| Olívia
Pereira
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Dormir bem, durante pelo
menos oito horas diárias, é uma questão
de saúde pública, dizem os especialistas.
Mas nem todos conseguem exercitar o sono de forma adequada.
São comuns as reclamações de quem
dorme pouco. Incomuns são os relatos de quem
dedica pouco tempo ao descanso, e mesmo dormindo pouco,
se sentem revigorados, demonstrando energia e capacidade
de colocar os pensamentos em ordem. Uma das técnicas
adotadas para alcançar esse resultado é
o chamado “Sono Polifásico”. É
muito usada por estudantes e que precisam dividir o
sono em etapas.
Segundo o médico Ademir Baptista da Silva, especialista
do sono pela Universidade de São Paulo (USP),
dividir o sono em várias fases pode ser uma saída
para otimizar o tempo, seja para agüentar firme
depois de um show, ou para que uma pessoa dê conta
do trabalho. “Basicamente, quem precisa reduzir
bruscamente as horas de sono, diárias, deve tirar
cochilos de, no máximo, 20 minutos, a cada seis
horas”. Além de aumentar a resistência,
segundo o médico, a prática do Sono Polifásico
garante as necessidades fisiológicas básicas
do organismo, amenizando os efeitos provocados pelo
desgaste de quem fica muito tempo acordado, como ansiedade,
irritação, alterações de
percepção e dificuldade de aprendizado.
No contexto de privação de sono, a tendência
é que durante as sonecas o corpo vá direto
para os estágios mais profundos, que apresentam
maiores efeitos fisiológicos de recuperação.
Em geral, as pessoas só aproveitam cerca de 30%
do tempo de repouso, explica a reumatologista e imunologista
ribeirão-pretana, Daniela Aparecida de Moraes.
“Quando uma pessoa dorme em etapas, o cérebro
passa a reconhecer a urgência do sono e não
perde tempo com o superficial; vai direto ao ponto que
interessa”.
Os defensores do Sono Polifásico se baseiam no
fato de que a maioria dos mamíferos dorme desse
jeito. O cão é um exemplo. Os seres humanos,
supostamente, tinham um comportamento parecido com o
dele quando a sobrevivência se resumia em comer
e dormir.
O estudante do quarto ano de Física Médica
da USP - Ribeirão Preto, Alexandre Colello Bruno,
23 anos, pratica o Sono Polifásico. Ele diz que
utilizou a técnica pela primeira vez quando estava
em fase pré-vestibular. Ainda hoje o estudante
utiliza-se dela para otimizar seu tempo. “Em época
de provas, quando sempre tenho muita matéria
para estudar, além de muitos trabalhos, faço
uso do Sono Polifásico. É uma saída,
já que ele me proporciona mais tempo para que
eu possa completar as minhas atividades”.
Alexandre ressalta, entretanto, que o corpo não
suportou a prática prolongada dessa técnica.
“Não faço isso por muito tempo,
senão o meu corpo não agüenta. É
melhor dormir apenas uma hora e meia à noite
e cochilar por curtos períodos durante o dia,
do que dormir por quatro horas seguidas à noite
e passar o resto do dia acordado”. Especialistas
também recomendam que a prática do Sono
Polifásico não deva ser prolongada.
A professora Rosangela Bezerra, 45 anos, não
acredita na eficiência do Sono Polifásico.
“Para mim, é impossível ficar dormindo
desta maneira, mesmo que seja por pouco tempo. Uma boa
noite de sono é fundamental para que eu possa
levantar bem no outro dia”.
Origem
Em 1920 surgiu o primeiro conceito de Sono Polifásico,
depois que estudos constataram que a maioria dos mamíferos
(mais de 86% das espécies) dormia dessa forma.
O neurologista Claudio Stampi, fundador do Chronobiology
Research Institute, em Boston, nos Estados Unidos, considerado
um dos principais especialistas em Sono Polifásico
no mundo, foi quem começou a pesquisar essa prática
como forma de reduzir os efeitos da falta de sono. Foi
na década de 90, com navegadores solitários,
que não podiam dormir por muito tempo, em alto-mar.
O Sono Polifásico também é adotado
no treinamento de astronautas, de fuzileiros navais
e dos soldados americanos que fazem parte da tropa de
elite.
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