| Rogéria
Gamba
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Olhares curiosos estão
hipnotizados, em meio a movimentos de roupas coloridas.
Uma alegria contagiante é notória. Adultos
voltam ao passado e crianças têm a oportunidade
de conhecer um pouco de sua cultura. Jovens, que trabalham
de dia, estudam à noite e ainda conciliam o tempo
para manter viva a cultura na região Sudeste
do Brasil, assim é o Grupo Folclórico
Barão de Mauá.
Com quatro anos de existência, o Grupo é
formado por 34 alunos dos cursos de Geografia, História
e Pedagogia da Barão.
O projeto é pioneiro entre os universitários
da cidade e a idéia surgiu, em 2002, através
de um workshop do curso de História, quando a
professora Maria Luci C. Panazzolo sugeriu aos alunos
que fizessem algo sobre o tema. Segundo ela, vários
fatores contribuem para que as crianças e os
jovens de hoje não se interessem por sua cultura,
como a influência norte-americana, a TV que apresenta
uma programação pouco regional e a própria
falta de incentivo nas escolas. “Não há
mais espaço na grade curricular para que os alunos
aprendam a cantar, dançar, pintar, declamar e
representar. Hoje não há necessidade de
ser criativo, o computador é por nós”,
comenta.
Só esse ano, já foram mais de dez apresentações,
como o Aniversário dos 40 anos da Barão
de Mauá, o IV Festival do Folclore de Cravinhos,
a Semana da Pátria em Santa Rosa do Viterbo,
a 6ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão
Preto e o VI Workshop de Geografia e História
da Mauá, evento com sucesso de público
na apresentação da peça teatral
“A Saga do Povo Guarani”.
O Grupo Folclórico Barão de Mauá
apresenta além de danças folclóricas
brasileiras, teatro, poesia e danças de salão.
Uma das integrantes, a estudante do curso de História,
Talita F. de Sousa, que participa há dois anos,
entrou para o Grupo, porque gosta muito de dançar
e queria conhecer um pouco das danças típicas
de outras regiões do Brasil. “Hoje, participar
do Grupo Folclórico Barão de Mauá
é muito importante para mim, pois além
de manter viva a cultura regional, posso utilizar todo
o conhecimento adquirido com os meus futuros alunos,
preservando dessa forma a cultura”, relata.
Um pouco do folclore brasileiro
Comemorado no dia 22 de agosto, o folclore surgiu no
Brasil através das misturas de raças entre
índios e imigrantes como os portugueses, africanos,
italianos e alemães.
O personagem mais conhecido dessa manifestação
popular é o Saci-Pererê, menino negro de
apenas uma perna que usa um gorro vermelho, fuma cachimbo
e aparece e desaparece misteriosamente. Seu objetivo
principal é assustar as pessoas que tentam destruir
as florestas.
Uma das festas marcantes do folclore brasileiro é
o carnaval, que acontece todos os anos com desfiles
das escolas de samba, trios elétricos e danças
em salões.
Devido ao crescimento das cidades, as manifestações
folclóricas têm ocorrido cada vez menos,
principalmente nas regiões Sul e Sudeste, mas
no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país, as
tradições continuam vivas. Na opinião
da aluna do curso de história e integrante do
Grupo Folclórico Barão de Mauá,
Eva N. Ribeiro, “a cultura regional tem morrido
em muitos lugares, pois muitos jovens só se interessam
por aquilo que faz sucesso, o que é considerado
moderno, buscando a cultura de países do primeiro
mundo”, afirma. Já para o seu colega, Rogério
L. Baldini, “Existe uma aculturação
muito forte por parte do governo brasileiro que não
se preocupa em trazer cultura e lazer ao jovem”,
finaliza.
A história
do folclore
O termo “folclore”
foi criado pelo anglo-saxão, William John Thoms
no fim do século XIX. Pesquisador da cultura
européia, Thoms uniu os vocábulos ingleses
“folk” (povo) e “lore” (conhecimento),
formando assim o “folklore”, que significa
“conhecimento popular”. No Brasil, após
a reforma ortográfica de 1934, a letra “k”
e o hífen, foram eliminados, tornando-se então,
“folclore”. Segundo o “Minidicionário
da Língua Portuguesa”, escrito pelo Prof.
Francisco Bueno, a palavra é definida como o
conjunto das tradições, conhecimentos
ou crenças populares expressas em provérbios,
contos ou canções; conjunto das canções
populares de uma época ou região; estudo
e conhecimento das tradições de um povo,
expressas em suas lendas, crenças, canções
e costumes”.
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