| Ana
Carla Alves
Anna Vitória Sartori
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A deficiência física
é um assunto que há muito tempo gera discussões
no âmbito social. São diversas as campanhas
realizadas com o interesse de acabar com o preconceito
e a discriminação que ainda estão
presentes na sociedade.
A falta de informação entre as pessoas
sobre como lidar com portadores de deficiência
é grande, mas a conscientização
se faz necessária e a cidade de Ribeirão
Preto se encarrega de fazer a sua parte.
O Centro de Apoio e Referência ao Portador de
Deficiência existe em Ribeirão desde 2003.
É uma seção da Secretaria Municipal
da Cidadania, cedida pela Prefeitura Municipal, onde
são realizados projetos de Desenvolvimento Social
para a inclusão dos portadores de deficiência
na sociedade.
O Centro é coordenado pela Assistente Social
Maria Aparecida Catalan, juntamente com uma equipe de
funcionários capacitados, atendendo 800 pessoas
ao mês.
Atualmente, o Centro desenvolve quatro projetos que
visam à melhoria e bem-estar dos deficientes
físicos. Projeto de Inclusão Social, especificamente
o Transporte Coletivo: trata-se da distribuição
de um cartão eletrônico para os portadores
de deficiência usarem no transporte coletivo de
Ribeirão Preto com a isenção das
tarifas.
O segundo projeto também está relacionado
com o transporte, beneficiando os usuários de
cadeiras de roda: consiste na adaptação
das vans que circulam na cidade para facilitar o transporte
dessas pessoas. Os dois projetos contam com a parceria
da Secretaria da Cidadania, TRANSERP e Secretaria da
Saúde.
Existe também o projeto de Inclusão ao
Mercado de Trabalho, que compreende a preparação
das pessoas portadoras de deficiência para que
possam ingressar no mercado de trabalho. O último
projeto trata do Apoio de Acompanhamento Familiar às
famílias que possuem deficientes físicos
em casa.
Para Maria Aparecida, a única dificuldade em
realizar esses trabalhos é fazer com que as pessoas
se conscientizem de que o portador de deficiência
deve ser incluído na sociedade. “Essa mobilização
junto à sociedade é que precisamos fazer
todos os dias, aproveitando, inclusive, a imprensa para
mostrar que essas pessoas são cidadãos
comuns como outro qualquer”, comenta.
Diferente das demais casas de apoio que possuem atendimento
médico dentro do próprio local, como Apae
e Cantinho do Céu, o trabalho realizado na seção
é feito no sentido de estar incluindo e lutando
pela garantia dos direitos do deficiente. Possui um
orçamento próprio e não conta com
a presença de voluntários, são
todos funcionários de carreira da prefeitura,
com alguns estagiários da área de Serviço
Social.
“Estamos sempre na luta para que a igualdade de
oportunidades aconteça, fazendo isso através
da inclusão social”, diz Maria Aparecida.
A implantação
de novos projetos
A Assistente Social Maria Aparecida diz que o próximo
passo é a distribuição de selos
para os carros de deficientes físicos “sendo
àqueles que estão dirigindo ou alguém
que esteja levando o deficiente, mas que precisa do
selo no carro para estacionar com maior facilidade em
Ribeirão Preto”, comenta.
“Estão sendo elaborados estudos para que
estes selos sejam distribuídos mediante uma legislação
junto aos órgãos de trânsito, previsto
para o final deste ano”, completa Maria Aparecida.
O Centro de Apoio também tem em vista prestar
assessoria às demais Entidades com pessoas portadoras
de deficiência, além de realizar atividades
culturais dentro do órgão, mas, para isso,
é necessária a ampliação
do local.
Reintegrando o elo
da deficiência à sociedade
De acordo com a assistente social, Ribeirão Preto
já possui vias com rampas para facilitar o transporte
dos deficientes e este ano serão construídas
outras, nos bairros onde elas não são
encontradas.
Ainda é necessária a implantação
de sinais sonoros, com as técnicas específicas
aos deficientes auditivos e visuais, mas isso não
é uma necessidade somente da cidade de Ribeirão
e sim, de todo o País. “O país está
sofrendo uma mudança de paradigma mesmo, é
direito das pessoas com deficiência ter o acesso
à sociedade e nós, o poder público,
somos os responsáveis em favorecer esse acesso”,
relata Maria Aparecida.
Faz parte do Centro de Apoio o Conselho Municipal de
Promoção e Integração da
Pessoa com Deficiência - COMPPID, sobre o qual
são realizadas reuniões mensais que tratam
da problemática de pessoas com deficiência.
A presidente do Conselho, Sandra Rosângela Gonçalves,
é mãe de Erick, de oito anos, portador
de paralisia, uma deficiência múltipla.
Ela conta como se tornou membra do Conselho, não
apenas por causa da doença do filho, mas pela
necessidade de abraçar uma causa como essa, “a
família deve estar sempre junta, seguindo e defendendo
o seu direito, não adianta ficar em casa reclamando
que nada acontece se ela não participar”.
Para Sandra, as dificuldades encontradas ainda são
muitas, principalmente a falta de conscientização
das pessoas “o deficiente físico apesar
de ter a deficiência, não o torna incapaz”,
comenta.
De acordo com a presidente do Conselho, desde o início
do projeto, já foram encaminhados para o mercado
de trabalho cerca de 30 pessoas. “O deficiente
ainda se encontra dentro de casa, sentindo-se desqualificado
por não ter um impulso, principalmente na educação
para qualificar melhor o seu currículo”,
afirma Sandra. “Nossa esperança é
que se abram mais vagas, porém as exigências,
muitas vezes, são muito rigorosas, e o que esquecemos
é que essas pessoas, no passado, não tiveram
uma oportunidade ou o incentivo necessário para
prepará-los”, conclui.
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