| Thais
Guimarães
Rosane Providelo
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Assim como todas as profissões,
o Jornalismo necessita de um Código de Ética.
Entre os vários esforços dos jornalistas
para a conquista, o primeiro passo foi em 1969, quando
desenvolveram um Decreto para regulamentação
do exercício do jornalismo. Nele, já se
exigia o diploma para o exercício da profissão.
A partir daí foi criada a Federação
Nacional dos Jornalistas (Fenaj) que tem levado à
frente as atualizações do Código
de Ética do Jornalista, entretanto este código
nunca foi colocado efetivamente em vigor. Em agosto
de 2004, ele foi atualizado durante o XXI Congresso
Nacional dos Jornalistas na Paraíba.
Percorrendo todos os trâmites necessários,
o Projeto do (novo) código de Ética dos
jornalistas foi vetado pelo presidente Lula. Essa atualização
objetiva alterar a norma que regulamenta a profissão
de jornalista para adequá-la aos tempos modernos,
as alterações propostas poderão
corrigir os dispositivos que se encontram em descompasso
com o novo tempo.
Sérgio Murilo de Andrade, presidente da Fenaj,
alega que o ponto-chave do código "é
a definição dos objetivos da profissão
e a determinação do que pode ou não
pode ser feito por um jornalista no exercício
profissional. Deve também indicar as penas e
o processo de julgamento de eventuais deslizes éticos".
De início o que ele vê é a necessidade
de uma mudança urgente que seria, "em relação
à tipificação da utilização
de métodos ilícitos para obter informação
(gravador escondido, falsa identidade, câmara
oculta, grampos etc.) e a normatização
de algumas especificidades: manipulação
digital de imagens e indicações para a
conduta do assessor de imprensa".
Vetado integralmente pelo Presidente Lula, em 26 de
julho, o projeto do Novo Código de Ética
do Jornalista Brasileiro, aprovado pelo Congresso Nacional
e de autoria do deputado Pastor Amarildo (PSC-TO) causou
muita polêmica.
O projeto ampliava de 11 para 23 as atividades que deveriam
ser exercidas por profissionais com diploma de jornalismo.
O diploma passaria a ser obrigatório para fotógrafo,
comentarista, locutor, cinegrafista, arquivista, assessor
de imprensa ou ilustrador, entre outras funções.
Para André Marangon, 26 anos, formado em Relações
Públicas pela Unesp de Bauru, editor-chefe do
jornal O Movimento da cidade de Pirassununga, interior
de São Paulo, há quatro anos atuando como
jornalista, o Novo Código de Ética torna-se
inviável, já que considera que a nova
regulamentação da profissão tornaria
muito limitada a informação a ser passada.
“Muitos bons profissionais que não têm
o diploma de formação em jornalismo não
poderia mais passar seus vastos conhecimentos aos leitores.
Penso que isso prejudica a carga educativa e explicativa
que, na minha opinião, todo jornal deve ter”,
afirma o relações públicas que
adquiriu o MTB - registro de jornalista profissional
- por meio da liminar de 2002 que passava crédito
de jornalista aos profissionais que não se formaram
na graduação em jornalismo mas que já
tinham experiência na área.
O veto do presidente segue agora para o Congresso Nacional
onde terá que ser aprovado ou rejeitado pelos
deputados e senadores. O projeto dividiu opiniões
no setor de comunicação.
A organização não-governamental
internacional Repórteres sem Fronteira considerou
“perigosa” a proposta. A Associação
Internacional de Radiodifusão (AIR), a Associação
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
(Abert) e a Associação Nacional de Jornalistas
(ANJ) também se manifestaram contrários
à proposta e argumentaram que ela seria uma forma
de controlar a mídia. Já a Federação
Nacional dos Jornalistas e vários sindicatos
de jornalistas defenderam o projeto, alegando que o
Novo Código proporcionaria uma reserva de mercado
para os profissionais com diploma.
Assim como acredita, Alexandre Xavier, 35 anos, formado
pela USP de São Paulo, que atua como assessor
de imprensa e que recentemente adquiriu um jornal, considera
o projeto imprescindível para que a profissão
não seja tão ridicularizada. “Tem
muita gente que bate no peito e se diz jornalista e
não entende nada da profissão. Sai por
aí escrevendo muita bobeira que os leitores acabam
acreditando. Os leitores não são obrigados
a receber tantas informações inverídicas.
Um bom jornalista jamais veicula uma informação
sem ser devidamente checada” - afirmou o assessor
de imprensa. Para ele, o Código jamais se trans-formaria
numa forma de controlar a mídia. Ele pensa que,
ao invés de controlar, o projeto proporcionaria
uma melhor qualidade das informações a
serem veiculadas.
A própria Fenaj está em negociação,
"após o veto estamos discutindo, com a mediação
da CUT, uma solução para os históricos
conflitos de regulamentação com os radialistas.
Se houver um consenso, vamos acionar a comissão
proposta pelo Ministério do Trabalho e negociar
uma nova legislação profissional com as
empresas. É um longo caminho e vamos precisar
de todo o apoio, especialmente dos futuros profissionais",
informa Sérgio Murilo de Andrade, presidente
do órgão.
Se aprovado, o projeto poderá prejudicar e favorecer
diferentes lados. Os jornalistas formados em universidades
seriam favorecidos, já os profissionais de outras
áreas que aproveitam de seu conhecimento e experiência
na área para trabalharem como jornalistas, seriam
prejudicados.
O estagiário de jornalismo na Rádio São
Joaquim, Estevão Henrique Porto, 20 anos, considera
que o Novo Código de Ética, como tudo
o que é feito para fiscalizar, ajudará
a melhorar a democracia da profissão de jornalista.
Para ele, o projeto não causaria o controle da
mídia. “Mesmo se houvesse alguma cláusula
no projeto que pudesse causar o controle da mídia,
os profissionais de jornalismo dariam um jeito de driblar,
usando como fontes ótimos especialistas do assunto
a ser tratado”, afirmou o estudante do 4º
ano de Jornalismo.
Por fim, um outro ponto crucial e que tem gerado discussões
no meio jornalístico é a respeito da liberdade
de imprensa que, segundo Sérgio Murilo, "código
não é lei. Portanto o que pode garantir
é o sistema legal do país e uma postura
firme da sociedade, especialmente dos jornalistas na
defesa da verdadeira liberdade de imprensa. Porque o
que temos, hoje, no Brasil é liberdade de empresa".
E em nota de protesto, a Fenaj até se manifestou
em relação à liberdade de empresa',
"a verdadeira ameaça à liberdade
de expressão e de imprensa não é
a regulamentação da profissão dos
jornalistas. É, isto sim, o alto grau de concentração
da propriedade privada na mídia, o conluio com
elites políticas nos Estados e no Congresso Nacional
e a hegemonia, no mercado de comunicação,
de um único grupo, a Rede Globo".
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