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Sérgio Nogueira
Segundo dados do Ministério
da Saúde, o boletim epidemiológico mostra
que a cidade de Ribeirão Preto ocupa o sétimo
lugar em maior número de doentes de Aids no Brasil
e a terceira no Estado de São Paulo, ficando
na frente de cidades como Campinas, Brasília
e Salvador. Esse número mostra apenas os que
já estão sofrendo com alguma doença
proveniente do HIV.Quanto aos portadores do vírus,
já não se tem idéia do número
de infectados.
De acordo com Fátima Regina Almeida Lima Neves,
coordenadora do Programa Municipal de DST´s e
AIDS, se o indivíduo possui HIV, o vírus
leva, em média, dependendo do organismo da pessoa,
de oito a dez anos para se manifestar. “Ribeirão
pode estar nessa posição porque o número
de morte decorrente da doença é real e
mostra que o indivíduo que morre com tuberculose
no município morre, na verdade, por causa do
HIV e não de tuberculose. Em outras cidades isso
pode não ter acontecido”.
Por isso, a coordenadora não se importa com a
posição da cidade no ranking, pois afirma
que há um controle sobre o número de doentes
de Aids na cidade. Fátima aponta que um dos motivos
da transmissão do vírus é a não
prevenção, pois quem é somente
portador do vírus tem uma boa aparência.
Para ela, seria necessária a conscientização
por parte do infectado. “Se ele for usuário
de droga injetável, que a rede pública
distribua seringa e garrote, para que o dependente químico
possa usar e não infectar o próximo. E
deve trabalhar junto ao usuário na questão
de uma qualidade de vida melhor, tratar o lado psicológico
do paciente”.
Segundo o boletim, o número maior de infectados
está entre mulheres, na idade entre 20 e 40 anos.
Como o vírus se manifesta após oito anos
a pessoa ter sido infectada ainda na adolescência.
Por isso, Fátima ressalta a necessidade de se
trabalhar com prevenção nas escolas, em
grupos e na mídia.
Carla (nome fictício) lembra do quanto sofreu
com sua mãe, que se infectou com o vírus
usando drogas injetáveis, e viveu cerca de três
anos doente. Surgiram complicações intestinais,
pulmonares e, mesmo com todos os problemas, Carla recorda
que sua mãe não conseguiu largar o vício
e morreu. “Ao descobrir a doença é
preciso se tratar e buscar uma qualidade de vida melhor”.
Em Ribeirão Preto, o Gapa (Grupo de Apoio e Prevenção
à Aids), presta vários serviços
gratuitos à população infectada
de Ribeirão, em que, para participar, é
necessário apenas se cadastrar. São apoios
como os de dentistas, psicólogos e nutricionistas,
todos voluntários. Há também a
doação de cestas básicas para as
pessoas mais carentes.
O psicólogo Alex Souza Bertoldi, formado pela
USP, trabalha na área de prevenção
da doença em empresas, escolas e junto à
população. Bertoldi informa que um dos
motivos da posição de Ribeirão
Preto na pesquisa também se deve ao fato da cidade
estar na rota do tráfico. O Gapa fica na rua
Floriano Peixoto, n° 351, no centro.
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