Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Abrindo as páginas do portifólio

Expediente

POLÍTICA e ECONOMIA

Ribeirão Preto adere ao movimento
“De Olho no Imposto”

Álcool ou gasolina?

COTIDIANO

Na hora de montar uma república,
móveis usados podem ser a solução

Estágios durante a universidade
proporcionam mais chances de emprego

Gilberto Dimenstein
faz palestra no Barão de Mauá

Documentos digitalizados
facilitam atendimento do Poupatempo

O outro lado do Imposto de Renda

CIÊNCIA e TECNOLOGIA

Seres Humanos monitorados

Odontologia estética esculpe sorrisos perfeitos

Controle de qualidade

Barão de Mauá recebe importante
Simpósio da Região Sudeste

Ônibus urbano ganha televisão em Ribeirão Preto

CULTURA

Concertos para a juventude

Portas abertas para o conhecimento

ESPORTE

Tradição do futebol de Ribeirão Preto
não livra clubes da “pindaíba”

Fanático por colecionar

SAÚDE

Propaganda sobre medicamentos
pode ser vetada

Sono Polifásico: opção para otimizar o tempo

COTIDIANO

Gilberto Dimenstein
faz palestra no Barão de Mauá

Em entrevista exclusiva, o jornalista afirma que é preciso ter atitude e
um olhar de curiosidade diante do mundo

Foto: Eloah Rodrigues

Olívia Pereira
Eloah Rodrigues
Thaís Guimarães
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Cerca de mil espectadores atentos assistiram à palestra do renomado jornalista Gilberto Dimenstein, no último dia 11 de março, no Centro de Convenções de Ribeirão Preto. O evento, promovido pelo Centro Universitário Barão de Mauá, abordou o tema: “Pós-Graduação e o Mercado de Trabalho”.
Na palestra, o jornalista ressaltou a importância da formação continuada e da pós-graduação, permanentes, já que os profissionais de hoje são contratados menos pelo que sabem e mais pela formação aplicada no dia-a-dia de trabalho. “A construção do conhecimento dá trabalho. A informação não vivenciada e não experimentada não fica gravada”.
Ainda segundo Dimenstein, para um profis-sional alcançar o sucesso, é preciso gostar do que se faz, “o fazer e o prazer têm que estar sempre juntos no trabalho”.
Para a aluna, Tatiana Serebrinsky, 23 anos, do curso de Jornalismo da Mauá, a palestra foi boa porque abordou outros temas interessantes, “Dimenstein falou sobre a educação, de uma forma geral, mostrando vídeos interessantes e divertindo os espectadores durante todo o tempo (...) Sou fã do Dimenstein desde a minha adolescência, quando li um de seus livros: Aprendiz do Futuro”, observa. Durante sua passagem pelo Centro Universitário Barão de Mauá, Gilberto Dimenstein concedeu entrevista exclusiva ao Jornal do Barão.

JB - Existe receita para ser um profissional de sucesso?
GD - Eu não vou dar receita de sucesso e acho que nem funciona. Existem algumas condições fundamentais. Acho que a primeira delas é uma atitude diante do conhecimento. A percepção de como mudou a velocidade da produção de idéias, de promoções. Existe também uma mudança de mentalidade sobre o que você é e sobre como você interage com a sociedade. O que eu quero falar com isso é que você não pode mais ficar encastelado no seu diploma, ele tem uma eficiência muito reduzida hoje. O importante é que você vá montando, gerenciando sua vida, para que saiba onde buscar informações, virtuais ou presenciais, nos mais diversos cursos; que você consiga ir gerenciando conhecimento como um empresário gerencia sua empresa. Cada um tem que se sentir como uma própria empresa e acho que essa atitude é super importante.

JB - Existe algum caminho alternativo?
GD - Não tem caminho alternativo. Eu tenho horror a esses livros de auto-ajuda porque eles dão a entender que com três ou quatro palavrinhas mágicas você consegue. Na verdade é um esforço permanente, todo tempo e toda hora. É acordar cedo, dormir tarde, às vezes sacrificar fins de semana, suas férias, não existem trilhas para isso. Eu acho que é preciso ter uma atitude, um olhar de curiosidade diante do mundo.

JB - Onde entram as escolas nesse contexto?
GD - O problema das escolas é que elas parecem ter, em primeiro lugar, o objetivo de acabar com a curiosidade do aluno. Ensinam tanta coisa chata e sem sentido, que o aluno acaba achando que estudar é somente aquilo. Então você vai dar Machado de Assis e ele estuda para fazer uma prova. Com isso, imagine o quanto você reduz o encanto da literatura, da música, da dança, inclusive das ciências. As escolas precisam trabalhar mais com a noção de que elas têm que administrar a curiosidade e o professor tem que ser gerenciador do conhecimento.

JB - Quais as dificuldades encontradas para se fazer um trabalho pela cidadania?
GD - O jornalista foi acostumado com a idéia de que a má notícia é a boa notícia. De que precisa acontecer desgraça para se ter notícia. Eu tenho uma visão um pouco diferente. São muito importantes: a crítica e a denúncia. Mas, também acho fundamental você apontar o que funciona. Outra coisa que acho interessante é não ficar só no mundo das celebridades. O jornalista tem que ir para a rua, lidar com pessoas comuns, ouvir pessoas comuns, mesmo as que não têm título algum. As pessoas que têm histórias interessantes para contar e fazem coisas interessantes. Ficamos muito presos ao mundo das celebridades e das autoridades.

JB - E quanto ao sistema de cotas e a privatização de universidades públicas no País?
GD - Eu mudo de opinião a cada cinco horas. Eu acho que existe uma solução melhor que as cotas: a criação de escolas de ensino médio públicas, de altíssima qualidade e experimentais, em que o tipo de aplicação do método de ensino permita que os alunos ingressem em faculdades públicas. Posso dizer que isso funciona. Você vê experiências como em São José dos Campos, em que a Embraer tem uma escola deste tipo e os alunos estão entrando nas melhores faculdades.
É muito difícil, também, ser contra as cotas, porque de alguma forma estão dando chance para alunos que são ótimos, que muitas vezes vão ter desempenho bom, mas que não tiveram oportunidade de ter essa educação formal fornecidas às pessoas mais ricas.

O profissional
Nascido no dia 28 de agosto de 1956, em São Paulo, Gilberto Dimenstein é um dos jornalistas brasileiros de maior renome internacional. Formado na Fundação Cásper Líbero, é integrante do Conselho Editorial da Folha de São Paulo, onde mantém coluna semanal e desenvolve especial para o caderno sinapse.
Foi diretor da sucursal da Folha, em Brasília, chefe da Agência de Notícias. Além disso, passou pelo Jornal do Brasil, Correio Brasiliense, O Globo, Última Hora e pelas revistas Veja, Visão e Educação. Ao microfone, é comentarista da rádio CBN.
Dimenstein é autor de reportagens de grande repercussão, dentro e fora do Brasil, sobre violência contra crianças. Foi vencedor de vários prêmios de jornalismo nos últimos anos, dentre eles, dois prêmios Esso, dois prêmios Líbero Badaró e do Prêmio Criança e Paz da Unicef.
Com a bolsa de estudos oferecida pela McArthur Foundation, para investigar violência e prostituição da criança na Amazônia, entre 1991 e 1992, levou-o a morar em Nova York, onde foi um aluno visitante no Centro de Direitos Humanos da Universidade de Columbia, pesquisa que resultou no livro Meninas da Noite. Dimenstein também escreveu, A Guerra dos Meninos, Cidadão de Papel, A Democracia em Pedaços e O Aprendiz do Futuro. Seus livros estão sempre voltados para o propósito de disseminar o ensino de cidadania na escola, trabalho que resultou na criação da ONG “Cidade Escola Aprendiz”, considerada referência mundial em educação pela Unesco.