| Simone
Boaventura
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Muitos jovens não
vêm a hora de completar 18 anos para tirar a Carteira
Nacional de Habilitação e sair dirigindo.
Mas para tanto é preciso comprar um carro. A
estudante Natália Nicoletti, de 17 anos, conta
os dias para que isso aconteça. Mas com a mensalidade
do curso de secretariado executivo pela frente, o dinheiro
virou preocupação. Ela sabe do aperto
econômico, por isso, quando decidir comprar um
carro, o jeito será escolher um modelo bastante
econômico. Mas, afinal, qual veículo escolher?
Um movido à gasolina ou a álcool?
Para o economista e professor do Centro Universitário
Barão de Mauá, César Augusto Neves
de Souza, a crise econômica mundial, instalada
nos últimos anos, e a disparada dos preços
mundiais do petróleo, geraram a busca por um
combustível alternativo que possa substituir
os chamados “combustíveis fósseis”.
“Por esse motivo o álcool brasileiro, em
função de vários fatores ligados
a sua produção, apresenta-se de maneira
incisiva, como sendo essa alternativa, agregando enorme
valor a si próprio (...) quando se aumenta a
importância dada a um produto, como o álcool,
ele acaba ficando mais caro”, observa.
O ideal, segundo especialistas, é que o litro
de álcool combustível custe no máximo
o equivalente a 70% do litro da gasolina. Desta forma
ele continuaria compensador para o bolso do cidadão.
Além disso, existem as vantagens ambientais,
pelo fato do álcool não ser poluente.
De acordo com o mecânico Emanuel Natalino Nascimento,
a grande vantagem do álcool é o preço
menor, mas no aspecto operacional a gasolina apresenta
um melhor desempenho. “Se você tem carro
a álcool e acorda atrasado, na hora de ligar
o veículo, ele não pega, porque está
frio, (...) o rendimento do carro a gasolina, em quilometragem,
é maior que o do carro a álcool”,
afirma Emanuel. Significa dizer que, com o tanque cheio,
percorre-se uma distância maior com o carro movido
à gasolina.
Queda de braço
O governo federal e as usinas de cana-de-açúcar
fizeram uma negociação para tabelar e
reduzir o preço do álcool combustível
no valor cobrado das usinas para os postos de abastecimento,
porém, o que se viu foi o aumento no preço
do produto. Com isso, o consumidor foi o maior prejudicado.
Para tentar controlar o preço do álcool,
o governo decidiu diminuir a quantidade do produto na
gasolina. Baixou de 25% para 20% o volume adicionado.
Mesmo assim não adiantou. Com o “fenômeno”
dos veículos flex, aumentou a opção
dos motoristas pela gasolina. Segundo o gerente de posto,
Luiz Nicoletti, atualmente sete em cada dez carros flex
abasteciam com álcool. Agora houve uma inversão
da preferência, na mesma proporção,
“a gasolina acabou ganhando mais força”.
Nicoletti também conta que possui um carro movido
a álcool, e que costumava levar o filho à
escola. Agora, para economizar, optou pelo serviço
de Van.
O reflexo da alta no preço do álcool,
também fez com que os veículos abastecidos
com o produto ficassem desvalorizados. De acordo com
Ricardo Gerbasi, diretor de uma concessionária
de carros novos, em Ribeirão Preto, a procura
por carros movidos por um só tipo de combustível
despencou. “Agora, a novidade é o carro
flex”. Ele diz que o interesse em produzir o carro
bi-combustível veio das indústrias, pelo
fato de não ter mais que produzir dois carros.
A única diferença é o valor dos
impostos, que é maior em relação
aos outros. “Se o preço do carro flex for
diferente do carro simples, é por outro motivo
e não porque o modelo é diferente”,
observa Gerbasi. “Agora 90% dos carros que saem
da fábrica são flex. Para as concessionárias
isso foi bom, porque não vamos precisar ter o
dobro de estoque na loja”, completa.
Safra salvadora
Geralmente, o período de alta no preço
do álcool ocorre durante a entressafra, quando
diminui a oferta do produto no mercado. Agora, com o
reinício da safra a tendência é
de que o valor do litro comece a diminuir. É
a chamada lei da oferta e da procura.
Para saber qual a melhor opção na hora
de abastecer o carro flex, basta multiplicar o preço
da gasolina por 70%. O resultado é o valor que
realmente compensa para o abastecimento a álcool.
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