objetivos gerais e específicos
que necessita.
Desde 2003, José Antônio começou
a desenvolver esse trabalho com algumas pessoas que
tiveram, ou têm, algumas deficiências físicas,
que não praticavam nenhuma atividade.
“Trabalho com pessoas de diversas idades, desde
um garoto de oito anos, o Cristofer, até o Sr.
Otávio de Freitas, de 86 anos, a forma de trabalho
pode ser de Personal Trainer, ou um trabalho chamado
Treino Personalizado, em que atendo até sete
pessoas por hora, cada um com seu trabalho específico,”
diz José Antônio.
São desenvolvidos trabalhos bem direcionados
a cada caso, sendo a Coordenação Motora
Geral a base deles, e depois vem a coordenação
motora fina ou específica, o equilíbrio,
a resistência muscular, os alongamentos e a força
dinâmica e isométrica. “Estes trabalhos
combinados darão uma grande capacidade para que
o aluno observe e sinta uma evolução geral
de melhorias que ele deseja, podendo habilitá-lo
a desenvolver uma atividade física mais independente,
ajudando-o até a começar um esporte que
ele possa praticar de uma maneira básica nível
iniciante ou adaptado”, completa o professor.
“Fico muito contente quando um aluno consegue
desenvolver ações que ele tinha imensas
dificuldades em realizar, e algumas pessoas ainda não
davam grande importância ou atenção,
deixando estes alunos com deficiências à
margem das atividades, mas com o tempo todos observam
as grandes melhorias que estas pessoas conseguem atingir
e logo percebem que elas também podem fazer parte
de uma sociedade em que todos são iguais,”
conclui José Antônio.
Íria Maria Tarlá, 55 anos, é aluna
de José Antônio e, devido à orientação
médica, deu início a uma atividade física
para melhorar a saúde em primeiro lugar e desenvolver
a coordenação motora, pois teve problemas
sérios neuro-lógicos quando criança
devido a um tombo. “Nunca tive oportunidade de
fazer esporte algum e hoje sinto que posso fazer até
caminhadas na esteira e na rua.”
Íria conta que se sente ótima fazendo
os treinamentos em geral, e diz que seus efeitos para
a sua recuperação estão sendo ótimos
também, sempre de forma evolutiva. “O profissional
que me acompanha faz um trabalho muito bom, ele é
ótimo e tem muita paciência, por isso está
dando certo o treinamento,” conclui Íria
Maria.
Em Ribeirão Preto há alguns projetos desportivos
que visam ajudar de alguma forma no tratamento dessas
defi-ciências. Na Cava do Bosque pessoas que sofrem
de deficiência podem praticar aulas de natação
e basquete sobre rodas.
“O esporte auxilia não só na recuperação
e na fisioterapia, mas traz também de volta a
alegria e a integridade do deficiente”, diz Wellington
Henrique Barbara, Coordenador do Projeto Desportivo
para Deficientes da Cava.
Wellington tem 33 anos, é casado e pai de dois
filhos. Além de coordenar o projeto, ministra
aulas gratuitas de basquete sobre rodas na Cava do Bosque.
As aulas acontecem 2as, 4as e 6as das 18 às 20
h e a equipe já conta com 18 alunos cadeirantes
que participam de vários campeonatos, entre eles
o Campeonato Paulista. “As equipes são
sempre mistas e todos competem com muita gana”,
diz o coordenador que sofreu infecção
na medula aos 15 anos e ficou cerca de seis anos sem
andar. Após aceitar sua situação
de deficiente físico, Wellington começou
a fazer natação na Cava. Seu trabalho
é voluntário e ele só conta financeira-mente
com R$ 350,00 mensais da sua aposentadoria por invalidez.
Hoje em dia consegue caminhar - ainda com alguma dificuldade
sem apoio de muletas e só se senta em alguma
cadeira de rodas quando participa dos jogos de basquete
sobre rodas. “A minha evolução foi
incrível, eu só sinto falta de poder correr.
Mas já estou satisfeito em poder andar, nadar,
andar de bicicleta e ter uma vida normal.”
A maior dificuldade de manter o projeto é a falta
de patrocínio e colaboração de
quem poderia ajudar, mas não ajuda. A Secretaria
do Esporte patrocina as equipes somente para participar
de campeonatos dando transporte e alimentação
nos dias dos jogos, mas Wellington afirma que os cadeirantes
precisam de ajuda financeira contínua. Os deficientes
reclamam também dos problemas encontrados no
transporte urbano, pois nem todas as linhas possuem
carros adaptados para subir cadeira de rodas, e mesmo
sem pagar a passagem eles acabam passando por situações
constrangedoras de pedir para outros os ajudarem a entrar
e sair do ônibus.
Modalidades esportivas
Arco e flecha: Portadores
de deficiência física, em pé ou
sentados em cadeira de rodas, participam em competições.
Atletismo: Atletas portadores
de deficiências visuais e físicas. Os competidores
são agrupados em classes e disputam com adversários
com deficiência igual ou semelhante. Aos deficientes
visuais é permitida a utilização
de sinais acústicos ou guias para assisti-los.
Basquete sobre rodas: Jogado
por paraplégicos, amputados e atletas com poliomielite.
Os regulamentos são praticamente os mesmos do
convencional, com algumas adaptações:
a cada dois movimentos com a cadeira o atleta tem que
quicar pelo menos uma vez a bola no chão; colocar
o pé no chão ou levantar da cadeira é
falta.
Bocha: Atletas com paralisia
cerebral lançam a bola o mais perto possível
da bola branca.
Ciclismo: Atletas com paralisia
cerebral, amputados e deficientes visuais recebem colaboração
de guias.
Equitação:
Atletas com paralisia cerebral, deficientes físicos,
mentais e visuais são assistidos com comando
de voz.
Esgrima: Atletas em cadeira
de rodas, amputados e também os portadores de
paralisia cerebral. Todos competem fixos ao solo e têm
movimentos livres.
Futebol para atletas com
paralisia cerebral: As regras têm algumas modificações,
entre elas o número de jogadores (7), largura
do gol, marca do pênalti, inexistência de
impedimento e dimensão menor do campo. A partida
é dividida em dois tempos de 25 minutos, com
intervalo de 10 minutos.
Judô: Reservado para
atletas masculinos, portadores de deficiência
visual.
Natação: Para
deficientes físicos e visuais, que têm
permissão de receber aviso do treinador ao se
aproximar da borda.
Tênis: Praticados
por pessoas em cadeira de rodas. A bola pode quicar
duas vezes, a primeira dentro da quadra.
Voleibol: É praticado
por atletas amputados e lesados medulares em duas categorias:
sentados e em pé.
Fonte: www.amputadosvencedores.com.br
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