Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

A crise da meia-idade

Foto: Tatiana Serebrinsky


Viviane Silveira

 

A chamada crise da meia-idade, conhecida popularmente como “crise dos 40 anos”, é caracterizada por um período de transição da idade adulta para uma fase de avaliação e reafirmação da vida profissional e emocional. Normalmente, nesta fase da vida, há uma queda na produção de hormônios ligados à sexualidade, tanto na mulher, com a proximidade da menopausa, quanto no homem. Essa baixa hormonal contribui para deixar as pessoas mais frágeis, e aliada a outros fatores sociais e culturais, pode desencadear um período de crise. Esse período compreende a idade entre quarenta e cinqüenta anos, no entanto, pode variar de pessoa para pessoa, dependendo do modo como cada uma encara esse momento.
As principais características dessa fase dizem respeito ao fator tempo. Levando em consideração que, no Brasil, por exemplo, a expectativa de vida é de 71 anos, conforme pesquisa realizada, em 2003, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), chegar aos quarenta anos pode causar uma sensação de desconforto e de medo. Surgem questionamentos como: o que eu fiz da minha vida e o que vou fazer com o resto dela? quanto tempo ainda tenho de vida?
O psicólogo Diego Gutierrez Rodriguez explica que esses questionamentos surgem justamente no período em que aparecem os primeiros sinais de envelhecimento, como os fios de cabelos brancos e a perda do vigor físico. Tudo isso faz com que as pessoas se sintam um pouco mais melancólicas, entristecidas.
De acordo com o especialista, a cultura ocidental ostenta a juventude como a melhor fase da vida, retratada na mídia, nas músicas e na moda. Por outro lado, países orientais, como a China, valorizam o idoso pela experiência e pela sabedoria. Segundo Rodriguez, essa desvalorização do idoso na cultura ocidental contribui para o medo de envelhecer, principalmente se a pessoa na meia-idade estiver desempregada, pois a recolocação no mercado de trabalho no Brasil é mais difícil.
Como um modo de recuperar aquilo que ficou nos tempos de juventude, a pessoa tende a mudar o estilo das roupas para algo mais moderno, a pintar o cabelo e a freqüentar lugares como as academias, que favorecem o convívio social com pessoas mais jovens, por exemplo. “A crise da meia-idade nada mais é do que a busca da juventude perdida”, afirma. Ele disse ainda que a psicoterapia é um meio de ajudar a pessoa nessa fase de transição e que o sucesso do tratamento depende também da aceitação e vontade do paciente.
Rodriguez fez questão de lembrar que nem todas as pessoas entram em crise ao chegar aos quarenta anos. Muitas encaram essa fase de mudança de um modo bem positivo e, normalmente, são pessoas que mantêm um bom contato com os próprios sentimentos e que têm facilidade de expressá-los nos círculos familiar e de amigos.
É o caso de Marilene Garcia, 41 anos, casada há dezessete e mãe de dois adolescentes. Para ela, chegar aos quarenta não trouxe nenhum transtorno porque o diálogo com a família sempre ajudou muito. O único ponto negativo notado por ela foi o preconceito de pessoas mais jovens em lugares que ela gosta de freqüentar. “Isso me deixa muito triste porque não me considero velha. Minha cabeça é muito jovem”.