| Tassiane
Mariano
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É burocrático
para uma entidade funcionar, pois é necessário
ter colaboradores, sede, seguir o estatuto, ter voluntários,
formas de arrecadação de renda, uma especialidade
a seguir, passar por votação na Câmara
e ser aceita, para só então se inscrever
e iniciar o trabalho. As igrejas e pastorais que prestam
serviço voluntário também devem
passar por esse processo para ter o trabalho reconhecido.
“O importante é ajudar, mas a burocracia
do governo em relação à abertura
de novas entidades atrapalha. O fato de somente algumas
obterem subsídio desmotiva os interessados. Não
deveria haver diferenças já que todas
trabalham em prol de um bem comum”, diz a coordenadora
da Sociedade Espírita de Ribeirão Preto,
Mara Oliveira.
Sergio Carvalho, coordenador da casa do idoso complementa
dizendo que falta auxílio das assistentes sociais
responsáveis pela assessoria às entidades
e da imprensa, que beneficia uma minoria, e que, no
entanto, todas precisam de apoio e verba.
Neste ano quatro novas entidades se cadastraram, embora
a procura para montar uma seja grande. De acordo com
o código civil, as entidades devem ser formadas
pela união de pessoas que queiram trabalhar sem
fins lucrativos em beneficio dos necessitados. Para
a assistente social e chefe da seção de
atendimento e assessoria às entidades, Olinda
Sommer Fonseca, a ausência do poder público
fez com que as entidades surgissem para complementar
a falta de prestação de serviço.
Em Ribeirão Preto existem 161 associações
legalmente reconhecidas, ou seja, que foram aprovadas
pela Câmara Municipal, estão cadastradas
e adquiriram o direito de prestar serviços à
comunidade. Todo ano elas devem renovar o cadastro,
apresentar o projeto de trabalho futuro e a prestação
de contas do ano anterior. No entanto, a maioria não
respeita os prazos e também não trabalha
adequadamente. Algumas não utilizam adequadamente
o beneficio que recebem do governo. Outras deixam de
atender por falta de voluntários ou por não
estarem adequadas às exigências da fiscalização.
“A fiscalização é um trabalho
minucioso. Temos muitas entidades para atender e acabamos
não dando atenção adequada a todas.
A demora na renovação do cadastro atrapalha
bastante, mas no final torna-se gratificante”,
complementa Olinda.
Neste ano, até o mês de julho, só
81 entidades haviam se recadastrado. A assistente social
Rogéria Silva explica que só as que recebem
auxílio do governo respeitam o prazo, pois se
elas atrasarem perderão o beneficio para o ano
letivo de trabalho. Rogéria diz também
que as demais se recadastram no decorrer do ano conforme
suas próprias necessidades. “O período
de recadastramento é até março,
mas a maioria não respeita e o prazo se estende
pelo ano todo”, ressalta Rogéria.
Para algumas pessoas, dedicar-se ao voluntariado é
compensador. “A sensação é
de dever cumprido. Você sai da entidade com a
alma lavada”, afirma Glauce Prophetti, empresária.
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