Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Que País é esse?

Dupla Come-Fogo caindo pelas tabelas

O Advogado

Expediente

MERCADO DE TRABALHO

Ajudar o próximo faz bem

Economia informal cresce no país

As várias faces da moda

SAÚDE

Yoga proporciona melhor qualidade de vida

Vida sem drogas

A planta que
controla o estresse

As armas na luta contra o vício

Liberada a venda de remédios fracionados

ESPORTE

No rastro da história

Atividade física: danos ou benefícios?

POLUIÇÃO

Escassez de água

Poluição sonora causa danos à saúde e ao meio ambiente

Resíduo sólido gera problemas ambientais, sanitários e econômicos

LIXO

A preocupação que vem do lixo

Sorte encontrada no lixo

COMPORTAMENTO

Inveja e ciúme podem ajudar

A arte de relaxar

EDUCAÇÃO

Febem terá novo método de ensino

Prouni concede bolsas de estudo a alunos de baixa renda

Humanização hospitalar

Instituto de Ribeirão ganha destaque no Criança Esperança

INFORMÁTICA

Eu quero é velocidade!

COTIDIANO

Inclusão social de deficientes físicos é precária em Ribeirão Preto

Inadimplência afeta comércio

Entidades enfrentam burocracia para funcionar

Uma ameaça que vem do céu

Cinco mil pessoas visitam exposição de orquídeas

CULTURA

Música é do que eles gostam

Livro usado representa economia para leitores

MERCADO DE TRABALHO

Economia informal cresce no país

Foto: Mariana Bruno

Daiana Selli
Tatiane Guidoni

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Seja pela falta de profis-sionalização ou pela competição no mercado de trabalho, muitos brasileiros optam pela informalidade, trabalho sem registro em carteira. Essa é a característica da realidade econômica atual do país.
Segundo pesquisa realizada pela Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados), 40% dos chefes de família, no Estado de São Paulo, estão no mercado informal. Nas classes D e E, menos de um terço dos trabalhadores possui registro em carteira.
O vendedor ambulante Sebastião Ferreira Santana, 37, diz que o trabalho informal não é, para ele, uma opção, mas uma necessidade: “Só estudei até a oitava série, não tenho profissão. Tenho que aceitar a realidade”. Santana, que fatura pouco mais de um salário mínimo por mês, é separado e paga pensão de dois filhos. Ele já trabalhou com carteira assinada e diz que, se tivesse oportunidade, voltaria para o setor formal. O ambulante não quer que seus filhos sigam seus passos. “Faço questão que eles estudem para terem uma profissão. Se não tiverem emprego, pelo menos terão esperança”.
Para o economista e professor AntônioVicente Golfeto, o trabalhador perde, mas em termos. “Já não são poucos os que preferem não ser registrados exatamente porque, assim, não teriam descontos em folha”.
Segundo Golfeto, o país só perde com relação à concorrência desleal. “Do ponto de vista da lisura na competição, é evidente que há arranhões. Agora, economicamente, em minha opinião, o país ganha com a infor-malidade, sobretudo quando o nome desta informalidade é sonegação de imposto. A inversão é tão grande nos valores que, atualmente, um real que fique no bolso do contribuinte, tanto pessoa física quanto pessoa jurídica, multiplica mais do que o mesmo real recolhido aos cofres públicos”.
José Faleiro de Aguiar, 69, há 34 anos trabalha no setor informal. Trabalhou como caminhoneiro, mas desistiu por medo das estradas. “Perdi muitos amigos nesta profissão”, conta Zé Garapeiro, como é conhecido pelos moradores da cidade de Sertãozinho, onde vive e trabalha. Mineiro, de Carmo do Cajuru, o gara-peiro ganhou, em 2004, título de “cidadão sertanezino”, votado com unanimidade pelos vereadores da cidade. Aguiar se sente feliz com a homenagem, mas reclama da discriminação por parte da sociedade. “Há muito preconceito com a gente, que é vendedor ambulante”, desabafa. Ele ganha cerca de R$1mil por mês, além do benefício de R$ 300 de amparo ao idoso. Aguiar diz que nunca pensou em sair do setor informal, apesar das dificuldades.
Para o economista Golfeto, o crescimento do trabalho informal é um reflexo do sistema econômico do país. “É a legítima defesa, contra um regime econômico que o fustiga [o trabalhador] de todas as maneiras”.