| Gabriel
Rosa
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Uma brincadeira saudável
de crianças e adolescentes pode se tornar uma
arma perigosa. Em Ribeirão Preto, no período
de janeiro a julho deste ano, foram registradas mais
de 1300 ocorrências em função do
uso do cerol, um material feito de cacos de vidro moídos
e cola que adere à linha das pipas. O cerol é
usado para cortar a linha de outras pipas que estão
no ar.
No mês de julho, o motociclista José Carlos
Messias dos Santos, 38, teve o pescoço cortado
por uma linha com cerol na rodovia que liga Ribeirão
Preto à cidade de Jaboticabal. Ele foi socorrido
pelo resgate do Corpo de Bombeiros de Jaboticabal, mas
chegou morto ao hospital. A mulher dele, que estava
na garupa da moto, não sofreu ferimentos, mas
foi internada em estado de choque.
O número de acidentes fatais causados por cerol
totaliza 22 pessoas somente em Ribeirão. O Ipiranga
é o bairro com mais ocorrências: cerca
de 40% do total registrado. O Jardim Salgado Filho é
o segundo, com 18% dos casos.
Devido a essas ocorrências, foi criada a associação
“Sobreviventes do Amanhã”, que alerta
para o perigo do cerol nas linhas de pipas, pelo menos
perto de ruas e rodovias. A associação
faz um trabalho social nos bairros, ministrando palestras
todos os domingos, além da apresentação
de uma peça de teatro que encena um acidente
causado pelos cacos de vidro. As crianças também
escrevem redações e o melhor trabalho
ganha uma cesta básica. “É importante
realizar um trabalho de conscientização
com as crianças dos bairros para que o uso do
cerol deixe de existir”, afirma Robson Costa Filho,
integrante da Associação.
Mas não apenas as ONGs (organizações
não-governamentais) estão preocupadas
em alertar a população. A CPFL (Companhia
Paulista de Força e Luz) está implantando
uma campanha de cons-cientização para
diminuir ou mesmo acabar com o uso do material cortante
nas ruas da cidade. O objetivo é incentivar as
pessoas a empinar pipas e papagaios somente em parques,
em locais abertos ou sem tráfego de veículos.
“Em julho as ocorrências com pipas aumentam
muito mais do que nas férias escolares de janeiro
e dezembro, por causa dos ventos”, explica Clauber
de Marchi Pazin, engenheiro da empresa.
A CPFL alerta ainda que as linhas de pipas podem cortar
cabos de alta tensão que, ao caírem no
chão, energizam o local, o que pode causar mortes.
O engenheiro diz que as crianças costumam puxar
as linhas das pipas na tentativa de soltá-las
da fiação e que este é o momento
mais propenso para os acidentes. Enroscadas nos postes,
transformadores e cabos elétricos, as pipas podem
causar interrupção da eletricidade nos
locais próximos.
Na Câmara Municipal de Ribeirão Preto existe
um projeto de lei que proíbe o uso de cerol e
autoriza a Polícia Militar a recolher as linhas
com esse material. Os pais dos menores que usam essas
linhas podem responder a processos judiciais por negligência
e tentativa de homicídio, em caso de ferimentos
ou mortes.
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