Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Compromisso com a qualidade do Ensino Superior

Destaque

TV digital: o que muda em relação à qualidade?

Expediente

COTIDIANO

Projeto social dedica-se aos
cuidados com animais domésticos

Universitários participam de Congresso em
São Bernardo do Campo

Grupo Folclórico Barão de Mauá
faz renascer a cultura regional

Um novo significado para Voluntariado

ESPORTE

Esportes adaptados às deficiências

MEIO AMBIENTE

Os vilões do clima

O Avanço do Biodiesel no Brasil

A Terra só conseguirá preservar a água com consciência social e uso racional

Comitês Hidrográficos lutam pela preservação da água

EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Informação aumenta,
mas ao mesmo tempo confunde

Comitê de Ética em Pesquisa

CIDADANIA

Diferentes sim, incapazes não

VI Gincana Verde e Branco

ATUALIDADE

À espera de um código de ética

O processo de repasse de verbas a uma entidade social

Perigo dentro de casa

5º Festival da Comunicação
da Barão de Mauá

COTIDIANO

Um novo significado para Voluntariado

As organizações não-governamentais deixaram de ter um sentido meramente caritativo para evidenciar uma nova postura cidadã

Rodolfo Barbosa
Fernando Borges
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O voluntariado sempre nasce de um impulso pessoal, solidário e de forte caráter emocional, em direção ao fortalecimento de uma sociedade civil mais autônoma. Não desobrigando o Estado de suas funções e responsabilidades, o cidadão assume a sua parcela na condução de suas ações e pela defesa aos interesses e necessidades coletivas. Segundo recente pesquisa quantitativa, realizada pelo ISER (Instituto de Estudos de Religião) em 2005, 22,6% dos adultos no Brasil doam alguma parte de seu tempo para realizar ações voluntárias em instituições ou para ajuda de pessoa física fora de suas relações mais próximas.
A Sociedade São Vicente de Paulo é uma dessas instituições, movimento católico internacional de leigos, fundada em Paris, na França, no ano de 1833, por Antônio Frederico Ozanam e alguns outros companheiros. Colocada sob o patrocínio de São Vicente de Paulo, inspira-se no pensamento e na obra deste Santo do séc. 17, esforçando-se, sob o influxo da justiça e da caridade, para aliviar os sofrimentos do próximo, mediante o trabalho coordenado de seus membros, “Reunimo-nos em conferência (grupos de no máximo quinze pessoas) semanalmente por duas horas para tratar dos problemas das famílias por nós assistidas, através de doação de alimentos, roupas, calçados, remédios entre outras coisas”, relata Juliana Cristina de Castro, secretária da conferência vicentina de Santos Reis.
A manutenção de todas essas atividades sempre foi um grande obstáculo para essa entidade, “Mantemo-nos exclusivamente de doações espontâneas pessoais, em arrecadações diretas nas casas, nas missas e através de promoções e bazares feitos por nós; não recebemos nenhuma ajuda de órgãos públicos”, descreve Juliana.
No Brasil, a tradição do voluntariado sempre esteve presente, seja na forma de doação de dinheiro ou de tempo de trabalho. No entanto, a partir dos últimos anos, está ocorrendo um processo de transformação em seu significado e em sua lógica de atuação, agora sem distinções de pessoas, ganhando maior profundidade e abrangência.
Nesse novo contexto, encaixa-se o CVV (Centro de Valorização da Vida), um programa de apoio às pessoas abaladas emocionalmente e previne o suicídio de muitos desconsolados que ligam para o CVV. O Centro caracteriza-se por ser um movimento filantrópico, civil, sem fins lucrativos e desvinculado de religiões e de políticas ideo-lógicas.
“O sofrimento que eu tive na vida despertou o interesse em trabalhar como voluntária, ser útil para outras pessoas e, assim, o ingresso no CVV foi natural”, conta Zinéia Furlan, que trabalha como ouvinte no Centro. Assim como acontece com a sociedade São Vicente de Paulo, sustentar toda essa estrutura isenta é um desafio diário para o CVV. “O preço da nossa autonomia, de ser totalmente livre de interferências é alto, haja promoção (venda de pizzas, lasanhas etc.) e donativo”, diz Zinéia.
Historicamente associado a um trabalho de caráter religioso, assistencialista e de ajuda às pessoas carentes e menos favorecidas, o voluntariado caminha agora em direção à expressão de uma ética da solidariedade e participação cidadã. A motivação por valores como da caridade, compaixão e amor ao próximo junta-se à motivação por valores como cidadania e participação responsável, consciente e comprometida com a comunidade, tanto dos indivíduos como das instituições.