| Sérgio
Nogueira
________________________
Éderson Faria, 22,
um ex-viciado em drogas, chegou a praticar furtos e
roubos mas, ao perceber que atingia sua família
e a si próprio, procurou o grupo LSD (Liberdade
Sem Drogas), uma instituição particular.
No local, os internos são responsáveis
pela manutenção do prédio, como
pintura duas vezes ao ano, limpeza e parte elétrica.
Eles fazem o serviço de marcenaria e a comida.
No total são 25 internos. O mais novo com 16
e o mais velho com sessenta e cinco anos. O lugar é
cercado, mas nada que impeça a fuga, já
que a cerca é baixa e o portão é
trancado apenas por um cadeado.
“Para eles se recuperarem é preciso que
seja de vontade própria”, afirma Éderson,
que está no local há nove meses. Ele não
é mais viciado em drogas, mas não se sente
preparado para sair da clínica. Como se encontra
em uma situação equilibrada, Éderson
é um dos monitores da clínica.
A visita por parte dos familiares ocorre uma vez ao
mês. Os internos dispõem de campo de futebol
e televisão. Além disso, nenhum tipo de
cigarro ou bebida alcoólica é permitido.
A instituição não conta com nenhum
tipo de cela ou coisa do gênero. “Quem está
aqui quer se curar do vício. Tem que ser uma
decisão pessoal”, ressalta Éderson.
Em Ribeirão Preto há também o CAPS-ad
(Centro de Atenção Psicossocial para Farmacodependente
- álcool e droga), entidade ligada ao Sistema
Único de Saúde (SUS), sem custo para o
paciente. A instituição pertence ao Sanatório
Espírita Vicente de Paula, trabalha com todo
tipo de paciente – do adolescente ao idoso –
e cuida de drogados, dependente de álcool, entre
outros.
O tratamento funciona da 8h às 17h, de segunda
à sexta-feira, oferece café da manhã,
almoço, chá da tarde e trabalha com várias
atividades, como capoeira, culinária, teatro
e artesanato. Atualmente são cerca de 47 pacientes
atendidos.
“Quando o paciente chega à clínica
ele responde a um questionário em que iremos
conhecê-lo. O nosso grupo é formado por
médicos de várias especialidades que irão
conversar com ele, mostrando como funciona o tratamento,
verificando o tamanho da dependência dele. Ele
volta no outro dia se quiser”, diz Inês
Beretta Carvalho, vice-coordenadora do CAPS-ad.
Não há um enfoque religioso na entidade.
Os familiares participam do tratamento e a intenção
do CAPS-ad é mostrar ao indivíduo como
é a vida sem a dependência. Maria Cecília
Santos, 54, é mãe de um adolescente e
busca ajuda para seu filho, que se envolveu com drogas
no colégio e hoje é um dependente.
|