| Marcela
Gomide
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Ao andar pelas ruas, você
já deve ter notado um cachorro abandonado, faminto
e com frio e, mesmo assim, sendo maltratado pelas pessoas
que não se sensibilizam com a situação.
Considerando que o abandono de animais é um problema
que deve ser resolvido em conjunto com a comunidade,
o Conselho Municipal de Defesa e Proteção
dos Animais (COMDEA), em parceria com o curso de Medicina
Veterinária do Centro Universitário Barão
de Mauá, lançou o projeto “Meu Amigo
Bicho na Escola”. A iniciativa é da médica-veterinária
Flávia Canello e da profª Elsie Rossi.
Lançado oficialmente em junho deste ano, o projeto
visa estimular crianças e jovens de 4 a 14 anos
a cuidarem de seus animais domésticos, especialmente
cães e gatos. Para isso, os estudantes de medicina
veterinária da Barão de Mauá percorrem
várias escolas públicas de Ribeirão
para conscientizar as crianças sobre os cuidados
e deveres que se deve ter com os bichos de estimação.
O projeto, que tem o apoio do Núcleo de Apoio
Institucional (NAI), pretende percorrer, por tempo indeterminado,
todas as escolas municipais, além da própria
Barão de Mauá (Barãozinho e Ensino
Médio).
Para o supervisor dos alunos de veterinária e
coordenador do projeto, Gelson Genaro, “a idéia
é explicar às crianças que os cães
e gatos abandonados sofrem descaso e podem se tornar
um sério problema à saúde pública
na cidade”.
Durante as visitas, que são agendadas previamente,
os estudantes distribuem um folder com explicações
sobre os cuidados com animais domésticos. “Além
disso, realizam uma palestra de 50 minutos, passam um
filme e promovem uma descontraída conversa”,
afirma Genaro.
Segundo o coordenador do projeto, são mais de
um milhão de cães e cerca de 220 mil gatos
deixados nas ruas da cidade de São Paulo. Segundo
ele, de 50 cães recolhidos das ruas, 40 são
sacrificados. De acordo com a prefeitura municipal,
em 2005, Ribeirão Preto possuía cerca
de 7 mil animais errantes. Os números de 2006
ainda não foram levantados. “O objetivo
é fazer com que esses números diminuam,
para evitar que animais sejam sacrificados e causadores
de doenças”, afirma Genaro.
Os cães e os gatos, quando vivem nas ruas sem
cuidados de saúde, podem transmitir doenças
aos humanos, como leptospirose, leishmaniose, toxoplasmose,
bicho geográfico (larva migrans cutânea),
entre outras. Além disso, a maioria desses animais
abandonados apresenta sérios problemas de ansiedade.
“Quando um cão é abandonado, ele
é exposto ao estresse de ter que se relacionar
com os demais cães errantes das redondezas, onde
podem acontecer disputas por liderança, por fêmeas
no cio e por comida”, explica o médico-veterinário,
Márcio Heber Gomide Júnior.
Além disso, existem diversas doenças pertinentes
aos animais que são transmitidas por contato
entre eles. São elas: parvovirose, cinomose,
hepatite infecciosa canina, leptospirose, problemas
dermatológicos (sarna e carrapatos), entre outras.
Um outro grave problema de saúde pública
é a raiva, uma doença viral mortal, transmitida
pela saliva de animais doentes. “Todo animal de
sangue quente é susceptível ao vírus;
o cão e o gato, pela proximidade à sociedade
humana, são considerados possíveis transmissores
da raiva”, afirma o veterinário.
Dados extraídos do site do Kennel Club apontam
que no último ano o número de cães
abandonados no Brasil dobrou. Há pouco tempo,
a maioria desses cães abandonados ainda não
tinha raça definida. Hoje isso mudou, estando
próximo de 50%. As raças poodle, cocker
spaniel, pastor alemão, rottweiler e fila estão
entre as que têm maior índice de rejeição.
Como prevenir?
Levando em consideração que o abandono
de animais está ligado diretamente às
questões de saúde pública e à
falta de consciência cidadã, a esterilização
de animais domésticos, associada à adoção,
é um dos meios fundamentais para controlar a
natalidade e evitar o descaso da população.
Além disso, é importante conscientizar
a população sobre a importância
dos animais na natureza como ser vivo.
A educação da sociedade também
é uma das principais medidas para se evitar o
abandono de animais. O conceito de posse responsável
deve ser disseminado em todos os níveis econômicos
e culturais da sociedade humana. Adotando um animal,
o dono passa a ser o responsável legal por ele,
devendo responder por sua saúde e também
por seus atos a terceiros. Por isso, abandonar um animal
na rua, além de comprometer a saúde da
sociedade, pode ser sentença de morte para o
bicho abandonado.
Denuncie!
Praticar maus-tratos contra
animais é crime previsto no art. 3º do Decreto
Federal 24.645/34. Se você presenciar alguém
abandonando ou maltratando um animal, pode ligar para
a Associação Vida Animal de Ribeirão
Preto (AVA), no telefone: 3632.1054. Além disso,
qualquer cidadão que presenciar crueldades contra
animais pode se dirigir à delegacia mais próxima
para fazer sua denúncia, de preferência
amparado por provas ou testemunhas.
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