| Tatiane
Guidoni
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Papelão, alumínio,
plástico, vidro, muito trabalho, e, ainda, a
sorte de encontrar jóias e outros objetos em
meio ao lixo. Assim é a rotina da ex-bóia-fria
Adriana Aparecida Nardim, 32.
Cooperada da Corserta (Cooperativa de Reciclado-res
de Sertãozinho), que é responsável
pela coleta seletiva do lixo doméstico da cidade,
Adriana é considerada a sortuda pelos companheiros
de trabalho. “Já encontrei vários
presentes no lixo, como um anel e um brinco de ouro
e até dinheiro”, explicou.
Segundo Adriana, as jóias encontradas no lixo
ainda não têm destino, mas se for preciso
ela irá vendê-las. Separada, mãe
de quatro filhos, Adriana ganha uma renda mensal de
R$ 300 e sustenta sozinha a família. A rotina
da recicladora não é nada fácil.
Às 7 horas da manhã ela já está
em seu trabalho e só termina às 17h30.
“Ela é uma das primeiras a chegar”,
conta o presidente da cooperativa, José Aparecido
Oliveira, 48.
A função de Adriana na cooperativa é
a de separar o lixo recolhido nas residências
para que, em seguida, possa ser vendido. A arrecadação
final é dividida entre os 38 cooperados. É
aí que a ex-bóia-fria tem a sorte de encontrar
objetos valiosos e úteis para o seu dia-a-dia.
De acordo com Adriana, aquilo que é descartado
por muitos é bem-vindo em sua casa. Roupas, sapatos,
enfeites, jóias, cafeteira, sanduicheira e aquário
são alguns dos muitos objetos encontrados por
ela. Além disso, ela já encontrou pacotes
de sopas e bolos dentro do prazo de validade e prontos
para serem consumidos.
Na pequena casa, com dois cômodos, localizada
no jardim Alvorada, bairro periférico de Sertãozinho,
ela mostra com alegria tudo o que tem e diz que a decoração
e os objetos de uso doméstico, como copos e panelas,
ela encontrou em seu trabalho.
Para que os recicladores possam levar os objetos para
casa, há a necessidade da autorização
do presidente. “Se um cooperado encontrar um rádio,
por exemplo, e se ele não possuir esse objeto
em casa, eu o autorizo a levar embora”, explicou.
Antes de ser recicladora, Adriana trabalhava no corte
de cana. “Acordava 4 horas da manhã, preparava
comida e ia para o trabalho. Só voltava no começo
da noite. Comia comida fria, não tinha tempo
para os meus filhos e não recebia o suficiente
para alimentá-los”, desabafou.
Atualmente, ela ainda não ganha o que considera
suficiente para alimentar uma família de cinco
pessoas, mas diz que controla o orçamento para
viver bem. Ela recebe a ajuda de moradores da cidade
que doam alimentos e roupas.
Felicidade e emoção
Extrovertida, a ex-bóia-fria conta que é
muito feliz em seu atual emprego. “Tenho amizade
com todo mundo lá na cooperativa. Na hora do
almoço quando não levo comida, meus amigos
dividem a deles comigo e quando alguns deles não
levam também divido. Nossa equipe é unida”,
comentou.
Com os olhos cheios de lágrimas, Adriana contou
que certo dia encontrou R$ 10 dentro do saco de lixo.
“Estava sem mistura em casa, quando vi o dinheiro,
pensei: `Ai meu Deus, que bênção´.
E com aquele dinheiro comprei alimentos para os meus
filhos e ainda comprei cigarro”, conclui emocionada.
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