Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Barão 40 anos (1)

Barão 40 anos (2)

Expediente

150 anos RP

150 ou 153 anos?

Cidade da Comunicação

Nem tudo é festa

COTIDIANO

União de esforços

Top 100!

4º Arraiá da
Barão de Mauá

CIÊNCIA e TECNOLOGIA

Intercâmbio de conhecimento

Palavras do mestre

Revista científica Dialogus foi lançada
na X Semana de Estudos
de História e Geografia

Barão de Mauá comemora 40 anos
com missa, teatro, festa e inauguração de duas bibliotecas

COMPORTAMENTO

Bares verdes e amarelos

Ambição positiva

ESPORTE

Futsal no Pan 2007

Quero ser craque!

SAÚDE

HC 50 anos

Colesterol e as doenças no coração

150 anos RIBEIRÃO PRETO

Nem tudo é festa

Ribeirão Preto comemora 150 anos de progressos e de problemas

Museu do Café: símbolo dos áureos tempos
Foto: Divulgação

Thais Ferreira Guimarães
Ana Vitória Sartori
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O momento é de festa, afinal não é todo dia que uma cidade chega aos 150 anos de vida. Ao longo desse um século e meio de existência, Ribeirão Preto já colecionou vários títulos: Capital do Café, Capital da Cultura, Capital do Chopp, e, mais recentemente, Capital do Agronegócio. Alguns desses nomes vieram para ficar. Outros nem tanto. Acabaram esquecidos, ao longo da história de desenvolvimento econômico da cidade.
A acolhedora Ribeirão Preto, atualmente, com cerca de 551 mil habitantes, segundo o IBGE, também viu surgirem problemas que, ainda hoje, fazem parte de sua rotina. Um deles é o excesso de migração. Milhares de pessoas que vieram para o nordeste paulista à procura de oportunidades de emprego, principalmente voltados à mão-de-obra do corte da cana-de-açúcar, e que nem sempre conquistaram seus objetivos. Um dos motivos que tornaram Ribeirão Preto atrativa aos migrantes foi o rótulo de “Califórnia Brasileira”. Um termo criado pela mídia e que se espalhou pelos rincões do Brasil.

 

Migração e demanda
A conta é simples. Quanto mais gente desembarcando para ficar em Ribeirão Preto, maiores os gastos por parte do poder público. De acordo com estudo do pesquisador, Carlos Roberto Campello, da Faculdade de Economia e Administração da USP/RP (FEA), hoje, o orçamento da Prefeitura Municipal, de Ribeirão Preto, para 2006, apresenta um déficit de quase 10%, ou seja, cerca de R$ 63 milhões, segundo dados da Secretaria Municipal da Fazenda. “Na prefeitura de Ribeirão Preto, gastar mais do que se arrecada sempre foi um problema histórico”. Segundo Campello, o aumento da demanda gera o aumento das despesas públicas. O setor de saúde é um exemplo. Isso, de alguma forma, faz cair a qualidade dos serviços públicos prestados à população”. Ainda segundo o pesquisador, o desequilíbrio dos cofres públicos reforça a necessidade de se arrecadar mais. Aí vem a questão tributária. “Para arrecadar mais é preciso aumentar impostos. É a maior fonte de recursos da prefeitura. À medida que esse quadro evolui, a cidade vai perdendo competitividade, em relação às outras regiões de São Paulo e do País. Ribeirão Preto, definitivamente, não é mais a Califórnia Brasileira, e muito menos a Califórnia Paulista”, observa.

 

Crescimento desordenado
Outro problema que se agravou, ao longo desses 150 anos, foi o que se chamou de expansão urbana desordenada. Segundo o arquiteto e urbanista, José Antônio Lanchoti, na década de 80, Ribeirão Preto sofreu uma explosão na área central. "Esse interesse foi despertado pelos seguidos planos econômicos. Aos poucos, parte da população que dispunha de um alto poder aquisitivo começou a procurar edifícios altos, apoiados no conceito de segurança (...) Com isso, as casas do centro que antes despertavam grande interesse, começaram a dar espaço às edificações altas. Um casarão onde moravam cinco pessoas de repente torna-se um prédio com diversos andares e em cada andar diversas pessoas, que moram no local que antes era habitado pelas cinco pessoas", exemplifica Lanchoti.
Mas se isso acontecer em todos os terrenos da cidade? Segundo Lanchoti, isso geraria graves problemas à população. “Assim a administração pública começaria a perder o controle da água, do esgoto e o trânsito tornar-se-ia caótico”.
Um dos reflexos da falta de planejamento pode ser notado nas regiões próximas aos córregos que cortam a cidade. A ocupação das áreas de várzea agravou o problema das enchentes. Prejuízo incalculável ao se levar em conta o tempo da história. José Luiz Barco, de 34 anos, é gerente de uma loja na avenida Francisco Junqueira, na região da “baixada”. Ele alega que, devido aos prejuízos provocados pelas enchentes, a loja em que trabalha vai mudar para um local mais alto. "Nosso gasto com a última enchente já chega perto de R$ 250 mil, entre prevenção, limpeza, manutenção, produtos perdidos. Fora a queda no movimento quando a temporada de chuvas começa", desabafa.
“O que acontece na loja em que o José Luiz trabalha, é resultado do crescimento pelo qual Ribeirão Preto vem passando. Um crescimento que faz com que a cidade perca o controle e não consiga administrar os danos”. Ainda de acordo com Lanchoti, devido a esse alto crescimento populacional, diversos bairros e empreendimentos novos são arquitetados todos os anos. “É por isso que cada vez mais, a sociedade demonstra que necessita de áreas verdes, como o Parque Curupira, que foi criado no intuito de dar aos ribeirão-pretanos uma melhor qualidade de vida, com um espaço grande em um lugar privilegiado da cidade", acrescenta Lanchoti.
No dia 10 de outubro de 2006, vence o prazo para que a Prefeitura apresente e a Câmara de Vereadores aprove o chamado “Plano Diretor” que é o conjunto de normas e diretrizes para que a cidade tenha uma expansão urbana sustentável.

 

Pouco verde
Em relação às áreas verdes da cidade, foram 150 anos implacáveis. O ciclo do café, a força da cana-de-açúcar que hoje cerca Ribeirão Preto por todos os lados. Segundo pesquisa da bióloga Olga Koptchekoff, de toda a vegetação que cobria a área do município de Ribeirão Preto, quando de sua fundação, em 1856, restam apenas 4%. Os outros 96% foram desmatados ao longo dos anos. Uma comparação feita por fotos de satélite possibilitaram essa constatação. “É importante a criação de Áreas de Proteção Ambiental (APA), para potencializar as ações de conservação destas áreas", alerta Olga. Originalmente, a vegetação predominante no município de Ribeirão Preto é a Mata Atlântica.

 

Saúde na UTI
No setor de saúde, Ribeirão Preto vive uma contradição. É pólo de excelência em ensino médico e pesquisa, através das faculdades de medicina e enfermagem da USP, no entanto, sofre com as condições precárias do atendimento nos postos da Rede Municipal de Saúde. A população aponta a falta de médicos como um dos maiores problemas. O aposentado Sebastião Pereira, de 81 anos, conta que passou por alguns problemas ao ser atendido pela rede pública. "Não entendo o que aconteceu. Só sei que fiquei quase quatro meses com a bacia quebrada e ninguém descobria. Até que um médico solicitou um exame que nenhum outro havia solicitado, e assim, descobriram o que eu tinha (...) Lembro que por volta dos anos 80, até os anos 90, quando precisei, sempre fui bem atendido".
A médica Daniela Aparecida de Moraes, de 29 anos, analisa que com o passar dos anos, a população cresceu em um ritmo que não pode ser acompanhado pelo poder público. “A demanda aumentou muito. A situação atual só poderia melhorar com a contratação de mais médicos que possam suprir a necessidade que os postos de saúde estão sofrendo".