Publicação Bimestral do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Barão de Mauá

GERAL

Bonfim Paulista ganha
sistema de monitoramento

Computador doente... e agora?

Distrito empresarial não se
desenvolve em Ribeirão Preto

Mercado dominado por homens vaidosos

A arte circense conquista seu espaço

Aumenta procura pela vida religiosa

Transporte coletivo descontenta população

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

Acupuntura conquista cada vez mais a confiança das pessoas

A realidade das favelas

Uso incorreto da água causa superexploração do Aqüífero Guarani

Encontro promove debate sobre ética na TV

Quando roubar é uma doença

Participação de mulheres na polícia em São Paulo completa 50 anos

Inimigo silencioso

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Pesquisadores da USP utilizam células-tronco no tratamento de doenças

A união faz a praça

Ribeirão ocupa o terceiro lugar no ranking do Estado em número de portadores do HIV

Educação superior a distância

A crise da meia-idade

Ciúme: medo disfarçado de amor

Mulheres ocupam cargos de chefia

Hotel para cavalos com direito
a convênio médico

Setor hoteleiro cresce em Ribeirão Preto

EDITORIAL E ARTIGOS

Brasil do terrorismo urbano

Porque ser publicitário

Editorial

Expediente

 

A união faz a praça

 


Foto: Tatiana Serebrinsky

Murilo Bereta

 

Ribeirão Preto é conhecida pelo número elevado de praças comunitárias nos bairros da cidade. Mas, devido à falta de manutenção, muitos desses espaços verdes, que antes eram dedicados ao lazer das famílias, passaram a ser freqüentados por drogados e criminosos.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), até o último Censo, eram 184 praças no município. Muitas delas foram abandonadas pelo poder público, o que levou os moradores, motivados por ações cidadãs, a melhorarem uma dessas praças por conta própria. Antônio Carlos da Silva, motorista do Hospital das Clínicas, há 11 anos morador do bairro Jardim Independência, mobilizou amigos e vizinhos e, juntos, reestruturaram uma das praças do bairro.
Degradada pelo tempo e pela ação de vândalos, a praça Armando Lopes, localizada na rua Guiana Inglesa, era ponto de usuários de drogas. “Da minha casa dava para vê-los usando drogas na praça”, disse Antônio Carlos.
Há dois anos, Antônio Carlos e dois vizinhos, após procurarem o auxílio da prefeitura e ouvirem que não havia verbas para a reforma do local, resolveram remodelá-la por conta própria. O trabalho começou com a conscientização dos moradores próximos à praça para que os auxiliassem no trabalho de reconstrução. “Ouvi muitas críticas, falavam que eu era louco por trabalhar de graça, mas alguns moradores compraram a idéia e começamos a reforma”, relembra Antônio Carlos.
Trabalhando nas horas de folga, o grupo conseguiu substituir o perigo, o mau cheiro e a escuridão da praça abandonada por um chafariz central, gramas e plantas bem cuidadas, bancos e iluminação nova. Sebastião Carlos de Souza, alfaiate, morador local e que também está no projeto desde o início, afirma ter sido o tesoureiro do grupo. A verba para a reforma veio de comerciantes que colocaram seus anúncios nos bancos da pracinha e do dinheiro arrecadado dos próprios moradores da região. “Gastamos cerca de R$ 5 mil na reestruturação do local”, calcula Sebastião.
O sociólogo e historiador Maurício Lobo analisa a atitude da comunidade como uma resposta da sociedade civil organizada ao poder público. “Os moradores demonstraram que, juntos, conseguiram realizar uma obra que era da prefeitura e que, seja por falta de verba ou desinteresse, o poder público não conseguiu fazer”. Embora considere importante a atitude do grupo, o sociólogo adverte para o perigo da inversão de valores. “Precisamos exigir que o Estado assuma as responsabilidades que lhe cabem”. Para ele, existem funções, como educação e saúde, que a comunidade não terá recursos para melhorá-las e cabe ao Estado fazê-las.
Tímido e de fala mansa, Antônio Carlos, satisfeito ao ver o resultado final da reconstrução daquele espaço comunitário, declara que hoje a tarefa de conservação da praça foi facilitada. “Agora toda a comunidade local me ajuda no serviço de manutenção da praça”. Manutenção essa que é prioridade para Antônio Carlos. Algo que pode ser facilmente percebida devido à limpeza do local, às placas de “Favor não pisar no gramado” e ao esguicho ligado para molhar as plantas.
A praça Armando Lopes, segundo Antônio Carlos, significa um local de paz para os moradores da região. “As famílias voltaram a freqüentar este espaço. Algumas vezes temos festas, músicas e serenatas com chorinho”. Frase que é complementada por Sebastião de Souza. “Esta praça é uma extensão da casa da gente”. Antônio Carlos, Sebastião e os demais moradores, através de seus atos, mais do que cultivar jardins, também cultivam cidadania.