Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Compromisso com a qualidade do Ensino Superior

Destaque

TV digital: o que muda em relação à qualidade?

Expediente

COTIDIANO

Projeto social dedica-se aos
cuidados com animais domésticos

Universitários participam de Congresso em
São Bernardo do Campo

Grupo Folclórico Barão de Mauá
faz renascer a cultura regional

Um novo significado para Voluntariado

ESPORTE

Esportes adaptados às deficiências

MEIO AMBIENTE

Os vilões do clima

O Avanço do Biodiesel no Brasil

A Terra só conseguirá preservar a água com consciência social e uso racional

Comitês Hidrográficos lutam pela preservação da água

EDUCAÇÃO E CIÊNCIA

Informação aumenta,
mas ao mesmo tempo confunde

Comitê de Ética em Pesquisa

CIDADANIA

Diferentes sim, incapazes não

VI Gincana Verde e Branco

ATUALIDADE

À espera de um código de ética

O processo de repasse de verbas a uma entidade social

Perigo dentro de casa

5º Festival da Comunicação
da Barão de Mauá

CIDADANIA

Diferentes sim, incapazes não

Profissionais de Ribeirão Preto se unem em uma causa nobre: a integração de deficientes à sociedade

A Presidente do COMPPID Sandra Rosângela e seu filho Erick no Centro de Apoio ao Deficiente
Foto: Anna Vitória Sartori

Ana Carla Alves
Anna Vitória Sartori
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A deficiência física é um assunto que há muito tempo gera discussões no âmbito social. São diversas as campanhas realizadas com o interesse de acabar com o preconceito e a discriminação que ainda estão presentes na sociedade.
A falta de informação entre as pessoas sobre como lidar com portadores de deficiência é grande, mas a conscientização se faz necessária e a cidade de Ribeirão Preto se encarrega de fazer a sua parte.
O Centro de Apoio e Referência ao Portador de Deficiência existe em Ribeirão desde 2003. É uma seção da Secretaria Municipal da Cidadania, cedida pela Prefeitura Municipal, onde são realizados projetos de Desenvolvimento Social para a inclusão dos portadores de deficiência na sociedade.
O Centro é coordenado pela Assistente Social Maria Aparecida Catalan, juntamente com uma equipe de funcionários capacitados, atendendo 800 pessoas ao mês.
Atualmente, o Centro desenvolve quatro projetos que visam à melhoria e bem-estar dos deficientes físicos. Projeto de Inclusão Social, especificamente o Transporte Coletivo: trata-se da distribuição de um cartão eletrônico para os portadores de deficiência usarem no transporte coletivo de Ribeirão Preto com a isenção das tarifas.
O segundo projeto também está relacionado com o transporte, beneficiando os usuários de cadeiras de roda: consiste na adaptação das vans que circulam na cidade para facilitar o transporte dessas pessoas. Os dois projetos contam com a parceria da Secretaria da Cidadania, TRANSERP e Secretaria da Saúde.
Existe também o projeto de Inclusão ao Mercado de Trabalho, que compreende a preparação das pessoas portadoras de deficiência para que possam ingressar no mercado de trabalho. O último projeto trata do Apoio de Acompanhamento Familiar às famílias que possuem deficientes físicos em casa.
Para Maria Aparecida, a única dificuldade em realizar esses trabalhos é fazer com que as pessoas se conscientizem de que o portador de deficiência deve ser incluído na sociedade. “Essa mobilização junto à sociedade é que precisamos fazer todos os dias, aproveitando, inclusive, a imprensa para mostrar que essas pessoas são cidadãos comuns como outro qualquer”, comenta.
Diferente das demais casas de apoio que possuem atendimento médico dentro do próprio local, como Apae e Cantinho do Céu, o trabalho realizado na seção é feito no sentido de estar incluindo e lutando pela garantia dos direitos do deficiente. Possui um orçamento próprio e não conta com a presença de voluntários, são todos funcionários de carreira da prefeitura, com alguns estagiários da área de Serviço Social.
“Estamos sempre na luta para que a igualdade de oportunidades aconteça, fazendo isso através da inclusão social”, diz Maria Aparecida.

 

A implantação de novos projetos
A Assistente Social Maria Aparecida diz que o próximo passo é a distribuição de selos para os carros de deficientes físicos “sendo àqueles que estão dirigindo ou alguém que esteja levando o deficiente, mas que precisa do selo no carro para estacionar com maior facilidade em Ribeirão Preto”, comenta.
“Estão sendo elaborados estudos para que estes selos sejam distribuídos mediante uma legislação junto aos órgãos de trânsito, previsto para o final deste ano”, completa Maria Aparecida.
O Centro de Apoio também tem em vista prestar assessoria às demais Entidades com pessoas portadoras de deficiência, além de realizar atividades culturais dentro do órgão, mas, para isso, é necessária a ampliação do local.

 

Reintegrando o elo da deficiência à sociedade
De acordo com a assistente social, Ribeirão Preto já possui vias com rampas para facilitar o transporte dos deficientes e este ano serão construídas outras, nos bairros onde elas não são encontradas.
Ainda é necessária a implantação de sinais sonoros, com as técnicas específicas aos deficientes auditivos e visuais, mas isso não é uma necessidade somente da cidade de Ribeirão e sim, de todo o País. “O país está sofrendo uma mudança de paradigma mesmo, é direito das pessoas com deficiência ter o acesso à sociedade e nós, o poder público, somos os responsáveis em favorecer esse acesso”, relata Maria Aparecida.
Faz parte do Centro de Apoio o Conselho Municipal de Promoção e Integração da Pessoa com Deficiência - COMPPID, sobre o qual são realizadas reuniões mensais que tratam da problemática de pessoas com deficiência.
A presidente do Conselho, Sandra Rosângela Gonçalves, é mãe de Erick, de oito anos, portador de paralisia, uma deficiência múltipla. Ela conta como se tornou membra do Conselho, não apenas por causa da doença do filho, mas pela necessidade de abraçar uma causa como essa, “a família deve estar sempre junta, seguindo e defendendo o seu direito, não adianta ficar em casa reclamando que nada acontece se ela não participar”.
Para Sandra, as dificuldades encontradas ainda são muitas, principalmente a falta de conscientização das pessoas “o deficiente físico apesar de ter a deficiência, não o torna incapaz”, comenta.
De acordo com a presidente do Conselho, desde o início do projeto, já foram encaminhados para o mercado de trabalho cerca de 30 pessoas. “O deficiente ainda se encontra dentro de casa, sentindo-se desqualificado por não ter um impulso, principalmente na educação para qualificar melhor o seu currículo”, afirma Sandra. “Nossa esperança é que se abram mais vagas, porém as exigências, muitas vezes, são muito rigorosas, e o que esquecemos é que essas pessoas, no passado, não tiveram uma oportunidade ou o incentivo necessário para prepará-los”, conclui.