| Davi
Henrique Tostes
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Sentimentos considerados
negativos – como inveja, cobiça ou ciúme
– podem ajudar a descobrir o que está errado
nos relacionamentos, no trabalho e na maneira como a
pessoa encara o mundo. Esta é a afirmação
da psicóloga Talita Camporezi. Para ela, através
desses sentimentos, é possível descobrir
a própria personalidade e saber quais são
as qualidades e defeitos. “Se você mergulhar
fundo na origem do seu ciúme ou da sua inveja,
encontrará certamente alguma necessidade não
preenchida, alguma ambição frustrada ou
uma insegurança que precisa ser resolvida”.
Talita explica que a inveja está ligada a sentimentos
de baixa auto-valorização. “Portanto,
só invejamos aquilo que valorizamos muito, mas
não possuímos”.
Viviane Reis da Silva, 23, universitária, afirma
ter sido alvo de muitos invejosos, mas não encara
isso com rancor. Ela acredita que a inveja pode ser
saudável e confessa que, às vezes, é
impossível resistir às tentações
da cobiça. “Na maioria das situações,
não temos noção de que estamos
sendo invejosos. Apontamos os defeitos dos outros, criticamos,
fazemos fofocas e comentários maldosos porque
não temos capacidade de valorizar nossas próprias
qualidades e conquistas. É por isso que estamos
sempre nos comparando e nos preocupando com as pessoas”.
A dona-de-casa Marinéia Rodrigues Silva, 48,
acredita que o sentimento da inveja pode ser definido
de várias maneiras. “Existe aquela inveja
negativa em que a pessoa sente um desejo violento de
possuir um bem alheio, mas também existe aquela
inveja saudável, que pode até servir de
motivação para alcançarmos nosso
objetivo”.
Outro sentimento considerado negativo, e que também
tem a capacidade de acabar com relacionamentos, é
o ciúme. De acordo com a estudante de Psicologia
da USP, Ana Cláudia Barros, quando este sentimento
toma conta de algum relacionamento, é sinal de
que algo não vai bem. Ela explica que os ciumentos
possuem comportamentos e características básicas.
“São possessivos, tem complexo de inferioridade,
sentem medo e são egoístas. Tudo isso
decorre da baixa auto-estima. Há uma insegurança
de que a relação termine. A pessoa ciumenta
teme não suportar a rejeição”.
Ana Cláudia defende a idéia de que quem
sofre desse mal não pode culpar o parceiro(a)
por suas atitudes. “Primeiramente, é preciso
assumir que o ciúme é um sentimento seu,
portanto de sua responsabilidade”, diz ela.
“Ao invés de complicar ainda mais sua vida
e seus relacionamentos interpessoais, tente observar
o verdadeiro motivo do seu ciúme ou da sua inveja
e use-os a seu favor. Substitua a palavra inveja por
admiração e experimente dizer às
pessoas que você as admira. Não deixe que
o lado negativo destes sentimentos tome conta da sua
vida, porque eles podem tornar você uma pessoa
limitada e infeliz”, recomenda a psicóloga
Talita.
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