| Mariana
Bruno da Silveira
Thiago Julião
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Está nos dicionários:
grupo; parte homogênea de um conjunto em uma determinada
classificação; conjunto de pessoas com
atividades, comportamentos, atitudes ou objetivos em
comum. Foi baseada nessa definição que,
há um ano, a auxiliar administrativa, Lídia
Augusto de Castro, de 32 anos, moradora em Batatais,
teve a idéia de convidar os amigos para criar
um grupo de voluntários.
O projeto “Viver Bem o Amanhã” conta
25 abnegados, sendo 10 colaboradores efetivos e os demais,
prestam ajuda indiretamente, de forma esporádica.
Dentre os participantes, há cabeleireiros, comerciantes,
auxiliares administrativos, empresários e um
engenheiro civil. Diferentes segmentos profissionais
que trabalham por um mesmo objetivo: ajudar o próximo.
E como nem sempre é possível ajudar uma
cidade inteira, a estratégia acaba sendo escolher
uma comunidade mais carente, como foi o caso da região
onde fica a rua vereador Jácomo Rossini, conhecida
como antiga estrada do Matadouro, em Batatais.
De acordo com o voluntário do projeto, o engenheiro
civil Geraldo Antonelli, de 32 anos, a escolha pelo
local ocorreu através de uma antiga empregada
doméstica, que trabalhou na casa da Lídia
e que residia no local. Isso a colocou em contato com
os moradores, e assim, constatou-se uma grande concentração
de famílias em difícil situação
socioeconômica.
O controle do número de beneficiados é
feito pelo grupo e pela prefeitura. São, em média,
330 crianças de 65 famílias. Não
há como precisar o número exato, devido
à rotatividade de agregados que chegam e deixam
esses núcleos familiares.
Uma das iniciativas mais aguardadas pelos moradores
da antiga estrada do matadouro, é a sopa, idéia
pioneira do projeto, que atualmente, é servida
aos sábados, em local provisório: o escritório
do engenheiro.
As ações não se restringem à
alimentação. O projeto também busca
matar a fome de cultura. Durante todo o ano são
promovidas seções de vídeo, atividades
de recreação, festa junina e outros eventos
comemorativos, sempre com o suporte do voluntariado.
“Na realidade, a sopa não é o principal
para nós, porque temos a consciência que
não basta só dar o alimento, mas também
condições para que a pessoa busque de
uma forma digna seu sustento e sinta-se valorizada”,
destaca Antonelli.
O projeto é mantido integralmente pelos voluntários,
por pessoas próximas aos colaboradores, integrantes
da comunidade e, às vezes, com a ajuda de clubes
de serviços (Lyons e Rotary). Durante o ano também
são promovidos rifas e bazares de materiais,
móveis e roupas, frutos de doações.
Ainda segundo Antonelli, o grupo estuda o desenvolvimento
de cursos profissionalizantes, aulas de prevenção
a doenças sexualmente transmissíveis (DST),
além de conservação e manutenção
de alimentos. “É para motivar essas pessoas,
dar também oportunidade, para não colaborar
com o que chamo de comodismo sócia”.
O próximo passo será transformar o grupo
em uma ONG (Organização Não-Governamental),
para que o projeto ganhe força e consiga um local
apropriado para a distribuição da sopa.
O maior obstáculo é a escassez de colaboradores
efetivos. “Faltam pessoas que estejam comprometidas
e não apenas envolvidas. A prática de
atos solidários, como o voluntariado, não
beneficia apenas quem recebe, mas também quem
realiza. Nos dá uma sensação de
que somos úteis. Nada paga um carinho, um abraço
incondicional de uma criança”, revela Antonelli.
Essa “troca” também foi sentida no
depoimento de dona Maria das Graças de Oliveira,
de 57 anos. Dona de casa humilde que luta para sobreviver.
“É ótimo o trabalho deles. Aqui
nós precisamos muito. As crianças também
são ajudadas. Meu filho de 12 anos ganhou um
curso de computação, graças a eles”.
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