| Roberta
Quaglio
Aumenta o número
de mulheres que ocupam posição de destaque
dentro das empresas. Estudo realizado no Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mostra que,
nos últimos dois anos, houve um aumento de 30%
no número de mulheres que ocupam uma posição
de comando nas empresas.
As mulheres estão invadindo, cada vez mais, um
espaço profissional antes restrito aos homens:
a chefia de empresas. Esta é a principal conclusão
de uma pesquisa realizada pelo Grupo Catho, com base
em seu banco de dados. De acordo com o levantamento,
que considerou 62.477 empresas cadastradas, atualmente,
as mulheres respondem por 16,75% do total de cargos
de presidência destas companhias. Há dez
anos, esta parcela era de apenas 8,1%.
Segundo a psicóloga organizacional de Recursos
Humanos, Melissa Moreira, 25, que faz seleções
dessas profissionais, isso se dá devido ao fato
de que o mercado está se expandindo e mudando
seus conceitos, mas ela ressalta que o preconceito existe.
“O piso salarial é, em média, de
15 a 20% abaixo do piso de um homem para o mesmo cargo”.
“A mentalidade das empresas tem mudado e o que
se vê são mulheres assumindo cargos de
chefia nas empresas. Se um homem tem uma mulher como
chefe, sempre há um desconforto. Hoje em dia
o que mais importa não são mais as aparências
e sim a liderança, competência e experiência
que possuem”, diz ela.
Os avanços profissionais também são
constatados em outros níveis hierárquicos.
A pesquisa da Catho mostra que as mulheres já
representam 21,91% dos diretores das empresas e 25,64%
das funções de gerência. Há
dez anos, estes percentuais correspondiam a 13,20% e
12,42%, respectivamente.
Em cargos como os de encarregados e coordenadores, as
profissionais alcançaram, no começo deste
ano, parcelas de ocupação muito próximas
dos 50%, com 48,32%, no primeiro caso, e 47,46% no segundo.
Segundo o Grupo Catho, estes números sugerem
que daqui a 20 anos, cerca de 40% dos cargos de direção
e presidência serão desempenhados por mulheres.
O mesmo estudo demonstra ainda as preferências
femininas em relação aos segmentos de
atuação dentro de uma empresa. Pelos dados
divulgados, as mulheres já são maioria
na área de Recursos Humanos, com 62,84% do total
de vagas. Percentual semelhante pode ser conferido nas
atividades de Relações Públicas
(57,50%).
Em contrapartida, as profissionais ainda evitam as áreas
industrial e de engenharia – ocupam apenas 12,84%
destes postos de trabalho.
“Hoje a mulher tem uma postura de destaque em
função das suas conquistas. Sua capacidade
é igual a dos homens”, afirma a gerente
de Marketing, Juliana Vinholes.
Para ela, o que mais pesou na hora de sua efetivação
para o cargo de gerência foi bom relacionamento
interpessoal, espírito de liderança, e
disposição para enfrentar desafios.
Vanessa Crubelati, 23, gerente de loja de uma rede de
supermercados, é um exemplo de que a idade não
influencia a ocupação de cargos de chefia.
A sua experiência na área do varejo foi
o que a diferenciou na contratação. Ela
trabalha há 14 anos na área. Hoje, gerencia
uma loja com oitenta funcionárias, desde seguranças,
açougueiras e repositoras. “O mercado procura
mulheres por serem mais dedicadas, por terem carisma
no atendimento, paciência com os clientes e por
serem pontuais”, afirma. “Os clientes gostam
de ser atendidos pelas funcionárias, porque elas
prestam serviços de qualidade”.
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