| Carolina
Dessen
Natália Mieli
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Elisabete Maria de Menezes
Ramirez, autônoma, ao fazer compras em uma loja
e negociar a forma de pagamento, descobriu que seu nome
constava na lista do SCPC (Serviço Central de
Proteção ao Crédito) por causa
de uma dívida de R$85.
Segundo uma pesquisa feita pela Telecheque, o índice
de inadimplência cresceu 7,6% no primeiro semestre
deste ano em comparação com o mesmo período
de 2004. No entanto, também foi neste ano que
um número maior de pessoas conseguiu limpar o
nome. No acumulado do ano foram 18.543 pessoas que tiveram
seus nomes removidos da lista – um aumento de
58,27% se comparado com o mesmo período do ano
passado.
O índice de inadimplência no comércio
de Ribeirão Preto foi o maior nos últimos
seis anos (2000 a 2005), já que em 1999 foram
11.270 títulos enviados ao SCPC. O instituto
de pesquisa social da Associação Comercial
e Industrial de Ribeirão Preto revelou que foram
incluídos cerca de 45.579 títulos neste
ano.
Segundo Elisabeth Paez, responsável e encarregada
do SCPC de Ribeirão Preto, em média, 65%
dos casos são resolvidos em até quatro
meses. O restante varia de acordo com a dívida
e com o caso do mau pagador.
Após cinco anos de inadimplência é
preciso remover o nome do cliente do sistema, deixando-o
livre de qualquer dívida. O Banco Central, o
Serasa e títulos protestados também precisam
remover o nome do cliente caso já tenha passado
este prazo. “Este ano foi meio complicado, mas
a população está ficando consciente
para pagar. Depois da primeira parcela do 13º salário
as pessoas compram muito por causa do natal e dos presentes
de final de ano. São as datas em que o comércio
mais vende. Em abril estoura a inadimplência”,
comenta Elisabeth.
Marco Aurélio, que trabalha em uma indústria
de produtos odontológicos, que vende para o Brasil
todo, comenta que pessoa física e pessoa jurídica
não dão trabalho para cobrança.
Já com órgãos de estaduais e municipais,
a firma enfrenta problemas. “Se a prefeitura não
paga, temos que esperar a auditoria e aguardar a liberação
da verba. Isso demora muito”.
A gerente administrativa de uma firma de cobrança,
Rosane Dias Canassa de Léo, diz que no início
de ano sua firma tem mais dificuldades para receber,
pois as pessoas dão prioridade a outros tipos
de contas, como a de material escolar, IPVA (Imposto
sobre a Propriedade de Veículos Automotores)
e IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano). “As
pessoas dão prioridade para a família.
Elas se importam mais com compromissos com elas mesmas.
No final do ano elas viajam e depois aproveitam o carnaval,
só então elas se preocupam em quitar suas
dívidas”.
Já Maria [nome fictício, não quis
ser identificada], viúva, diz que seu nome está
na lista de inadimplência do comércio e
não pretende acertar por falta de emprego. “Devido
à falta de emprego, as pessoas de bem ficam impotentes
com contas vencidas. O mercado de trabalho para pessoas
com mais de 40 anos está ruim”. Ela disse
que passa por humilhações ao ter seu nome
no Serasa e no SCPC. “A inadimplência fica
maior porque tenho que dar, em primeiro lugar, uma vida
adequada aos meus filhos. Vou esperar os cinco anos
para a dívida caducar”.
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