| Olívia
Pereira
Eloah Rodrigues
Thaís Guimarães
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Cerca de mil espectadores
atentos assistiram à palestra do renomado jornalista
Gilberto Dimenstein, no último dia 11 de março,
no Centro de Convenções de Ribeirão
Preto. O evento, promovido pelo Centro Universitário
Barão de Mauá, abordou o tema: “Pós-Graduação
e o Mercado de Trabalho”.
Na palestra, o jornalista ressaltou a importância
da formação continuada e da pós-graduação,
permanentes, já que os profissionais de hoje
são contratados menos pelo que sabem e mais pela
formação aplicada no dia-a-dia de trabalho.
“A construção do conhecimento dá
trabalho. A informação não vivenciada
e não experimentada não fica gravada”.
Ainda segundo Dimenstein, para um profis-sional alcançar
o sucesso, é preciso gostar do que se faz, “o
fazer e o prazer têm que estar sempre juntos no
trabalho”.
Para a aluna, Tatiana Serebrinsky, 23 anos, do curso
de Jornalismo da Mauá, a palestra foi boa porque
abordou outros temas interessantes, “Dimenstein
falou sobre a educação, de uma forma geral,
mostrando vídeos interessantes e divertindo os
espectadores durante todo o tempo (...) Sou fã
do Dimenstein desde a minha adolescência, quando
li um de seus livros: Aprendiz do Futuro”, observa.
Durante sua passagem pelo Centro Universitário
Barão de Mauá, Gilberto Dimenstein concedeu
entrevista exclusiva ao Jornal do Barão.
JB - Existe receita para
ser um profissional de sucesso?
GD - Eu não vou dar receita de sucesso e acho
que nem funciona. Existem algumas condições
fundamentais. Acho que a primeira delas é uma
atitude diante do conhecimento. A percepção
de como mudou a velocidade da produção
de idéias, de promoções. Existe
também uma mudança de mentalidade sobre
o que você é e sobre como você interage
com a sociedade. O que eu quero falar com isso é
que você não pode mais ficar encastelado
no seu diploma, ele tem uma eficiência muito reduzida
hoje. O importante é que você vá
montando, gerenciando sua vida, para que saiba onde
buscar informações, virtuais ou presenciais,
nos mais diversos cursos; que você consiga ir
gerenciando conhecimento como um empresário gerencia
sua empresa. Cada um tem que se sentir como uma própria
empresa e acho que essa atitude é super importante.
JB - Existe algum caminho
alternativo?
GD - Não tem caminho alternativo. Eu tenho horror
a esses livros de auto-ajuda porque eles dão
a entender que com três ou quatro palavrinhas
mágicas você consegue. Na verdade é
um esforço permanente, todo tempo e toda hora.
É acordar cedo, dormir tarde, às vezes
sacrificar fins de semana, suas férias, não
existem trilhas para isso. Eu acho que é preciso
ter uma atitude, um olhar de curiosidade diante do mundo.
JB - Onde entram as escolas
nesse contexto?
GD - O problema das escolas é que elas parecem
ter, em primeiro lugar, o objetivo de acabar com a curiosidade
do aluno. Ensinam tanta coisa chata e sem sentido, que
o aluno acaba achando que estudar é somente aquilo.
Então você vai dar Machado de Assis e ele
estuda para fazer uma prova. Com isso, imagine o quanto
você reduz o encanto da literatura, da música,
da dança, inclusive das ciências. As escolas
precisam trabalhar mais com a noção de
que elas têm que administrar a curiosidade e o
professor tem que ser gerenciador do conhecimento.
JB - Quais as dificuldades
encontradas para se fazer um trabalho pela cidadania?
GD - O jornalista foi acostumado com a idéia
de que a má notícia é a boa notícia.
De que precisa acontecer desgraça para se ter
notícia. Eu tenho uma visão um pouco diferente.
São muito importantes: a crítica e a denúncia.
Mas, também acho fundamental você apontar
o que funciona. Outra coisa que acho interessante é
não ficar só no mundo das celebridades.
O jornalista tem que ir para a rua, lidar com pessoas
comuns, ouvir pessoas comuns, mesmo as que não
têm título algum. As pessoas que têm
histórias interessantes para contar e fazem coisas
interessantes. Ficamos muito presos ao mundo das celebridades
e das autoridades.
JB - E quanto ao sistema
de cotas e a privatização de universidades
públicas no País?
GD - Eu mudo de opinião a cada cinco horas. Eu
acho que existe uma solução melhor que
as cotas: a criação de escolas de ensino
médio públicas, de altíssima qualidade
e experimentais, em que o tipo de aplicação
do método de ensino permita que os alunos ingressem
em faculdades públicas. Posso dizer que isso
funciona. Você vê experiências como
em São José dos Campos, em que a Embraer
tem uma escola deste tipo e os alunos estão entrando
nas melhores faculdades.
É muito difícil, também, ser contra
as cotas, porque de alguma forma estão dando
chance para alunos que são ótimos, que
muitas vezes vão ter desempenho bom, mas que
não tiveram oportunidade de ter essa educação
formal fornecidas às pessoas mais ricas.
O profissional
Nascido no dia 28 de agosto de 1956, em São Paulo,
Gilberto Dimenstein é um dos jornalistas brasileiros
de maior renome internacional. Formado na Fundação
Cásper Líbero, é integrante do
Conselho Editorial da Folha de São Paulo, onde
mantém coluna semanal e desenvolve especial para
o caderno sinapse.
Foi diretor da sucursal da Folha, em Brasília,
chefe da Agência de Notícias. Além
disso, passou pelo Jornal do Brasil, Correio Brasiliense,
O Globo, Última Hora e pelas revistas Veja, Visão
e Educação. Ao microfone, é comentarista
da rádio CBN.
Dimenstein é autor de reportagens de grande repercussão,
dentro e fora do Brasil, sobre violência contra
crianças. Foi vencedor de vários prêmios
de jornalismo nos últimos anos, dentre eles,
dois prêmios Esso, dois prêmios Líbero
Badaró e do Prêmio Criança e Paz
da Unicef.
Com a bolsa de estudos oferecida pela McArthur Foundation,
para investigar violência e prostituição
da criança na Amazônia, entre 1991 e 1992,
levou-o a morar em Nova York, onde foi um aluno visitante
no Centro de Direitos Humanos da Universidade de Columbia,
pesquisa que resultou no livro Meninas da Noite. Dimenstein
também escreveu, A Guerra dos Meninos, Cidadão
de Papel, A Democracia em Pedaços e O Aprendiz
do Futuro. Seus livros estão sempre voltados
para o propósito de disseminar o ensino de cidadania
na escola, trabalho que resultou na criação
da ONG “Cidade Escola Aprendiz”, considerada
referência mundial em educação pela
Unesco.
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