Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

PÁGINA 2

Editorial

Que País é esse?

Dupla Come-Fogo caindo pelas tabelas

O Advogado

Expediente

MERCADO DE TRABALHO

Ajudar o próximo faz bem

Economia informal cresce no país

As várias faces da moda

SAÚDE

Yoga proporciona melhor qualidade de vida

Vida sem drogas

A planta que
controla o estresse

As armas na luta contra o vício

Liberada a venda de remédios fracionados

ESPORTE

No rastro da história

Atividade física: danos ou benefícios?

POLUIÇÃO

Escassez de água

Poluição sonora causa danos à saúde e ao meio ambiente

Resíduo sólido gera problemas ambientais, sanitários e econômicos

LIXO

A preocupação que vem do lixo

Sorte encontrada no lixo

COMPORTAMENTO

Inveja e ciúme podem ajudar

A arte de relaxar

EDUCAÇÃO

Febem terá novo método de ensino

Prouni concede bolsas de estudo a alunos de baixa renda

Humanização hospitalar

Instituto de Ribeirão ganha destaque no Criança Esperança

INFORMÁTICA

Eu quero é velocidade!

COTIDIANO

Inclusão social de deficientes físicos é precária em Ribeirão Preto

Inadimplência afeta comércio

Entidades enfrentam burocracia para funcionar

Uma ameaça que vem do céu

Cinco mil pessoas visitam exposição de orquídeas

CULTURA

Música é do que eles gostam

Livro usado representa economia para leitores

COTIDIANO

Inclusão social de deficientes físicos é precária em Ribeirão Preto

Foto: Tatiana Serebrinsky

Murilo Bereta

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Como a maioria dos brasileiros, os ribeirão-pretanos Sônia e Jéferson Soranzo, pela manhã se preparam para mais um dia de serviço. Já na rua observam pedestres, carros, motos e ônibus que levam trabalhadores para seus empregos. Diferente dos demais, o casal não pode simplesmente ir para o trabalho. Eles são obrigados a esperar uma condução especial para que possam exercer o direito constitucional de ir e vir. Sônia e Jéferson são portadores de deficiência física.
Telefonista do Colégio Albert Sabin, Sônia Maria Soranzo é paraplégica devido a uma paralisia infantil e a uma operação mal-sucedida na coluna. Sônia aumenta o quadro estatístico de deficientes físicos da nação que, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2001, correspondem a aproximadamente 14% da população do país.
A telefonista relata que as duas maiores dificuldades para os portadores de deficiência são a locomoção e as barreiras arquitetônicas que enfrentam no dia-a-dia. Ela afirma que Ribeirão Preto, nos últimos dez anos, busca melhorar a qualidade de vida dos deficientes, mas ainda sente essa adaptação como algo tímido. “Sinto alguma melhora, como guias de ruas que estão rebaixadas, temos algumas vans adaptadas, mas se o poder público se empenhasse poderíamos melhorar ainda mais”.
Segundo Maridélia Aparecida Cestaro, presidente do Comppide (Conselho Municipal da Pessoa Portadora e Integração de Deficiência de Ribeirão Preto), as vans adaptadas do sistema Leva e Traz coordenado pela Transerp estão precárias. Maridélia afirma que circulam onze vans pela cidade, mas três estão em mau estado de conservação. Um ônibus também integra o Leva e Traz, mas, por causa do tamanho do município, não consegue passar por todos os itinerários da cidade.
A presidente do Comppide afirma que, devido ao número reduzido de vans no sistema, o direito de utilizá-las é restrito e o cadeirante fica muitas vezes sem conseguir agendar o transporte. “Se eu precisar usar para ir ao médico, dificilmente no mesmo dia, conseguirei utilizá-la novamente para ir ao trabalho”, diz Maridélia.
Ela afirma que há muito tempo o Comppide reivindica soluções que minimizem o problema de transporte de deficientes no município. “A Transerp alega que tem dívidas, mas pedimos que eles estudem soluções através de iniciativa privada. Não é possível que não tenha solução”.
Fiscal da Prefeitura de Ribeirão Preto e atualmente um dos coordenadores do Sistema Leva e Traz para deficientes físicos, Sidney Wilson declarou que as vans priorizam o transporte para escola, saúde e trabalho. De acordo com ele, nos finais de semana circulam, no máximo, duas vans para atender principalmente casos de saúde e se sobrar tempo, também levam para programas culturais e entretenimento. Wilson afirma que atualmente 289 cadeirantes utilizam o sistema, mas que entre avaliação e espera por um lugar estão cerca de mais 300 portadores de deficiência física.
As reivindicações do Comppide são respaldadas pela Lei Orgânica do Município, no capítulo VIII, artigo 193, parágrafo V, que ordena que o município, com a participação e colaboração de entidades públicas e privadas, assegure condições para adequação de veículos de transporte coletivo urbano para permitir o acesso adequado de pessoas portadoras de deficiência. A Constituição Federal também legisla sobre o assunto no artigo 227, parágrafo segundo: “A lei disporá sobre normas de construção de logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência”.
Apesar das leis respaldarem os deficientes físicos, sobre a possibilidade de ampliação do número de vans do Leva e Traz, Felipe Sene, funcionário da secretaria da Câmara Municipal, informa que não há nada previsto em um futuro próximo. “Ainda não existe nenhum projeto de ampliação do sistema”, declara Sene.
Procurado pela reportagem do Jornal do Barão, o supervisor da Transerp, Sebastião Salvador Missão, afirmou que existe a possibilidade de ampliar o sistema com mais ônibus adaptados, mas isso depende de uma reunião das entidades competentes sobre o assunto. Duas semanas depois, novamente procurado pela reportagem no fechamento da matéria, Sebastião Missão afirmou que a reunião ainda não foi realizada.

 

Barreiras arquitetônicas
José Roberto Geraldine Júnior, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Barão de Mauá, analisa a existência de vários fatores que colaboram para a ocorrência do problema das barreiras arquitetônicas enfrentadas pelos cadeirantes. Entre eles a falta de consciência da população, o descumprimento das leis existentes, a ausência de profissionais especializados e a ineficaz fiscalização do poder público.
Na análise de Geraldine, o problema começa com a má conservação das calçadas. Construídas com materiais distintos dos ideais, tornam-se novas barreiras que dificultam a passagem dos portadores de deficiência. Passeios públicos quebrados, raízes de árvores que afloram da terra, calçadas com desníveis ou escorregadios são algumas das dificuldades mais constantes. No centro da cidade, apesar do calçadão, o problema também existe, pois sem a orientação de profissionais competentes, leigos colocam lixeiras, postes, telefones públicos e placas de propaganda nas calçadas. O mau planejamento resulta também em calçadas com desníveis e rampas com degraus íngremes demais, a ponto dos cadeirantes não conseguirem utilizá-las sozinhos.
Para minimizar o problema, o arquiteto apresenta duas opções. “Fiscalizar as novas obras públicas e privadas no atendimento das normas pertinentes e, através da mobilização social, criar espaços democráticos e acessíveis planejados por técnicos que constroem a cidade”.