| Viviane
Silveira
A chamada crise da meia-idade,
conhecida popularmente como “crise dos 40 anos”,
é caracterizada por um período de transição
da idade adulta para uma fase de avaliação
e reafirmação da vida profissional e emocional.
Normalmente, nesta fase da vida, há uma queda
na produção de hormônios ligados
à sexualidade, tanto na mulher, com a proximidade
da menopausa, quanto no homem. Essa baixa hormonal contribui
para deixar as pessoas mais frágeis, e aliada
a outros fatores sociais e culturais, pode desencadear
um período de crise. Esse período compreende
a idade entre quarenta e cinqüenta anos, no entanto,
pode variar de pessoa para pessoa, dependendo do modo
como cada uma encara esse momento.
As principais características dessa fase dizem
respeito ao fator tempo. Levando em consideração
que, no Brasil, por exemplo, a expectativa de vida é
de 71 anos, conforme pesquisa realizada, em 2003, pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
chegar aos quarenta anos pode causar uma sensação
de desconforto e de medo. Surgem questionamentos como:
o que eu fiz da minha vida e o que vou fazer com o resto
dela? quanto tempo ainda tenho de vida?
O psicólogo Diego Gutierrez Rodriguez explica
que esses questionamentos surgem justamente no período
em que aparecem os primeiros sinais de envelhecimento,
como os fios de cabelos brancos e a perda do vigor físico.
Tudo isso faz com que as pessoas se sintam um pouco
mais melancólicas, entristecidas.
De acordo com o especialista, a cultura ocidental ostenta
a juventude como a melhor fase da vida, retratada na
mídia, nas músicas e na moda. Por outro
lado, países orientais, como a China, valorizam
o idoso pela experiência e pela sabedoria. Segundo
Rodriguez, essa desvalorização do idoso
na cultura ocidental contribui para o medo de envelhecer,
principalmente se a pessoa na meia-idade estiver desempregada,
pois a recolocação no mercado de trabalho
no Brasil é mais difícil.
Como um modo de recuperar aquilo que ficou nos tempos
de juventude, a pessoa tende a mudar o estilo das roupas
para algo mais moderno, a pintar o cabelo e a freqüentar
lugares como as academias, que favorecem o convívio
social com pessoas mais jovens, por exemplo. “A
crise da meia-idade nada mais é do que a busca
da juventude perdida”, afirma. Ele disse ainda
que a psicoterapia é um meio de ajudar a pessoa
nessa fase de transição e que o sucesso
do tratamento depende também da aceitação
e vontade do paciente.
Rodriguez fez questão de lembrar que nem todas
as pessoas entram em crise ao chegar aos quarenta anos.
Muitas encaram essa fase de mudança de um modo
bem positivo e, normalmente, são pessoas que
mantêm um bom contato com os próprios sentimentos
e que têm facilidade de expressá-los nos
círculos familiar e de amigos.
É o caso de Marilene Garcia, 41 anos, casada
há dezessete e mãe de dois adolescentes.
Para ela, chegar aos quarenta não trouxe nenhum
transtorno porque o diálogo com a família
sempre ajudou muito. O único ponto negativo notado
por ela foi o preconceito de pessoas mais jovens em
lugares que ela gosta de freqüentar. “Isso
me deixa muito triste porque não me considero
velha. Minha cabeça é muito jovem”.
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