Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Que País é esse?

Dupla Come-Fogo caindo pelas tabelas

O Advogado

Expediente

MERCADO DE TRABALHO

Ajudar o próximo faz bem

Economia informal cresce no país

As várias faces da moda

SAÚDE

Yoga proporciona melhor qualidade de vida

Vida sem drogas

A planta que
controla o estresse

As armas na luta contra o vício

Liberada a venda de remédios fracionados

ESPORTE

No rastro da história

Atividade física: danos ou benefícios?

POLUIÇÃO

Escassez de água

Poluição sonora causa danos à saúde e ao meio ambiente

Resíduo sólido gera problemas ambientais, sanitários e econômicos

LIXO

A preocupação que vem do lixo

Sorte encontrada no lixo

COMPORTAMENTO

Inveja e ciúme podem ajudar

A arte de relaxar

EDUCAÇÃO

Febem terá novo método de ensino

Prouni concede bolsas de estudo a alunos de baixa renda

Humanização hospitalar

Instituto de Ribeirão ganha destaque no Criança Esperança

INFORMÁTICA

Eu quero é velocidade!

COTIDIANO

Inclusão social de deficientes físicos é precária em Ribeirão Preto

Inadimplência afeta comércio

Entidades enfrentam burocracia para funcionar

Uma ameaça que vem do céu

Cinco mil pessoas visitam exposição de orquídeas

CULTURA

Música é do que eles gostam

Livro usado representa economia para leitores

COTIDIANO

Uma ameaça que vem do céu

Foto: Kiko Magrini

Gabriel Rosa

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Uma brincadeira saudável de crianças e adolescentes pode se tornar uma arma perigosa. Em Ribeirão Preto, no período de janeiro a julho deste ano, foram registradas mais de 1300 ocorrências em função do uso do cerol, um material feito de cacos de vidro moídos e cola que adere à linha das pipas. O cerol é usado para cortar a linha de outras pipas que estão no ar.
No mês de julho, o motociclista José Carlos Messias dos Santos, 38, teve o pescoço cortado por uma linha com cerol na rodovia que liga Ribeirão Preto à cidade de Jaboticabal. Ele foi socorrido pelo resgate do Corpo de Bombeiros de Jaboticabal, mas chegou morto ao hospital. A mulher dele, que estava na garupa da moto, não sofreu ferimentos, mas foi internada em estado de choque.
O número de acidentes fatais causados por cerol totaliza 22 pessoas somente em Ribeirão. O Ipiranga é o bairro com mais ocorrências: cerca de 40% do total registrado. O Jardim Salgado Filho é o segundo, com 18% dos casos.
Devido a essas ocorrências, foi criada a associação “Sobreviventes do Amanhã”, que alerta para o perigo do cerol nas linhas de pipas, pelo menos perto de ruas e rodovias. A associação faz um trabalho social nos bairros, ministrando palestras todos os domingos, além da apresentação de uma peça de teatro que encena um acidente causado pelos cacos de vidro. As crianças também escrevem redações e o melhor trabalho ganha uma cesta básica. “É importante realizar um trabalho de conscientização com as crianças dos bairros para que o uso do cerol deixe de existir”, afirma Robson Costa Filho, integrante da Associação.
Mas não apenas as ONGs (organizações não-governamentais) estão preocupadas em alertar a população. A CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) está implantando uma campanha de cons-cientização para diminuir ou mesmo acabar com o uso do material cortante nas ruas da cidade. O objetivo é incentivar as pessoas a empinar pipas e papagaios somente em parques, em locais abertos ou sem tráfego de veículos. “Em julho as ocorrências com pipas aumentam muito mais do que nas férias escolares de janeiro e dezembro, por causa dos ventos”, explica Clauber de Marchi Pazin, engenheiro da empresa.
A CPFL alerta ainda que as linhas de pipas podem cortar cabos de alta tensão que, ao caírem no chão, energizam o local, o que pode causar mortes. O engenheiro diz que as crianças costumam puxar as linhas das pipas na tentativa de soltá-las da fiação e que este é o momento mais propenso para os acidentes. Enroscadas nos postes, transformadores e cabos elétricos, as pipas podem causar interrupção da eletricidade nos locais próximos.
Na Câmara Municipal de Ribeirão Preto existe um projeto de lei que proíbe o uso de cerol e autoriza a Polícia Militar a recolher as linhas com esse material. Os pais dos menores que usam essas linhas podem responder a processos judiciais por negligência e tentativa de homicídio, em caso de ferimentos ou mortes.