| Thalita
Tavares
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Se a criança não
pode ir até a escola, a escola vai até
a criança. É o que acontece na ala de
pediatria do Hospital das Clínicas de Ribeirão
Preto. Muitas precisam de um tratamento demorado, o
que pode levar dias, meses e até anos. Para que
estas crianças não deixem de estudar e,
conseqüentemente, percam o ano letivo, o Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto fez uma parceria com a Escola Estadual Professor
Aymar Baptista Prado, que deu origem ao “Classe
Hospitalar”.
O programa existe desde 1997 é reconhecido pelo
Ministério da Educação e atende
crianças e adolescentes de seis a 14 anos, matriculados
no ensino fundamental que se encontram hospitalizados
nas enfermarias do Hospital. Mas, devido à procura,
crianças com idade inferior ao estabelecido pela
lei também recebem atendimento pedagógico.
Com três classes hospitalares, o programa é
desenvolvido por três pedagogas habilitadas em
Educação Especial e atende crianças
e adolescentes que estão internados nas enfermarias
de cirurgia pediátrica, ortopedia, neurologia,
oftalmologia, otor-rinolaringologia e clínica
médica. “É um trabalho muito gratificante.
Muitas dessas crianças vêm de longe e com
problemas de saúde enormes. Quando chega a hora
da aula, parece que tudo acaba. A vontade de aprender
é imensa”, diz a professora Rejane Campos.
O atendimento é feito em grupo nas três
salas equipadas com todos os recursos pedagógicos.
Crianças e adolescentes que permanecem nos leitos
recebem um trabalho individual. A Faepa (Fundação
de Apoio e Ensino à Pesquisa e Assistência)
destina verbas para aquisição de materiais
escolares e a LAP (Liga de Assistência aos Pacientes)
para compra de materiais escolares. Já à
Secretaria Estadual da Educação cabe o
pagamento dos salários das pedagogas e envio
de material pedagógico. Neide Lorençato
Medeiros, diretora da Escola Professor Aymar Baptista
Prado que cede as pedagogas para a “Classe Hospitalar”,
diz que em breve o programa poderá contar com
mais uma sala e mais uma professora.
Os pais ou responsáveis podem acompanhar os pacientes
nas aulas. No caso de Marília de 8 anos, quem
a acompanha é sua avó Sônia. A menina
cursa a segunda série e veio de Franca para ser
tratada por hematologistas.
Muitos desses pacientes são de outras cidades.
Isso faz com que esse programa seja referência
para outros hospitais. Guilherme, 7, é de Barretos
e há mais de um ano faz tratamento no hospital.
Há poucos dias fez um transplante de rim e, mesmo
em recuperação, não perde uma aula.
“Já aprendi um montão de coisas
e aqui é bem melhor do que o outro hospital que
eu fiquei, lá não tinha essas coisas”.
Em 2003, o programa teve o trabalho reconhecido e foi
eleito como um dos melhores trabalhos do Brasil na área
da cidadania. “O prêmio de R$ 6 mil foi
investido em materiais pedagógicos, computadores,
máquinas fotográficas e aparelhos de som”,
diz a assistente social do Hospital das Clínicas,
Silvana Mariniello. Em 2004, a classe hospitalar foi
classificada pela ONU como boa prática na área
de assentamento urbano. “A equipe responsável
pelo programa é merece-dora dos prêmios,
mas o maior prêmio de todos é a satisfação
de ver um sorriso no rosto dessas crianças”,
orgulha-se a professora.
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