| Adilson
Baptista da Silveira
________________________
O município de Ribeirão
Preto detém uma das melhores médias de
leitores do território nacional, cerca de 9,7
livros por habitante em 2004. A cidade também
abriga uma das maiores feiras anuais de livros a céu
aberto da América Latina.
Mesmo assim, o mercado intelectual ainda é considerado
caro para grande parcela da população.
Uma alternativa mais econômica é o mercado
de livros, revistas e gibis usados que são vendidos
nos sebos. O termo “sebo” é atribuído,
na língua portuguesa, a “livraria onde
se vendem livros usados” (Aurélio, 2000).
Mas, segundo Maria Joaquina, gerente de uma loja de
livros usados no centro da cidade, sebo refere-se a
papel usado, sujo.
Ela conta que a loja existe há cinco anos e meio
e que trabalha com livros didáticos e paradidáticos
(que são os sugeridos como complemento de disciplinas
escolares). “As pessoas economizam 50% em relação
aos livros novos, mesmo assim não acho que o
sebo represente incômodo para as livrarias”,
diz a comerciante.
Entre a Vila Seixas e o centro da cidade existem pelo
menos seis sebos, uns espe-cializados em livros, outros
em discos, mas todos oferecem opções bem
econômicas para o consumidor. Os artigos são
separados por assunto ou estilo. Em algumas prateleiras
encontram-se enciclopédias completas, livros
médicos, literatura internacional, cursos de
idioma, best-sellers, livros técnicos e até
jornais raros.
O público é diversificado, pois além
de livros escolares e universitários, é
possível encontrar desde raridades, como edições
da extinta revista “O Cruzeiro”, até
os mais modernos CDs e DVDs.
Para Jane Helena França, que tem dois filhos
em idade escolar, os sebos são opção
de economia. “Compro livros escolares em sebo
há quatro anos. Não pesquiso mais porque
sei que lá é mais barato”.
Ela conta que já pesquisou preço de um
livro que custava R$ 23 na editora e R$ 7 no sebo. “Não
tem diferença na qualidade. Os sebos dão
uma melhorada no aspecto do livro, apagam coisas escritas
e cortam as bordas sujas”.
Jane diz ter dificuldades em encontrar livros paradi-dáticos
usados. Ela acha que a razão disso é que
o preço pago pelos sebos por livros em bom estado
é muito baixo, o que leva o dono do livro a doá-lo
para uma biblioteca ao invés de deixar o lucro
para a loja. “Levei quatro livros seminovos para
vender no sebo e queriam me pagar R$0,50 cada um, sendo
que depois seriam vendidos a R$7 ou mais. Preferi levá-los
para a biblioteca pública”.
|